Meditação Raja Yoga - Parte 11 - A sexta etapa: Dharana



A sexta etapa da Raja Yoga é chamada de Dharana.

Dharana consite em concentrar a mente em um único ponto ou objeto, sustentando essa concentração. O propósito é investigar a verdade por traz do objeto da meditação. Mantendo a distinção do objeto e suas propriedades, daquilo que o circunda, conduz a uma clara e vigorosa consciência do objeto.[1]. A meditação ocorre com Dharana e Dhyana juntamente.

Em Dharana investigamos as "Quatro Perspectivas" (Forma, Qualidade, Propósito e Causa) de um objeto de meditação e depois a registramos em um papel.[2]

Patanjali [3] diz "A consciência de um objeto é alcançada pela concentração em sua quádrupla natureza:

  • A forma - através do exame
  • A qualidade (gunas) - através da participação discriminadora
  • O propósito - através da inspiração
  • A causa (Alma) - através da identificação."

Essa é uma das etapas mais interessantes da meditação Raja Yoga, pois é nessa etapa que o conhecimento da Alma começa fluir para a personalidade. Dharana deve ser aprimorada pelo pelo discípulo através da prática e do estudo mais aprofundado. Esse texto é apenas um passo inicial.

[1] Sharma, Devinder Enlightenment Is the Secret to Fly, p.541

Concentração e Relacionamento

Nós não devemos simplesmente pensar sobre Deus, nós devemos nos concentrar Nele; pensar cria teologia, concentrar-se cria relacionamento.

Apenas o relacionamento proporciona experiência.

Anthony Strano
O Ponto Alfa

Meditação Raja Yoga - Parte 10 - A quinta etapa: Pratyahara


A quinta etapa da Raja Yoga é chamada de Pratyahara.

O que é Pratyahara? Sabemos como nascem as percepções. Em primeiro lugar há os instrumentos externos, depois os órgãos internos, funcionando no corpo através dos centros cerebrais, e por último, a mente. Quando todos se juntam e se ligam a algum objeto externo, então, percebemo-lo. Ao mesmo tempo, é bastante difícil concentrar a mente e ligá-la a apenas um órgão; a mente é a escrava de objetos físicos.

Todas as ações, internas e externas, ocorrem quando a mente se liga a determinados centros, chamados órgãos. Querendo ou não, as pessoas juntam suas mentes aos centros. Essa, a razão por que cometem ações tolas e sentem-se infelizes.

Porém, se tivessem a mente sob controle, não agiriam assim. Qual seria o resultado de controlar-se a mente? Seria o de evitar que eia ficasse ligada aos centros de percepção, e, naturalmente, o sentir e o querer estariam sob controle. É claro até aqui. Mas, isto é possível?

Mente o macaquinho maluco
Quão árduo é controlar a mente! Bem foi ela comparada ao macaquinho maluco, da história. Havia um macaquinho, inquieto por sua própria natureza, como todos os macacos. Como se não bastasse isso, alguém o fez beber bastante vinho, de forma que se tornou ainda mais irrequieto. Então, um escorpião o ferrou. Quando uma pessoa é ferrada por um escorpião, salta de dor durante todo um dia, O pobre macaquinho sentiu-se absolutamente miserável. E para completar sua desgraça, um demônio o possuiu. Que palavras podem descrever a sua incontrolável inquietação?

A mente humana assemelha-se ao macaquinho. Incessantemente ativa por sua própria natureza, embriaga-se com o vinho do desejo, que lhe aumenta a turbulência. Depois que o desejo apoderou-se dela, vem o ferrão do escorpião do ciúme pelo sucesso dos outros; e por fim o demônio do orgulho instala-se na mente, fazendo-a atribuir-se muita importância. Quão árduo o controle da mente!

Acalmando a mente

Portanto, a primeira lição é sentar-se por um tempo e deixar vagar a mente. Ela está em efervescência durante a maior parte do tempo. Assemelha-se àquele saltitante macaquinho. Que o macaco salte quanto queira; simplesmente esperai e observai.

Conhecimento é poder, diz o provérbio, e é verdadeiro. A menos que se saiba o que a mente está fazendo, não se pode controla-la. Entregai-lhe as rédeas, talvez surjam muitos terríveis pensamentos; ficareis admirados ao ver que é possível ter tais pensamentos; mas encontrareis que a cada dia que passa, as divagações da mente serão menos violentas, que gradualmente ela se vai tornando mais tranquila.

Nos primeiros meses notareis na mente uma infinidade de pensamentos; depois, que vão diminuindo e que em mais alguns meses serão bem poucos, até que, por fim, a mente estará sob perfeito controle.

Controlar a mente e não permitir que ela se ligue aos centros, é Pratyahara. Como consegui-lo? É um trabalho imenso; não pode ser feito num dia. Somente pelo esforço contínuo, paciente, durante anos, teremos êxito.



Swami Vivekananda
Raja Yoga


Prática do caminho escolhido


É importante para todos os buscadores e aspirantes escolham um caminho definido e pratique-o. Sem prática nada pode ser alcançado. Bem-aventurados são aqueles que estão no caminho.

Um dia eles vão chegar ao seu objetivo e alcançar a liberdade de todas as dores e misérias.

Swami Rama

Meditação Raja Yoga - Parte 9 - A quarta etapa: Pranayama



Pranayama é um dos mais importantes métodos da ciência do Yoga. Porém na Raja Yoga sua importância é secundária, ao contrário da Hata Yoga onde os exercícios respiratórios são muito importantes.

A função do Pranayama é possibilitar ao aspirante o controle sobre o sistema nervoso. Um gradual controle sobre esse sistema possibilita o controle da mente e do "prana" (energia vital). Pranayama também é o processo que objetiva auxiliar a nos mantermos não afetados por pensamentos perturbadores, mantendo o corpo e a mente perfeitamente alinhados e com saúde.

Na Raja Yoga, o Pranayama é realizado de forma simplificada. Deve-se manter a respiração normal, sem qualquer controle sobre ela, apenas observando seu ritmo (influxo e efluxo). A concentração na respiração ajuda a mente a se acalmar, aumentando a concentração no objeto da meditação.

O Pranayama na Raja Yoga é um método acessório e não o objetivo em si.

Swami Rama
Path of Fire



Rigpa: o estado de presença desperto



Rigpa é um estado de presença claro e desperto que transcende a mente pensante comum. Ele é como o sol que aparece quando as nuvens dos pensamentos se afastam. Rigpa é não-composto, não tem começo nem fim. Em sua essência ele é primordialmente puro [kadag] e sem elaborações, o que chamamos ainda vacuidade. Mas em sua natureza, ele é luminosidade espontaneamente presente [lhundrup]. Esses dois aspectos são indissociáveis.

Do ponto de vista de rigpa, a mente conceitual sem, as paixões, etc., não são senão um jogo oriundo de sua criatividade luminosa. Há, pois uma imensa diferença entre mente comum, sem e rigpa.

Sem é um epifenômeno de rigpa, uma simples função da claridade e de seu movimento. Rigpa é um estado claro e sem distrações onde nenhum apego é possível. Nesse estado, tudo que surge não é mais que uma exibição sem finalidade e dissolve-se sem deixar traço, como uma vaga no oceano ou um desenho sobre a água.

Comparamos tradicionalmente rigpa a um espelho. O espelho tem duas características: ele é vazio em si-mesmo, e simultaneamente ele tem potencialidade de refletir claramente todas as espécies de aparências, belas ou feias. Essas aparências, visíveis no espelho, são incapazes de o sujar, pois ele permanece vazio por essência. Estar sob a influência da mente comum e do apego, é estar fascinado pelos reflexos e se lançar em perseguição, seduzido por uns, irritado ou desgostoso com outros. Estar no estado de rigpa consiste em contemplar a exibição dos reflexos permanecendo na condição natural do espelho, sem estar distraído. Os reflexos não têm nenhum poder sobre o espelho, e este permanece imutável e sem manchas. Assim, do ponto de vista do espelho os reflexos não criam nenhum problema. Se quando vemos as projeções, esquecemos no mesmo instante a condição natural, a ilusão se instala.

Nos textos antigos do dzogchen, em particular do semde, rigpa é também chamado tchang tchoup sem, quer dizer bodhichitta ou "mente de iluminação". Mas esse termo tem uma significação especial no dzogchen. Tchang significa "totalmente puro", sendo sinônimo de kadak. A pureza primordial de rigpa. Tchoup significa "realizado", "perfeito", e evocando aqui a natureza espontaneamente realizada de rigpa [lhundrup]. Sem é, pois aqui a natureza da mente primordialmente pura e espontaneamente presente, e não mais a mente no sentido comum.


Longchenpa
Do livro "La liberté naturelle de l’esprit"
Apresentado e traduzido do tibetano por Philippe Cornu
Tradução para o português Karma Tenpa Dharguy
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1166


Meditação Raja Yoga - Parte 8 - A terceira etapa: Asana



A terceira etapa da Raja Yoga  é  Asana,  ou postura. Apesar da Raja Yoga ter foco no desenvolvimento da mente, algumas observâncias podem ser feitas quanto à postura física mais adequada.

Vejamos abaixo as instruções de Swammi Vivekananda sobre Asana:
Devemos   cumprir,  diariamente, uma série de exercícios, físicos e mentais, até  alcançarmos estados mais elevados. Portanto é absolutamente  necessário que encontremos uma postura na qual possamos permanecer   durante   muito tempo.   Essa   postura,  a  mais  cômoda, deve ser a escolhida. Para pensar, uma determinada  postura pode ser muito cômoda para uma pessoa, enquanto  que para outra pode ser desconfortável. Saberemos mais tarde, que durante o estudo destes assuntos psicológicos, o corpo se  torna teatro de grande atividade. 
Correntes nervosas serão  deslocadas   e   encaminhadas   através   de   um   novo   canal.  Surgirão novas espécies de vibrações; a constituição inteira  será remodelada, por assim dizer. Mas a parte essencial da  atividade permanecerá ao longo da coluna vertebral; portanto  a única coisa necessária para a postura é manter a coluna livre,  sentando-nos   eretos,   de   modo   que   as três partes – peito,  pescoço e cabeça – fiquem em linha reta. Que o peso total dessas partes descanse nas costelas, e teremos uma postura  natural e cômoda, com a coluna reta. Notamos, facilmente, que  não   conseguiremos   produzir   pensamentos   elevados,   com   o  peito para dentro.
O foco da postura é muito mais em uma posição onde possamos permanecer por algum tempo, para podermos praticar as reflexões com semente e a contemplação. Não é foco da Raja Yoga o desenvolvimento de posturas para fortalecimento do corpo físico como é feito na Hatha Yoga. Uma mente treinada pode harmonizar todo o sistema corporal sem a necessidade de posturas e exercícios físicos que exijam grande esforço.

Na Raja Yoga a postura é apenas observada para que permita ao meditador permanecer o tempo que for necessário em uma postura, sem estressar seu corpo e mantendo a coluna ereta. Sentar-se em um poltrona ou cadeira, de forma confortável, com a coluna ereta é o suficiente.

Liberdade


Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante.

Roberto Rohden

Renúncia Mental

“A renúncia está na mente, não é
alcançada pela renúncia física, nem
impedida pela falta dela.”

Ramana

O ato de renúncia à vida familiar e as posses é muito bem apreciado pelos indianos, que  valorizam tal feito, porém a opinião de Ramana a respeito disso era bem clara, e desaconselhava  quem o perguntasse.

Sua justificativa seria que a verdadeira renúncia não é uma retirada, mas uma ampliação  do amor, e que não basta despojar-se das roupas e abandonar o lar, mas renunciar aos desejos, às  paixões, aos vínculos e fundir-se ao mundo, estendendo seu amor a todos.

Apesar dos laços de afeição familiares serem fortes, o fato de se separar dessas pessoas,  sem se estar preparado, pode significar criar vínculo com outras, como discípulos, seguidores de  um guru, andarilhos do caminho. Os grandes homens que abandonaram a família não fizeram por aversão a vida familiar,  mas devido ao amor imenso que sentiam por todos os seres. Estavam de tal forma em Paz que  não havia desejo de abandonar isso ou aquilo, se afastavam apenas das questões mundanas,  mantendo o foco no Divino, porém continuavam com a vida em sociedade.

Ramana dizia que os esforços deveriam começar a ser feitos agora, pois independem do ambiente. Mesmo durante o trabalho diário o foco pode ser no Si, o que não impede que as  atividades sejam executadas plenamente. Ramana era um exemplo disso, sempre atento a tudo,  muito organizado e disciplinado com horários, o que acontecia mesmo ele estando mergulhado  em Si.
“Não é preciso renunciar à vida ativa. Se você meditar uma ou duas horas por dia, poderá dar seguimento normal aos deveres. Se meditar de modo certo, então  a corrente mental induzida continuará a fluir durante o trabalho.”(Osborne, 1970) 
Com essa postura, a atitude diária com as pessoas também sofrerá alteração e tenderá a  acompanhar a meditação. Um seguimento não se separa do outro, e o homem assim como num  teatro desempenha seu papel, sem se identificar com as personagens, sem se esquecer de quem  realmente é.

Quando o trabalho é executado apenas porque deve ser executado, sem vaidade ou egoísmo, traz redução da exploração, a cooperação toma o lugar da rivalidade e a eficiência não é comprometida, apenas os esforços estão direcionados no caminho certo. Como exemplo disso há  os escultores das catedrais, que trabalhavam por toda vida mantendo o anonimato nas artes que  faziam.


Trabalho Acadêmico de Viviane Cabral
http://www.fabioterapeuta.com.br/images/stories/TVP/Ramana-Maharish/Ramana-Maharish-Vida-e-Ensinamentos.pdf


Meditação Raja Yoga - Parte 7 - A segunda etapa: Niyama


A segunda etapa da Raja Yoga, conforme os Yoga Sutras de Patanjali, é o Niyama.

Niyama, do sanscrito "contenção", "observância", "regra", "restrição", "necessariamente" denota o dever ou obrigação adotado por um aspirante espiritual no caminho da Raja Yoga.

Segundo Patanjali são cinco as regras de observância:

Shaucha (Çauca): limpeza.

Da limpeza [Çauca] vem a indiferença ao próprio
corpo e o desinteresse por se misturar aos demais. 
(Yoga Sutras de Patanjali 2:40)


Santosha: contentamento.

Do contentamento vem a obtenção da mais elevada
felicidade [bem-estar].
(Yoga Sutras de Patanjali 2:42)


Tapas: sacrifício, austeridade, penitência.
Tapas traz a destruição das impurezas, o que leva à

perfeição dos sentidos do corpo [káya ]. (Yoga Sutra de Patanjali, 2:43)


Svadhyaya: auto-estudo das escrituras.

A busca do saber interior [svádhyáya ], orientada pela
presença divina, traz a integração mais elevada
[ samprayoga ]. (Yoga Sutra de Patanjali, 2:44)



Ishvarapranidhana: auto-entrega.

Da entrega ao  Íçvara, a perfeição no samadhi.
(Yoga Sutra de Patanjali, 2:45)


Swami Jnaneshvara Bharati


A Prática da Diligência - Parte 2 - Três formas de encarar o sofrimento


(...) Após uma análise mais aprofundada, a pessoa percebe que a causa real (ou força) que induz a essa diligência é o sofrimento. O relacionamento das pessoas com o sofrimento, desta forma, afeta a sua reação a ele, resultando em negligência ou cuidado. E mesmo as reações de cuidado variam em qualidade. Uma análise dessa dinâmica irá mostrar o valor da diligência (appamāda).

Há três maneiras de responder ao sofrimento:

1. Comportamento baseado no Sofrimento: algumas pessoas se entregam ao conforto e ao prazer, negligenciam suas responsabilidades, não consideram perigos potenciais, mas, ao invés, preferem esperar até que o perigo as confronte. Diante dos problemas e da necessidade, apressam-se para remediar a situação, às vezes com sucesso, outras vezes não.

2. Comportamento baseado no Medo do Sofrimento: algumas pessoas temem o sofrimento e a dificuldade e, assim, se esforçam para impedi-los. Embora as suas tentativas de garantir mais segurança sejam geralmente bem sucedidas, suas mentes são sobrecarregadas pela ansiedade. Além de temer o sofrimento, elas sofrem pelo medo e agem guiadas por essa fonte secundária de angústia.

3. Comportamento baseado no Conhecimento do Sofrimento: algumas pessoas refletem com sabedoria sobre como lidar com o sofrimento potencial. Elas não são intimidadas pelo medo, uma vez que compreendem a natureza das Três Características, pois reconhecem o perigo potencial. Elas investigam a dinâmica da mudança, baseando-se na consciência da impermanência e na liberdade e flexibilidade oferecidas pela característica de não-eu, para escolher o melhor caminho a seguir. Além disso, utilizam as experiências do passado como uma lição para evitar o sofrimento e para se orientar no sentido do maior bem possível. Vão sendo aliviados do tanto de sofrimento que estiver em suas capacidades, até o ponto de tornarem-se livres de todo sofrimento e ansiedade.

O primeiro tipo de comportamento é negligente; os tipos dois e três são condutas diligentes, mas o tipo dois é uma precaução alimentada por impureza e, portanto, ligada ao sofrimento. O tipo três, por outro lado, surge da sabedoria e, por isso, é livre de embaraços: nenhum sofrimento mental surge. Essa é a completa e adequada diligência que só um arahant pratica perfeitamente. A qualidade da vigilância das pessoas não despertas depende de sua capacidade de aplicar a sabedoria (em conformidade com o tipo três) e da redução do estresse causado pelo medo e pela ansiedade (do tipo dois).

Como descrito acima, as pessoas comuns não são as únicas suscetíveis à negligência; pessoas nos estágios iniciais do despertar podem ser descuidadas também.

A razão para essa falta de cuidado é o contentamento, a saciedade ou a complacência com respeito às qualidades excepcionais que atingiram. Elas deleitam-se na felicidade e no bem estar e abandonam o seu trabalho espiritual. Outra razão é porque perceberam as Três Características: elas têm uma compreensão profunda da mudança, se resignam com a condicionalidade e não estão preocupadas com a decadência e a separação. Devido a estas tranquilidade e resignação elas param; não mostram mais interesse e não fazem qualquer esforço para lidar com questões não resolvidas. Negligenciam as tarefas necessárias para a prevenção ou aprimoramento, permitindo que os problemas simplesmente se mantenham ou mesmo agravem-se.

Nesse caso, a realização do bem espiritual, ou da (inicial) libertação, é o motivo para o descuido. Esses indivíduos agem incorretamente, a sua prática é unilateral e incompleta, carecendo do esforço necessário para atingir o valor integral da diligência. Para corrigir essa situação, eles devem estar cientes de ambos os benefícios, o espiritual e o prático, e levá-los até a conclusão.



Ven. Ajahn Payutto


Meditação Raja Yoga - Parte 6 - A primeira etapa: Yama


Yama compõem a primeira etada do Caminho Óctuplo dentro da Raja Yoga, segundo os Yoga Sutras de Patanjali. Yama constitui uma regra ou código de conduta para viver com um estado de consciência virtuoso.  Eles definem como devemos orientar as nossas relações externas e internas.

Patanjali lista cinco Yamas em seu Yoga Sutras:

Yama é a não-agressão [ahi,sa], a autenticidade
[satya], o não roubar [asteya], a prática de uma vida
espiritualmente regrada [bráhmacarya] e o não cobi-
çar [aparigraha]. (Yoga Sutras de Patanjali, 2:30)


1. Ahimsa
Não violência, inofensividade, abster-se de agredir os outros, não causar dor aos demais seja por pensamentos, palavras ou ações
Com o estabelecimento da não-agressão [ahi,sa], a
inimizade desaparece das proximidades (Yoga Sutras de Patanjali, 2:35)

2. Satya
Verdade e correção. Aplicação dessas tanto aos pensamentos como às palavras.
Com o estabelecimento da autenticidade [satya], há o domínio sobre as ações e seus frutos. (Yoga Sutras de Patanjali, 2:36)

3. Asteya
Asteya refere-se a não roubar, não cobiçar, nem acumular, assim como não obstruir desejos de outras pessoas na vida.
Com o estabelecimento do não-roubar [asteya],  há  a presença de todas as coisas excelentes. (Yoga Sutras de Patanjali, 2:37)

4. Brahmacharya
Uma vida devotada à espiritualidade. Abstinência, particularmente no caso da actividade sexual. Implica necessariamente o celibato. Além disso, o comportamento responsável em relação ao nosso objetivo de avançar em direção à verdade. Ele sugere que devemos formar relacionamentos que promovam a compreensão das verdades mais elevadas. Praticar brahmacharya significa que usamos a nossa energia sexual para regenerar a nossa conexão com nosso eu espiritual. Isso também significa que nós não usamos essa energia em qualquer forma que possa prejudicar os outros.

Com a prática de uma vida espiritual [brahmacarya], a obtenção de vigor (Yoga Sutras de Patanjali, 2:38)


5. Aparingaha
Não possessividade, não realização através dos sentidos, não cobiça, não apego, não indulgência, não ganância. O termo normalmente significa limitar posses para o que é necessário ou importante.

Com o não cobiçar [aparigraha], a percepção correta do como e do porquê do nascimento. (Yoga Sutras de Patanjali, 2:39)

Swami Jnaneshvara Bharati

A Lei

Aquele que busca a Fonte, a ela chegará;
aquele que procura a Verdade, a encontrará;
aquele que se entrega ao Infinito, será por ele absorvido.

Mas, à Fonte, o buscador chegará
somente quando olvidar o que está procurando;
A Verdade ele a encontrará
apenas quando a busca não mais existir;
E o Infinito o absorverá em seu seio, quando ele, o homem,
entregar-se a transcendência em seu próprio ser.

Trigueirinho
Segredos Desvelados

Meditação Raja Yoga - Parte 5 - Caminho Óctuplo


A meditação Raja Yoga foi dividida por Patânjali em um caminho óctuplo.


  1. Yama: constituiu um código de conduta (moralidade).
  2. Nyama: observância religiosa, comprometimento com a prática, com o estudo e devoção.
  3. Asana: integração do corpo e mente através da atividade física.
  4. Pranayama: regulação da respiração promovendo a integração corpo e mente.
  5. Pratyahara: abstração dos sentidos, retirada dos sentidos de seus objetos de percepção.
  6. Dharana: concentração unidirecional da mente.
  7. Dhyana: meditação, estabilização da concentração.
  8. Samadhi: estado de consciência tranquila, superconsciente, absorvida.

Essas caminho não é linear, porém certas condições são necessárias para uma realização de uma determinada etapa. Por exemplo, não se alcança estados de concentração uni-direcionada se o praticante tiver problemas de conduta moral e de comprometimento com a prática. 


Swami Jnaneshvara Bharati



Textos relacionados