(...) Auto-centramento não é uma boa expressão. Auto-centramento significa bolhas estreitas de diversos tipos.
Na nossas ações no mundo nós podemos trabalhar com bolhas estreitas. Bolha estreita é o seguinte: “aquilo que acontece dentro do meu carro eu razoavelmente me interesso. O que não me interesso eu jogo para fora do carro. O que está pra frente no tempo ou pra trás no tempo também não me interessa. O que me interessa é aquilo, limitado. Então o que eu faço que produz consequências para frente no tempo ou aquilo que está para traz que pode me apoiar eu nem vejo. Eu só olho assim, como um fogo que queima, uma coisa local”.
Outras pessoas ao contrário pensam com sentido de gratidão pelo que veio antes e olham com cuidado para os que vem depois. Elas olham consigo e o que acontece com os outros ao redor agora. Isso é uma inteligência maior, no mínimo uma bolha maior, uma bolha mais cuidadosa.
Quando nós temos uma percepção mais ampla nossa vida fica melhor, quando temos uma percepção mais estreita, auto-centrada, nós vamos acabar com problemas.
Se vocês olharem, por exemplo, as plantas, elas tem um sentido muito interessante. Se vocês tentarem olhar a inteligência delas, elas são apenas benignas. Elas se expandem calmas, serenas, são capazes de estar numa grande avenida barulhenta, elas apenas se expandem, olham pro sol, se ampliam, produzem sombra, melhoram o ar, acolhem os pássaros, elas seguem fazendo a parte delas.
Se nós pensarmos que elas tem uma “mente ampla” isso seria a grande mente de um grande mestre, sereno no meio da grande confusão.
Por outro lado se pensarmos que elas tem uma mente estreita, elas estão dentro de uma bolha onde só fazem a mesma coisa não importa o que acontece. Felizmente é uma coisa benigna não é, mas em princípio, elas não tem a capacidade de socorrer alguém, gerar uma intencionalidade, entender o outro no mundo dele e atuar. Mas o seres humanos tem essa possibilidade.
Porém o ser humano também pode se transformar em seres “parados” dentro das bolhas olhando um jogo estreito. Dentro desse jogo estreito para poder mantê-lo eles vão se prender.
Lama Padma Samten
Seres Complexos. Dificuldades simples.
Imagine se esse Planeta fosse um grande ser vivo. Imaginou?
Sendo esse Planeta um grande ser vivo, imagine se nós humanos fôssemos células desse grande ser vivo. Consegue imaginar?
Agora vamos fazer uma analogia.
Nosso corpo é um ser vivo, composto por células. Cada uma dessas células tem uma certa especialização, isto é, uma MISSÃO a cumprir dentro daquele sistema em que ela se encontra.
Células do sistema de defesa precisam encontrar intrusos e combate-los. Células do sistema nervoso, levam impulsos para todas as partes do organismo e permitem que ele se mova 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. E assim por diante... Cada simples e única célula tem seu trabalho a ser feito. E muitas delas cooperam para que esses trabalhos possam ser concluídos da forma correta.
Agora imagine você como uma célula dentro desse organismo maior chamado TERRA.
E pense nos momentos em que você faz seu trabalho mal feito, ou tem dificuldades de realizá-lo por causa de uma outra pessoa (célula), ou quando você quer que seu trabalho seja mais reconhecido que os demais, ou quando você julga uma outra célula, ou quando você não quer trabalhar com uma outra célula por não terem afinidade, ou quando você acha que deve ganhar mais que uma outra célula, ou quando você cria confusões e atrapalha as demais células, e coisas semelhantes.
Agora imagine se as células do nosso corpo trabalhassem dentro de um mesmo estado de "SEs" (condições) e "PORQUES" (justificativas para fazer ou não fazer algo). O que seria de nós?
Talvez apareceria um buraco na nossa pele. Ou cairiam pelos de uma parte apenas do corpo. Ou talvez o intestino parasse por alguns dias, em uma greve das células digestivas que reivindicam melhores condições do que as células neuronais que gastam mais energia e "trabalham menos".
Ok, você pode me dizer: "mas somos seres com pensamentos, com consciência, com emoções... as células são mecanismos mais simples". Sim podemos cair nesse campo das comparações, já que estamos fazendo analogias. Mas o fato é poderíamos no concentrar em refletir sobre uma única questão:
"Somos seres muito mais complexos e com dificuldade de fazer coisas muito mais simples."
Na minha visão, se cada uma de nós iniciasse uma reflexão individual sobre seu papel em um organismos maior (Terra) e como vem cumprindo esse, bem como de nossa interdependência com todos os demais seres - com suas respectivas especializações (as células desse organismo) - teremos mais condições de criar realidades melhores para esse organismo onde vivemos.
Cooperar, ajudar, tentar sempre fazer o melhor naquilo que é nosso trabalho, trabalhar em si próprio na eliminação dos medos e dificuldades auxiliando os demais (através de nossas próprias experiências ao invés de teorias inócuas), seriam preocupações mais alinhadas com essa visão de que todos fazemos parte de um grande TODO.
A qualidade do funcionamento desse grande todo, depende da qualidade do funcionamento e interação de cada simples parte: eu, você, sua família, seu vizinho, o cobrador de ônibus, o presidente de empresa, o juiz, o mendigo, etc.
Um Estudante
A Motivação através dos Quatro Pensamentos que Transformam a Mente
Objetivo: Brotar em cada um a vontade de avançar no caminho.
Quando a nossa vontade flutua, quando nos arrastamos para paisagens flutuantes, precisamos retomar o foco e motivação.
Aquilo que está mais na base são os quatro pensamentos que transformam a mente. A gente escuta “bom fazer o que é real isso, não tem escapatória”:
1. Tenho uma vida humana preciosa
2. Os Ensinamentos existem
3. A impermanência (mudança constante) das coisas existe
4. Eu tenho estruturas cármicas vivas, tenho estruturas cármicas latentes ou carmas primários, quando isso aflora inevitavelmente faço coisas equivocadas que eu me dou conta depois; isso produz sofrimento para mim e para os outros; estou preso nessa experiência cíclica, eu tento fazer coisas melhores, faço e depois afundo para coisas piores e vou oscilando.
Logo é necessário aproveitar o tempo.
Então de novo e de novo voltamos pra esse ponto.
Esse é um raciocínio auto-centrado (os 4 pensamentos que transformam a mente): “eu aquilo, eu isso, eu tenho essa vantagem vou aproveitar isso ou aquilo”
Por que esse pensamento auto-centrado é útil? Porque quando nós estamos em crise estamos auto-centrados. Então temos que falar dentro de uma linguagem auto-centrada. Mas se vocês observarem esse pensamento auto-centrado logo em seguida ele se amplia. Quando entendemos isso logo fazemos o voto de beneficiar os seres.
Então a motivação inclui isso, essa retomada e quando entendemos o que significa o “andar” nós nos interessamos de uma forma mais ampla pelos seres. A compaixão é muito importante pelo que nós podemos fazer pelos outros seres, mas especialmente, a compaixão é importante por que nós abrimos nosso horizonte. Nós estamos auto-centrados e fechados e isso já faz parte de uma estrutura de ignorância que nos conduz aos infernos, ao sofrimento direto. Então nós precisamos abrir isso um pouco.
A primeira forma de abrir é ser capaz de ver os outros seres, especialmente aqueles mais queridos que nós temos mais contato.
Se o nosso olho alcança os OUTROS o que acontece? Nós saímos do peso do auto-centramento. Auto-centramento é um peso. Muitas pessoas pensam que é uma grande inteligência ficar auto-centrado, mas é o caminho do inferno. Ali dentro não se vai a lugar nenhum.
Naturalmente nossa mente é ampla. Ela pode se prender à paisagens e bolhas estreitas. O auto-centramento é uma bolha. Nós somos capturados por uma paisagem limitada. Ela dá problemas. Dá problemas em várias direções.
Uma percepção mais ampla, torna nossa vida melhor. Uma percepção mais estreita, nos limita e traz sofrimentos.
Estar em uma bolha estreita nos leva a fazer sempre as mesmas coisas, limitados, estreitos pela limitação que nós próprios criamos.
A motivação é muito importante pois ela nos faz ter vontade de ampliar essa visão.
Padma Samten
Fragmento de uma conversa sobre Medo e Trabalho
Alejandra Caballero
(...) Quando você tira o mimimi, a birrinha, ou seja, o controle do emocional sobre a situação você dá à mente (intelecto) o controle sobre a situação e a vê de forma mais clara e racional.
Colocado isso para um terceiro fica mais fácil de ele compreender. Com carga emocional (sua) ele possivelmente não entenderia pois ele não tem essa carga com ele.
O não envolver-se é na questão de resultado das ações e principalmente no aspecto emocional. Mas nas ações em si, cabe sim a você desenvolver seu papel. Você deve envolver-se mentalmente nessas situações e a partir daí influenciar esses eventos de forma a elevá-los. Se pensar somente sob um prisma egoísta e limitado, os problemas irão se avolumar e o aprendizado ficará estagnado em um mesmo ponto. Se ampliar seus propósitos, se for mais inclusiva, sua consciência abre um pouco mais e você consegue entender melhor certos aspectos.
O difícil e o fácil são situações vividas pelo nível em que sua consciência está. Quando lhe falta EXPERIÊNCIA e VISÃO, certamente você classificará aquilo como difícil. Quando ainda lhe falta EXPERIÊNCIA mas já há um pouco mais de VISÃO, você entende que pode tirar aquilo de letra.
Pense e coloque essas situações sob a LUZ.
O que é Paz
Paz é algo que muitos de nós buscamos e ansiamos em nossas vidas, mas o que é afinal a Paz?
A paz hora é definida como um estado de não violência, de não guerra, hora é confundida com a satisfação dos desejos humanos que culminam em alegria, ainda que esta seja quase sempre passageira.
Paz, todavia, é algo que está além dos desejos e das aversões humanas. A verdadeira Paz nasce quando superamos aquilo que chamamos sinteticamente de medo. Sinteticamente, pois medo pode significar muitas coisas.
O estado de Paz é alcançado sempre que nossas ações não são conduzidas pelo medo. Assim, por exemplo, se eu não tenho medo de perder algo, eu não me agarro à isso, não crio formas de protegê-lo, não usarei da violência para sua preservação, nem desejarei que outros usem.
Uma situação extrema do cotidiano humano pode ser utilizada como exemplo: o assalto. Muita da Paz que ansiamos reside no medo de perdermos aquilo que temos de forma violenta. O que seria o assalto senão o meio pelo qual isso ocorre? O assalto por tanto é aquilo que tira a Paz do cidadão, por infringir-lhe: (a) uma perda (b) de forma muitas vezes violenta. O medo de um assalto portanto, nos retira a Paz. Portanto a Paz se perde, antes mesmo de qualquer ação concreta. Podemos passar anos andando pelas ruas sem sermos assaltados, mas se o medo estiver conosco, não teremos Paz. Assim como poderemos tomar precauções baseadas nesses medo ou incentivar ações violentas para que o medo que sentimos seja amenizado.
Esse é um exemplo. Outros tantos poderiam ser colocados. A Paz é uma quimera na sociedade atual, pois o medo é uma grande e presente realidade nos corações e mentes de todos.
O medo produz comportamentos individuais e coletivos que só fortalecem a sensação de medo e enfraquecem a verdadeira noção de Paz.
A Paz começa dentro de cada um de nós, assim como o medo. Reflita sobre as ações que comete por medo e reflita como poderia transformá-las em ações sem medo e portanto de Paz. Pratique.
Um Estudante
O que é o Amor Verdadeiro
A resposta de muitas pessoas seria Amor, porém não é essa a realidade que experimentamos no dia a dia.
A maior parte de nós passa o dia todo oscilando em pensamentos de desaprovação daquilo que vemos no mundo ou no comportamento de outras pessoas. A raiva parece ser uma palavra pesada, mas é exatamente o que sentimos em cada um desses momentos onde não concordamos com a realidade que nos é posta.
Poderíamos entender a raiva como o sentimento de repulsa, aquilo que nos faz repudiar e negar diversas experiências as quais nos deparamos. Vivemos entendendo que o contrário da repulsa, o desejo, seria a solução para estados mais felizes e amorosos. Mas o desejo também é uma forma de aprisionamento.
O desejo e o gostar de algo é confundindo com o Amor, mas no sentido Espiritual, desejos nunca nos trarão a verdadeira experiência do Amor.
Em nome dos desejos e das repulsas criamos estados mentais e sentimentais de discórdia. Perturbarmos a paz alheia e colocamos em cheque a nossa própria paz.
Criamos guerras e conflitos em nome daquilo que dizemos amar (países, religiões, pessoas, propriedade, idéias, auto-imagem), que na verdade são desejos de auto-satisfação baseado em coisas pequenas: um cargo melhor, uma propriedade melhor, reconhecimento social, um filho que faça aquilo que queremos que ele faça, um vizinho que se comporte como queremos que ele se comporte, etc.
Não há Amor na guerra, assim como não haverá amor em nome do desejo ou da repulsa.
O Amor Verdadeiro é o sentimento a ser aprendido nessa experiência na Terra.
Começamos a tomar contato com o Amor Verdadeiro quando praticamos a inofensividade que nos conduz a PAZ e ao NÃO-CONFLITO.
Começamos a tomar contato com o Amor Verdadeiro quando praticamos o auto-esquecimento, isto é, fazemos as coisas sem colocar nosso pequeno ego na frente de tudo. Isso nos conduz para o ALTRUÍSMO e o TRABALHO DESINTERESSADO.
Começamos a tomar contato com o Amor Verdadeiro quando temos atenção e tomamos cuidado com cada uma de nossas PALAVRAS e AÇÕES, compreendendo que elas são a materialização de nossos propósitos e vontades. Se essas vontades são elevadas, palavras e ações corretas serão uma tônica, nos conduzindo para a UNIÃO com todos. Unidos não haverá separatividade e portanto guerras, conflitos, egoísmo, etc.
Não haverá Amor sem a prática sincera da inofensividade, do desinteresse pessoal e da palavra e ação corretas.
Sem isso o Amor é uma quimera, um apego, um auto-engano, um mero desejo de posse, o subjugo de outras pessoas e Almas a suas próprias vontades egoístas para auto-afirmação e tantas outras coisas que damos o nome incorreto de Amor.
Pratique as ações que levam ao Amor Verdadeiro e então experimente-o! Até lá, observe e compreenda que, até agora, você possivelmente confundiu o Amor com outros sentimentos.
S.N.
Implacabilidade
ALUNO: Você falou muito sobre impiedosidade e destemor? Com relação a que somos implacáveis? Você apenas implacavelmente assume uma atitude psicológica particular?
TRUNGPA RINPOCHE: O ponto de ser implacável é que quando você é implacável, ninguém pode persuadi-lo. Ninguém é capaz de seduzi-lo numa direção pouco saudável. É implacável nesse sentido, e não no sentido convencional da agressão ilógica - tal como é o caso de Mussolini ou Hitler ou alguém desse tipo. Você não pode ser persuadido ou seduzido; você não aceitaria isto. Mesmo as tentativas de seduzi-lo produzem uma energia que é destrutiva na direção daquela sedução. Se você está completamente aberto e completamente excitado em termos de louca sabedoria, ninguém pode atraí-lo para seu território.
A: Então você mantém esta implacabilidade.
TR: Você não se mantém implacável. Sua implacabilidade é mantida pelos outros. Você não mantém coisa alguma. Você apenas está ali, e o que quer que surja, você apenas re-projeta. Tome o fogo por exemplo. Ele não possui seu poder de destruição. Aquilo apenas acontece. Quando você coloca algo no fogo ou tenta apagá-lo, seu poder ofensivo simplesmente surge. É a natureza orgânica ou química do fogo.
A: Quando estas coisas vêm até você, então você tem que ser implacável de forma a repeli-las, certo? Então parece que um julgamento tem que ser feito quanto a certo e errado, de forma que isso que surje a você seja percebido como positivo ou negativo, de forma a ser compassivo ou implacável.
TR: Não vejo assim. Este é o ponto principal do tipo transcendental de implacabilidade. Não necessita julgamento. A situação gera a ação. Você simplesmente reage, porque os elementos contêm agressão. Se lidarmos ou interferimos com os elementos de uma forma irreverente ou sem habilidade, eles rebatem.
A implacabilidade parece sobreviver num sentido de relatividade, "disto" versus "aquilo", mas de fato não é assim. É absoluta. Os outros apresentam uma noção relativa, e você corta. Este estado de ser não é num nível relativo de forma alguma. Em outras palavras, este absoluto corta através de todas as noções relativas que surgem, mas ainda assim permanece auto-contido.
Chögyam Trungpa Rinpoche
Crazy Wisdom
Traduzido por Eduardo Padma Dorje em 03/09/2001
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1024
TRUNGPA RINPOCHE: O ponto de ser implacável é que quando você é implacável, ninguém pode persuadi-lo. Ninguém é capaz de seduzi-lo numa direção pouco saudável. É implacável nesse sentido, e não no sentido convencional da agressão ilógica - tal como é o caso de Mussolini ou Hitler ou alguém desse tipo. Você não pode ser persuadido ou seduzido; você não aceitaria isto. Mesmo as tentativas de seduzi-lo produzem uma energia que é destrutiva na direção daquela sedução. Se você está completamente aberto e completamente excitado em termos de louca sabedoria, ninguém pode atraí-lo para seu território.
A: Então você mantém esta implacabilidade.
TR: Você não se mantém implacável. Sua implacabilidade é mantida pelos outros. Você não mantém coisa alguma. Você apenas está ali, e o que quer que surja, você apenas re-projeta. Tome o fogo por exemplo. Ele não possui seu poder de destruição. Aquilo apenas acontece. Quando você coloca algo no fogo ou tenta apagá-lo, seu poder ofensivo simplesmente surge. É a natureza orgânica ou química do fogo.
A: Quando estas coisas vêm até você, então você tem que ser implacável de forma a repeli-las, certo? Então parece que um julgamento tem que ser feito quanto a certo e errado, de forma que isso que surje a você seja percebido como positivo ou negativo, de forma a ser compassivo ou implacável.
TR: Não vejo assim. Este é o ponto principal do tipo transcendental de implacabilidade. Não necessita julgamento. A situação gera a ação. Você simplesmente reage, porque os elementos contêm agressão. Se lidarmos ou interferimos com os elementos de uma forma irreverente ou sem habilidade, eles rebatem.
A implacabilidade parece sobreviver num sentido de relatividade, "disto" versus "aquilo", mas de fato não é assim. É absoluta. Os outros apresentam uma noção relativa, e você corta. Este estado de ser não é num nível relativo de forma alguma. Em outras palavras, este absoluto corta através de todas as noções relativas que surgem, mas ainda assim permanece auto-contido.
Chögyam Trungpa Rinpoche
Crazy Wisdom
Traduzido por Eduardo Padma Dorje em 03/09/2001
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1024
Pontos para auto-reflexão
Felicidade. Todas as pessoas se esforçam para a felicidade. A sabedoria antiga diz-nos que a felicidade virá a nós quando deixarmos de busca-la para nós mesmos, quando vivemos com o fim de fazer os outros felizes. A felicidade não é encontrada nas coisas exteriores e circunstâncias, mas em contentamento interior. Tornamo-nos mais felizes na medida em que nos libertamos do nosso descontentamento, nossa inveja, nossas demandas sobre outras pessoas e sobre a vida.
Aceitar o inevitável. Certas coisas estão em nosso poder, a maioria das coisas não são. Não adianta reclamar do inevitável, lamentando, colocando uma resistência, desejando algo diferente. Desejos vãos roubam a vontade, o poder de que precisamos para fazer uma contribuição positiva onde nós de fato podemos.
Sofrimento. O sofrimento é inevitável enquanto somos seres humanos. Devemos como uma questão de princípio, sem exceção, independentemente da nossa simpatia ou antipatia para com a pessoa que sofre tentar ajudar quando e onde pudermos. O sofrimento é, no fundo, sempre auto-causado por crimes contra as leis da vida. É, no entanto, um equívoco das leis da vida abster-se de ajudar, invocando "o carma da pessoa que sofre" como uma desculpa. Porque quando se tenta aliviar o sofrimento nós somos os agentes das leis da vida.
Ataques. Quando estamos sob o ataque de outras pessoas, quando estamos sendo criticados ou culpados, nós em 99% dos casos encaramos com repulsa , repudiando de forma agressiva e retaliamos com abuso correspondente, ou depressivamente repousando na auto-piedade. No entanto, existe um terceiro método, que é positivo, construtivo e evolutivo para ambas as partes: a compaixão impessoal. Usando isto nós ouvimos as críticas com esse espírito: "Eu posso aprender alguma coisa disto, por mais que essa situação seja exagerada e bizarra. Eu posso saber o que a outra pessoa pensa serem minhas falhas, o que pode me ajudar a superá-las. Eu aprendo algo sobre a natureza e funções do homem. Eu exercito-me na virtude da invulnerabilidade e, acima de tudo: Eu promovo uma melhor relação com essa pessoa, encarando a ira com calma, para que então ela não possa fazer outra coisa senão lamentar o assunto mais tarde, de modo que podemos nos tornar amigos de novo . "Nós somos responsáveis uns pelos outros. Se encaramos a indelicadeza com indelicadeza, então infalivelmente contribuiremos para que a outra pessoa fique presa em um estado negativo e doloroso.
Do medo de falhar, isso é um sério obstáculo para a evolução. Muitas vezes deixamos de agir, de fazer o que podemos por medo de cometer erros. A teoria Hylozoica (Pitágoras) nos proporciona a compreensão teórica do fato de que o homem é um ser muito imperfeito, já que ele está em desenvolvimento. Mas, de alguma forma, ainda se apeguem a esse vida hostil moralista (fomentado pelas exigências do cristianismo que o homem seja perfeito), dizendo que "ele é perfeito não comete erros óbvios". O absurdo deste ponto de vista é claro pelo fato de que o indivíduo passivo que está sentado quando algo errado está sendo feito, obviamente, "não comete erros". De acordo com a lei da colheita, no entanto, a passividade e omissão têm as suas consequências, e de nenhuma maneira mais suaves. Uma maneira de sacudir essa passividade perversa é dizer para si mesmo várias vezes: "O valor que dou a mim mesmo não é devido aos meus chamados fracassos, mas minhas tentativas sinceras e minha busca constante de evoluir."
Pare de acusar os outros pelos problemas! De preferência procure as causas em si mesmo, se você a procura em tudo que está fora! Não seja lento para agir! Faça isso agora!
Confie em si mesmo. Geralmente, somos muito dependentes da forma como as outras pessoas nos vêem e valorizam nós. Estar sob esta força nos esforçamos para agradar os outros e temos uma compulsão interna para justificar nossas ações antes dos outros. Precisamos fortalecer a nossa confiança em nós mesmos. Um bom começo é abster-se, em princípio, de dar aos outros vislumbres de nossa vida privada, de explicar os motivos para os nossos pontos de vista particulares, etc, que é um direito concedido a nós pela lei da liberdade. É um método de trabalho do lado da evolução também porque é uma forma não agressiva de neutralizar eficientemente fofoca geral e curiosidade.
Gratidão. Todos os dias devemos contemplar, por alguns minutos, quão imensamente são as coisas que temos as quais devemos ser gratos, quantos favores, oportunidades, a vida nos dá possibilidades em quase todos os momentos, como poderíamos usá-las melhor no serviço da vida e ao fazê-lo pagar por nossos débitos. Lema: "Seja grato por tudo!"
Henry T. Laurency
Prática Espiritual
ALUNO: Como nos relacionamos com esperança e medo através da disciplina da prática espiritual?
RINPOCHE: Este é um bom ponto, na verdade. Desse ponto de vista, tudo que é violento - tudo que não conhece esperança e medo - relaciona-se com a prática espiritual.
Chögyam Trungpa Rinpoche
Crazy Wisdom
Traduzido por Eduardo Padma Dorje em 03/09/2001
http://www.nossacasa.net/shunya/default
Espiritualidade é uma forma
(...) em outras palavras, espiritualidade não é realmente o caminho,
mas espiritualidade é uma forma de condicionar nosso caminho, nossa energia.
Chögyam Trungpa Rinpoche
Crazy Wisdom
Traduzido por Eduardo Padma Dorje em 03/09/2001
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1024
Despertar requer Prática
Nossa essência intrínseca é um estado da maior simplicidade, embora durante o processo de se revelar tenhamos de trabalhar com a complexidade e a confusão de nossas mentes, como elas são (estão) no presente.
Pode parecer que ensinamentos como esse na verdade encorajem a não meditar ou fazer qualquer tipo de prática. Entretanto, as vidas dos grandes mestres dzogchen mostram que eles passaram muitos anos em retiro e fizeram esforços tremendos, antes que atingissem o estado espontâneo da consciência natural. Em adição, suas biografias revelam que tiveram uma fé e uma devoção extraordinárias a seus gurus e grande respeito por todos os estágios do caminho.
Podem existir algumas poucas pessoas que, como resultado de práticas de vidas anteriores, possam penetrar direto na essência em um curto período de tempo, mas a grande maioria de nós precisa passar por um período mais longo de preparação. Para se basear no estado de não-meditação e não-perturbação [não-distração], precisamos praticar a meditação convencional primeiro, senão apenas permanecemos sob a influencia da perturbação/distração, quer estejamos conscientes disso ou não. Como diz o texto:
Todos os seres são na realidade a essência desperta,
Mas sem praticarem de fato eles não irão despertar.
Francisca Fremantle
VAZIO LUMINOSO
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1170
Pensamento Semente para Meditação
Minha vida está entregue à Inteligência Divina. Estou agora livre, receptivo e submisso aos seus valiosos ensinamentos e orientações.
Catherine Ponder
Catherine Ponder
Percepção e Liberdade
Tudo que parece nos prender e nos iludir vem da nossa própria percepção equivocada.
A mente construiu sua própria prisão e sua própria teia de enganos. Portanto, assim que a verdadeira natureza da mente é realizada, ela é vista como tendo estado sempre essencialmente livre; naquele instante, ela se libera por seu próprio poder.
Francisca Fremantle
VAZIO LUMINOSO
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1170
O Segredo da Ação (Karma)
O homem ideal é aquele que em meio do maior silêncio e solidão encontra atividade intensa, e em meio da maior atividade sente o silêncio e a tranquilidade do deserto. Um homem assim aprendeu o
segredo da restrição: governa-se a si mesmo.
Enquanto anda pelas ruas de uma grande cidade repleta de tráfico, sua mente está tranquila como se estivesse em uma caverna aonde não pudesse chegar um único som, e trabalha intensamente todo o tempo.
Este é o ideal do Karma-Yoga, e se o tiverdes alcançado, tereis aprendido realmente o segredo da ação.
Swami Vivekananda
Karma-Yoga
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