A Lembrança de Si


P.- A lembrança de si ou a auto-observação são incompatíveis com o desistir e o estar aqui?

R: A lembrança de si é, na verdade, uma técnica muito perigosa. Pode tanto consistir na observação de nós mesmos e de nossos atos, como um gato faminto observa um rato, quanto pode ser um gesto inteligente de estarmos onde estamos. Toda a questão se resume em que, se tivermos alguma ideia de relação - estou vivendo esta experiência, estou fazendo isto - o "eu" e o "isto" são, igualmente, muito fortes.

De uma forma ou de outra, haverá conflito entre "eu" e "isto". É mais ou menos como dizer que "isto" é a mãe, e "eu", o pai. Com a presença destes dois extremos tão polarizados, estamos fadados a dar origem a alguma coisa. Daí que a ideia toda consiste em fazer com que "isto" não esteja presente, pois neste caso "eu" tampouco estará. Ou, então, que "eu" não esteja presente e, portanto, "isto" também não.

Não se trata de nos dizermos isto, mas sim de senti-lo, uma experiência efetiva. Precisamos afastar o observador que vigia os dois extremos. Afastado o observador, a estrutura toda cai por terra.

A dicotomia só subsiste enquanto houver um observador que mantenha o quadro todo em pé. Precisamos remover o observador e a complicadíssima burocracia que ele cria para se certificar de que nada vai escapar ao quartel-general. Afastado o observador, abre-se um espaço enorme, pois ele e a sua burocracia ocupam demasiado lugar. Se eliminarmos o filtro do "eu" e "outro", o espaço torna-se vivo, preciso e inteligente. O espaço contém a precisão incrível de poder trabalhar com as situações nele existentes. Na realidade, não precisamos do "vigia" ou do "observador" para nada.


Chögyam Trungpa Rinpoche
ALÉM DO MATERIALISMO ESPIRITUAL

Conheça a armadilha para sair dela



É essencial aprender a confrontar-se com os aspectos menos agradáveis da  existência.

Nosso trabalho como meditantes é aprender a ser pacientes conosco mesmos, nos ver de uma maneira imparcial, completa, com todo nosso sofrimento e inadequação. Temos  que aprender a ser bondosos conosco. A longo prazo, evitar o desagradável é uma coisa  cruel contra você mesmo.  Paradoxalmente, bondade implica em um confronto com o desagradável, quando ele aparece.

Uma das mais populares estratégias humanas para lidar  com as dificuldades é a auto-sugestão: quando algo  ruim sobrevêm, você convence a si  mesmo que ele não está ali, ou se convence que ele é mais agradável do que desconfortável.

A tática do Buda é o oposto. Ao invés de esconder ou disfarçar, o ensinamento do Buda encoraja-o a examinar exaustivamente. O Budismo aconselha-o a não acrescentar sensações  que na verdade não tenha e a não evitar sensações que você tenha. Se é miserável você é  miserável; esta é a realidade, isto é o que está acontecendo, então se confronte com isto.  Olhe de frente, sem hesitar. Quando estiver tendo um tempo ruim, ruim é isto, observe  atentamente, estude o fenômeno e aprenda seu mecanismo.


O jeito de se escapar de uma  armadilha é estudar a própria armadilha, aprender como ela foi construída. Você faz isto tomando a coisa em separado, peça por peça. A armadilha não poderá lhe pegar se tiver sido
examinada parte por parte. O resultado é liberdade.


Bhante Henepola Gunaratana
A Meditação da Plena Atenção,  Tradução da equipe da Casa do Dharma

O homem polarizado no Corpo dos Desejos (Astral)



(...) O mesmo acontece com o Ego (Alma). Ele trabalha com um corpo triplo, o qual controla, ou devia controlar, através da mente. Mas, é triste dizer, este corpo tem sua própria vontade e é freqüentemente ajudado e induzido pela mente, frustrando assim os propósitos do Ego.

Esta antagônica “vontade inferior” é uma expressão da parte superior do corpo de  desejos. Quando a separação do Sol, Lua e Terra aconteceu, no início da Época Lemúria, a porção mais adiantada da humanidade em formação sofreu a divisão do corpo de desejos
em parte superior e parte inferior. O resto da humanidade o fez no início da Época Atlante.

Esta parte superior do corpo de desejos tornou-se um tipo de alma animal. Construiu  o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, controlando a parte do tríplice corpo até que o elo da mente foi dado. Então, a mente uniu-se com esta alma animal
e tornou-se uma co-regente.

A mente está, assim, atada ao desejo, emaranhada na natureza  inferior egoísta,  dificultando ao Espírito o controle do corpo. A mente focalizadora, que devia ser a aliada da natureza superior, está alienada, ligada à natureza inferior e escravizada pelo desejo.

A lei das Religiões de Raça foi trazida para emancipar o intelecto do desejo.  O  “medo de Deus” veio para se opor aos “desejos da carne”. Isto, no entanto, não foi  suficiente para capacitar o ser humano a se tornar senhor do corpo e assegurar sua  cooperação voluntária. Tornou-se necessário para o Espírito encontrar no corpo um ponto de apoio que não estivesse sob a influência da natureza de desejos. Todos os músculos são expressões do corpo de desejos e um caminho  livre para a traiçoeira mente que reina suprema, aliada ao desejo.

Max Heindel
O Corpo de Desejos

Intenção


Segurar a flecha é estar em contacto com a sua intenção.

É preciso olhar todo seu comprimento, ver se as plumas que guiam seu vôo estão bem colocadas, verificar a ponta, ter certeza de que ela está afiada. Certificar-se que está reta, não foi curvada ou danificada por um tiro anterior.

A flecha, como sua simplicidade e leveza, pode parecer frágil – mas a força do arqueiro faz com que ela consiga carregar para longe a energia de seu corpo e de sua mente. Conta a lenda que uma simples flecha já foi capaz de afundar um navio, porque o homem que a atirou sabia onde estava a parte mais fraca da madeira, e assim abriu um buraco que fez com que a água penetrasse sem ruído no porão, destruindo a ameaça dos invasores de sua aldeia.

A flecha é a intenção que deixa a mão do arqueiro, e parte em direção ao alvo – portanto, ela é livre em seu vôo, e irá seguir o caminho que lhe foi destinado no momento do tiro.

Será tocada pelo vento e pela gravidade, mas isso é parte do seu percurso: uma folha não deixa de ser folha só porque uma tempestade a arrancou da árvore.

Assim é a intenção do homem: perfeita, reta, afiada, firme, precisa. Ninguém consegue detê-la enquanto cruza o espaço que a separa do seu destino.


Paulo Coelho
O Caminho do Arco

Síntese da Iluminação

Podemos sintetizar aquilo que nos separa de nossa existência atual da existência "Iluminada" em dois pontos:

1. Eliminação dos obscurecimentos Emocionais.
2. Eliminação dos obscurecimentos Cognitivos.

Estudar, meditar e praticar sobre esses dois pontos resume todo nosso trabalho aqui na Terra.


Karma (ação) não aprisiona


O Karma, como tal, não tem capacidade de aprisionar; é a arrogância: "eu sou o executor", que causa apego e escravidão. Novamente, é o desejo pelo fruto da ação que produz a escravidão.

Por exemplo: o zero tem valor apenas quando em associação com um algarismo. Karma é zero; o sentimento de "fazedor", quando associado ao Karma, gera escravidão. Então, abandone o sentimento de "eu" e o Karma que você realiza nunca irá prejudicá-lo.

Karma feito sem qualquer desejo por seus frutos não produzirá impulsos, ou seja, não haverá nenhum impulso até mesmo para um nascimento. Os aspirantes espirituais do passado realizaram Karma com esse ideal em vista. Eles nunca sentiram que eram os "fazedores" ou "desfrutadores dos frutos" de qualquer ato. 

O Senhor fez, o Senhor deu o fruto e o Senhor desfrutou do fruto - essa era sua convicção! Você também deve cultivar tal fé.

Sathya Sai Baba

Pratique


A prática é definitivamente imprescindível.

Podeis vos assentar e escutar-me, uma hora, diariamente, mas se não praticais, não dareis um só passo adiante. Depende, tudo, da prática. Nunca entenderemos estas coisas enquanto não fizermos a experiência. Temos de vê-las, senti-las, nós mesmos.

Somente ouvir explicações e teorias não basta.

Swami Vivekananda
Raja Yoga

Mente desperta


A possibilidade de um homem mudar a si mesmo,
se aperfeiçoar, se recriar, controlar o ambiente e dominar o próprio destino
é a conclusão a que chega toda mente que esteja bem desperta para
o poder do pensamento correto em ação construtiva.

Larsen

Em que está baseada a Linguagem Correta?


1) Está baseada em ouvir a voz do silêncio.
"Dê-me o ouvido o aluno, para saber como falar."

2) Baseada na meditação.
"Através da meditação podemos corrigir os erros do mal canto."

3) Baseada na verdade, ou de acordo com a realidade.

Alice Bailey
ESTUDIOS SOBRE LA "DOCTRINA SECRETA"
Parte 1: Sonido y Lenguaje

Seja flexível para atingir a meta


(...) Junte-se aos que são flexíveis como a madeira do seu arco, e entendem os sinais do caminho. São pessoas que não hesitam em mudar de curso quando descobrem uma barreira intransponível, ou quando vislumbram uma oportunidade melhor.

Essas é a qualidade da água: contornar rochas, adaptar-se ao curso do rio, as vezes transformar-se em lago até que a depressão esteja cheia e possa continuar seu caminho, porque a água não esquece que seu destino é o mar, e mais cedo ou mais tarde deverá chegar até ele. (...)

Paulo Coelho
O Caminho do Arco

Como ajudar o próximo


Ajudar os outros aliviando suas necessidades físicas é muito importante, porém o auxílio é tanto maior quanto maior é a necessidade e duradouro o auxílio. Se as necessidades de um homem podem ser aliviadas durante uma hora, devemos ajudá-lo; se podem ser remediadas por um ano, o auxílio será maior; porém se for eliminado para sempre, este será, sem dúvida, o melhor auxílio que lhes será prestado.

O conhecimento espiritual é o único que pode destruir nossas misérias para sempre; os demais só satisfazem as necessidades por algum tempo. O conhecimento do espírito é o único que consegue destruir para sempre o desejo; assim, o auxílio espiritual é o mais elevado auxílio que se pode oferecer ao homem.

Quem dá conhecimento espiritual é o maior benfeitor do gênero humano, e por isto vemos que foram sempre os homens de maior poder que auxiliaram a humanidade em suas necessidades espirituais, porque a espiritualidade é a verdadeira base de nossa vida.

Swami Vivekananda
Karma Yoga

Tao Te Ching - Aforismo 48 - Nada


Nada

Aquele que busca conhecimento, aprende algo novo todos os dias.
Aquele que busca o Tao (o caminho), desaprende algo todos os dias.

Menos e cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.

Lao Tse

Mentiras que contamos para nós mesmos



Há um obstáculo definido, uma razão categórica pela qual não podemos, tal como somos, ter consciência. Esse obstáculo principal no caminho do desenvolvimento é a mentira. Já me referi a mentira, mas devemos falar sobre ela, pois não sabemos o que significa, visto que nunca estudamos essa questão com seriedade. Contudo, a psicologia da mentira é realmente a parte mais importante do estudo do ser  humano. Se o homem pudesse ser descrito por um tipo de animal, diríamos que é um animal que mente.

Deixarei de lado todas as mentiras externas e só levarei em conta a mentira do homem a si mesmo em relação a ele próprio. Essa é a razão pela qual estamos no estado que nos encontramos hoje e não podemos chegar à um estado de consciência melhor, mais elevado, mais poderoso e eficaz. De acordo com o sistema que estamos estudando agora, não podemos conhecer a verdade, porque esta só pode ser alcançada no estado de consciência objetiva. Deste modo, não podemos definir o que é verdade, mas se considerarmos que a mentira é o oposto da verdade, podemos definir mentira.

A mentira mais séria se dá quando sabemos muito bem que não conhecemos e nem podemos conhecer a verdade sobre as coisas, e contudo, jamais agimos de acordo com isso. Sempre pensamos e agimos como se conhecêssemos a verdade. Isto é mentir. Quando sei que não conheço alguma coisa e, ao mesmo tempo, digo que conheço ou ajo como se conhecesse, isso é mentir. Por exemplo, não sabemos nada a nosso próprio respeito e realmente sabemos que não conhecemos nada; entretanto nunca reconhecemos ou admitimos esse fato; já mais confessamos até mesmo a nós; agimos, pensamos, falamos como se soubéssemos quem somos. Essa é a origem, o começo da mentira.

Quando compreendemos isso  e seguimos essa direção e tentarmos relacionar essa ideia com tudo o que pensamos, dizemos e fazemos, começamos a remover os obstáculos que estão no caminho da consciência.

Porém a psicologia da mentira é muito mais difícil do que pensamos, porque há muitos tipos de mentiras e muitas formas muito sutis, difíceis de descobrir em nós mesmos. Nos outros nós vemos de forma comparativamente fácil, mas não em nós mesmos.

Ouspensky
Quarto Caminho

"Somos advogados de nossos defeitos e juízes dos defeitos alheios."

Permissividade: a base das emoções negativas


(...) as emoções negativas são geralmente baseadas em algum tipo de fraqueza, porque na base delas há em geral uma espécie de auto-indulgência - somos permissivos. E, se não somos permissivos com os medos, somos com a raiva, e, se não com a raiva, com a autocompaixão

As emoções negativas sempre se baseiam em algum tipo de permissividade.

Ouspensky
Quarto Caminho
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