Sejamos Paz
Não haverá PAZ
Enquanto buscarmos fora
O que já temos dentro
Não haverá PAZ
Enquanto estivermos fora
De nosso "centro"
Não haverá PAZ
Enquanto criarmos separações
Entre nós e nosso irmão
Não haverá PAZ
Enquanto nossas mentes estiverem
Desatentas e em confusão
Não haverá PAZ
No orgulho de sermos melhores
Ou na inveja quando sentimo-nos inferiorizados
Não haverá PAZ
Na crítica constante ao outro
No ódio, na raiva e desgostos externalizados
Não haverá PAZ
Na falta de gentileza, no grito
e na aspereza dos gestos impulsivos
Não haverá PAZ
Naquele que gera sofrimento
Para si e para os outros seres vivos
Não haverá PAZ
Na busca infinita da acumulação
De bens e conhecimento na forma teórica
Não haverá PAZ
Na palavra vazia e sem força
Pela falta de prática e excesso de retórica
Não haverá PAZ
No julga-los ou julgar-se
Mas no observa-los e observar-se
Não haverá PAZ?
Haverá PAZ!
PAZ!
Afinando pianos
Quando era criança e ia passar férias com meu pai, o acompanhei algumas vezes em um trabalho que ele fazia: afinar pianos. Para afinar pianos geralmente se usa um diapasão. O diapasão (veja imagem) consiste em um metal. Esse metal ele fazia soar uma determinada corda ou batia nela e colocava o diapasão no ouvido. Em seguida ia afinando a corda, repetindo esse processo inúmeras vezes.
Não me recordo bem o processo pois realmente ainda era bem pequeno (entre 7 e 9 anos) e existia uma técnica ali que eu não conseguia entender, mas de fato o diapasão é um instrumento que recebe a vibração externa e vibra na mesma onda.
Escutando um ensinamento de um Lama ele citou o diapasão e suas propriedades e fez uma analogia com nosso comportamento e como influenciamos as pessoas em volta. É como se fôssemos a corda do piano que produz o som e o outro fosse o diapasão.
Ora somos corda, ora somos o diapasão. Ora estamos recebendo vibrações, ora estamos emitindo vibrações. Essas vibrações podem se afinar com o tempo, como no processo de afinação de um piano, pela mera coexistência em um mesmo espaço e tempo.
Por exemplo, uma pessoa se muda para outro estado. Logo ela estará exposta a outra cultura, costumes, etc. No começo vai soar meio estranho os sotaques, mas depois de um certo tempo eles “ressoam” de forma mais familiar, até que acontece uma “afinação” da pessoa em relação ao meio onde ela está, assim como ela também está influenciando seu meio.
Estar atento e desperto, nos permite a visão necessária para percebermos o quanto influenciamos e somos influenciados pelos ambientes, pessoas e eventos à nossa volta. Em uma natureza toda interligada e interdependente, soamos e ressoamos vibrações constantemente.
Assim como precisamos filtrar aquilo que vem de fora e nos causa algum tipo de problema, também precisamos ter o cuidado com o que produzimos. Somos responsáveis pelos“sons” que produzimos pois eles ressoam e moldam o nosso entorno e a realidade que percebemos.
Afinar nossos “pianos” portanto é uma arte, que requer atenção, observação e um longo aprendizado através da vida.
um estudante
Corromper e ser Corrompido
No nosso mundo cíclico (samsara) isto é no mundo criado pela consciência do corpo (afastada de nossa natureza primordial), existe uma propensão de colocarmos as coisas em "escala", isto é, classificar as coisas como: isso é ruim, aquilo é um pouco melhor, aquilo outro é bom e aquele lá é excelente.
Essas graduações de qualidade ainda que existam em termos mais sutis de vibração, no nosso mundo, regido pela ignorância, podem causar diversos problemas.
Quando colocamos alguém ou alguma pessoa acima de nós mesmos, ou abaixo de nós mesmos, estamos propensos a criar sofrimento.
A pessoa que é considerada acima, pode criar soberba, orgulho, vaidade e portanto ser CORROMPIDA.
A pessoa que se considera abaixo, pode criar em si, o desejo de vir a ser (que pode ser positivo ou não), a inveja (que é o desejo de vir a ser mal orientado) como também estar camuflando um mecanismo do ego que lá na frente vai lhe colocar na posição de ser corrompida também.
Quem CORROMPE fortalece no outro as ervas daninhas de sua auto-imagem e portanto está lhe causando indiretamente as causas de seu sofrimento. Um exemplo: uma pessoa faz uma plástica e rejuvenesce. Nós a vemos e falamos "nossa que linda que você ficou!". Ainda que esse elogio seja realmente baseado na nossa percepção, isso vai causar vaidade na outra pessoa. Daqui alguns anos sua pele estará novamente enrrugada, ela se olhará no espelho, o sofrimento brotará e ela irá desejar novamente por uma plástica. Assim como nós podemos desejar passar pelo mesmo.
CORRUPÇÃO = CORROMPIDO + AQUELE QUE CORROMPE
Estamos acostumados a ouvir essas duas palavras no sentido de corrupção de dinheiro público, ou de funcionários públicos. Nesse caso o mecanismo é o mesmo: aquele que "corrompe" também fortalece o "corrompido". O sucesso daquele que é corrompido (seu dinheiro, poder, etc) gera atração naquele que corrompe ou que apenas observa. Isso gera tentativas de pessoas serem os CORROMPIDOS e por isso elas corrompem, pois no inconsciente estão desejando ser aquele que é corrompido.
Isso pode ser muito grosseiro como uma pessoa que paga para um político para lhe dar benefícios para sua empresa por exemplo, mas na maioria das vezes é muito sútil e bastante presente no nosso dia-a-dia.
As diferenças de qualidade rotuladas incorretamente por nossa ignorância coletiva, causam conflitos, disputas, competições e guerras. São essas diferenciações de qualidade que colocam pessoas despreparadas no poder. É essa mesma corrupção, causada pelo comportamento humano, que gera a devoção a líderes negativos, líderes religiosos, que criam impérios para escravizar pessoas.
Temos que tomar cuidado com nossa devoção mal direcionada, pois ela é a consequência de nossa incorreta percepção da "qualidade" de algo ou de alguém. E quando embarcamos nessa de perceber algo ou alguém como alguma coisa superior, estamos no caminho de devocionar cegamente e portanto cair na armadilha do "corromper" e ser "corrompido".
Nós temos uma natureza de paz e luz que desconhecemos. Portanto projetamos para fora perfeições e qualidades que julgamos positivas, mas que pensamos não possuir. E nessa invariavelmente vamos encontrar algo que nos atraia e vamos depositar nisso esperanças, projeções, etc.
O cuidado a ser tomado é o de não corromper pessoas ou grupos de pessoas, depositando nelas nossas projeções. Precisamos sempre ter essa atenção, para não alimentarmos a vaidade no outro e o desejo ou inveja em nós mesmos.
um estudante
Atenção Plena na superação do sofrimento
O Buda depois de abandonar sua vida de príncipe, renunciar a tudo e meditar por 6 anos, tendo vivido segundo se acredita por Eons (incontáveis vidas) enfim se iluminou.
Ele então pronunciou em seus primeiros discursos as Quatro Nobres Verdades e um caminho de prática de oito passos (Caminho Óctuplo).
Esse ensinamento de forma resumida dizia:
1) O sofrimento existe (realidade do sofrimento)
2) Ele surge de nossa falta de lucidez ou ignorância (origem do sofrimento)
3) O sofrimento pode ser cessado (cessação do sofrimento)
4) Há o caminho para sua cessação (o caminho de oito passos)
2600 anos depois vivemos em um planeta onde pessoas sofrem por todos os cantos, quase 24 horas por dia, pelos mais variados motivos. O sofrimento não só é uma realidade, mas parece ser a tônica da vida global, onde pessoas sofrem, fazem sofrer e compartilham seu sofrimento.
Somos parte desse contingente de sofredores, que até mesmo acostumaram a confundir prazer com sofrimento, vício com virtude e tantas outras confusões, até mesmo se orgulhando ou vitimizando-se pelo sofrimento que passam.
NÓS CRIAMOS TUDO ISSO
Precisamos olhar para isso com sinceridade. Precisamos entender quantas ações e pensamentos geradores de sofrimento, em diversos níveis, cometemos durante um simples dia. É só através da observação consciente que podemos nos deparar de frente com nossas tendências de produzir incessantemente sofrimento, do contrário nem os percebemos.
Os sofrimentos podem ser os mais grosseiros como a dor, até os mais sutis, como a angústia, a ansiedade o a sensação de vazio. O sofrimento pode se dar das mais variadas formas e todas elas são causadas. E onde está a causa?
Um exemplo simples de sofrimento sendo causado. Uma pessoa vai atravessar a rua, o sinal está fechado para pedestres mas ela avança. De repente vem um carro que precisa frear. Outras pessoas também estão presenciando a situação. Quem atravessou, quem estava dentro do carro, quem estava em outros carros e até mesmo quem só observava sofreram naquele momento, mesmo que por uma fração de segundo.
São esses sofrimentos, grosseiros ou sutis, que ocorrem em profusão no nosso dia-a-dia, espalhando sofrimento para todos que estejam ao redor.
NA IGNORÂNCIA, CULPE O OUTRO
A ação mais comum, em meio a falta de lucidez ou ignorância - somada a não observação da conduta pessoal própria - é transferir a responsabilidade da causação do sofrimento, para o OUTRO. O outro é responsável pelo meu sofrimento. O outro pode ser o pai, o filho, a mãe, o namorado, o avô, o juiz, o deputado, o zelador, o guarda, o motorista, etc, etc.
O outro, assim como eu ou você, está tentando ser feliz. Mas nessa tentativa de ser feliz, assim como eu e você, pode se utilizar de meios inábeis, ignorantes e por tanto egoístas. E se o OUTRO age movido por sentimentos parecidos com os meus, na realidade o OUTRO é igual a MIM. O OUTRO sou EU MESMO!
Não há outro. Há apenas a constante fuga e a tentativa de nós mesmos de transferirmos nossa responsabilidade pelo sofrimento que sentimos e que espalhamos, substituindo a atenção em mim, pela atenção no outro.
Sendo assim, um dos antídotos que o Buda deixou em seu caminho óctuplo era "Atenção Plena". Isso também foi dito por Jesus Cristo em diversos ensinamentos "observai", "não faça ao outro aquilo que não gostaria que fosse feito para você", "ame o outro como a si mesmo". Tantos outros mestres em diversas tradições religiosas deixaram exemplos semelhantes.
Essa atenção, esse vigiar próprio, é uma forma de olharmos melhor para nós mesmos e deixarmos que o outro também faça sua parte.
Se pararmos de causar sofrimento para nós e para os outros, isso já é, por si só, a nossa iluminação. Todos nós temos essa possibilidade, basta transformarmos nossos sofrimentos em aprendizado, de forma consciente, através da atenção plena voltada para nossa própria ação em meio ao mundo e as relações com os demais.
Só assim poderemos superar, passo-a-passo, a falta de lucidez ou a ignorância, que é o combustível para todo o sofrimento humano.
Um estudante
Morrer para Nascer
Não obstante vosso interesse por esses temas, damo-vos o seguinte conselho: não desperdiceis vosso tempo e vossa energia na busca de livros ou de escritos, dos quais esperais encontrar uma eventual libertação. O Tao não pode ser expresso por palavras nem por escritos. O Tao, a senda, o caminho, pode unicamente ser vivenciado.
Estas poucas indicações mostram, em toda a sua crueza, a penúria do conhecimento e do raciocínio, a pobreza da compreensão intelectual e a estupidez da consciência cerebral.
Nada podeis saber, possuir e compreender que tenha valor, antes que tenhais morrido para esta natureza, antes que a tão perniciosa ilusão-eu tenha se extinguido em vosso microcosmo.* Enquanto permanecerdes diante disso, continuareis profanos, ímpios e, consequentemente, imaturos, e, no final, fixar-vos-eis na razão obscurecida, e nada tereis, absolutamente nada.
J. van Rijckenborghe
e Catharose de Petri
A Gnosis Chinesa
Estas poucas indicações mostram, em toda a sua crueza, a penúria do conhecimento e do raciocínio, a pobreza da compreensão intelectual e a estupidez da consciência cerebral.
Nada podeis saber, possuir e compreender que tenha valor, antes que tenhais morrido para esta natureza, antes que a tão perniciosa ilusão-eu tenha se extinguido em vosso microcosmo.* Enquanto permanecerdes diante disso, continuareis profanos, ímpios e, consequentemente, imaturos, e, no final, fixar-vos-eis na razão obscurecida, e nada tereis, absolutamente nada.
J. van Rijckenborghe
e Catharose de Petri
A Gnosis Chinesa
Liberdade e Prisão
Tudo aquilo que contribui para fortalecer o ego
fortalece as grades da prisão
onde mente e coração vivem
confusos e perdidos
Tudo aquilo que contribuiu para enfraquecer o ego
enfraquece as grades da prisão
onde a mente e o coração vivem
confusos e perdidos
Cada ação
Cada pensamento
Cada sentimento
Podem libertar ou prender
Podem enfraquecer ou fortalecer o nosso ego
Essa é a grande e maravilhosa escolha na vida.
Obs: o ego pode ter vários nomes > "eu", "identidade", "personalidade", "consciência do corpo", "pecador"...
Um estudante
Oco como bambu
Cesse toda atividade física: sente-se naturalmente à vontade.
Não converse ou fale: Deixe o som ser vazio, como um eco.
Não pense em nada: Veja a experiência além do pensamento.
Seu corpo não tem nenhum núcleo, oco como bambu.
Sua mente vai além do pensamento, aberto como o espaço.
Solte-se do controle e descanse ali.
Mente sem projeção é mahamudra.
Treine e desenvolva isto e você surgirá em um profundo despertar.
Tilopa
Não converse ou fale: Deixe o som ser vazio, como um eco.
Não pense em nada: Veja a experiência além do pensamento.
Seu corpo não tem nenhum núcleo, oco como bambu.
Sua mente vai além do pensamento, aberto como o espaço.
Solte-se do controle e descanse ali.
Mente sem projeção é mahamudra.
Treine e desenvolva isto e você surgirá em um profundo despertar.
Tilopa
Auto-centramento: uma bolha limitadora
(...) Auto-centramento não é uma boa expressão. Auto-centramento significa bolhas estreitas de diversos tipos.
Na nossas ações no mundo nós podemos trabalhar com bolhas estreitas. Bolha estreita é o seguinte: “aquilo que acontece dentro do meu carro eu razoavelmente me interesso. O que não me interesso eu jogo para fora do carro. O que está pra frente no tempo ou pra trás no tempo também não me interessa. O que me interessa é aquilo, limitado. Então o que eu faço que produz consequências para frente no tempo ou aquilo que está para traz que pode me apoiar eu nem vejo. Eu só olho assim, como um fogo que queima, uma coisa local”.
Outras pessoas ao contrário pensam com sentido de gratidão pelo que veio antes e olham com cuidado para os que vem depois. Elas olham consigo e o que acontece com os outros ao redor agora. Isso é uma inteligência maior, no mínimo uma bolha maior, uma bolha mais cuidadosa.
Quando nós temos uma percepção mais ampla nossa vida fica melhor, quando temos uma percepção mais estreita, auto-centrada, nós vamos acabar com problemas.
Se vocês olharem, por exemplo, as plantas, elas tem um sentido muito interessante. Se vocês tentarem olhar a inteligência delas, elas são apenas benignas. Elas se expandem calmas, serenas, são capazes de estar numa grande avenida barulhenta, elas apenas se expandem, olham pro sol, se ampliam, produzem sombra, melhoram o ar, acolhem os pássaros, elas seguem fazendo a parte delas.
Se nós pensarmos que elas tem uma “mente ampla” isso seria a grande mente de um grande mestre, sereno no meio da grande confusão.
Por outro lado se pensarmos que elas tem uma mente estreita, elas estão dentro de uma bolha onde só fazem a mesma coisa não importa o que acontece. Felizmente é uma coisa benigna não é, mas em princípio, elas não tem a capacidade de socorrer alguém, gerar uma intencionalidade, entender o outro no mundo dele e atuar. Mas o seres humanos tem essa possibilidade.
Porém o ser humano também pode se transformar em seres “parados” dentro das bolhas olhando um jogo estreito. Dentro desse jogo estreito para poder mantê-lo eles vão se prender.
Lama Padma Samten
Na nossas ações no mundo nós podemos trabalhar com bolhas estreitas. Bolha estreita é o seguinte: “aquilo que acontece dentro do meu carro eu razoavelmente me interesso. O que não me interesso eu jogo para fora do carro. O que está pra frente no tempo ou pra trás no tempo também não me interessa. O que me interessa é aquilo, limitado. Então o que eu faço que produz consequências para frente no tempo ou aquilo que está para traz que pode me apoiar eu nem vejo. Eu só olho assim, como um fogo que queima, uma coisa local”.
Outras pessoas ao contrário pensam com sentido de gratidão pelo que veio antes e olham com cuidado para os que vem depois. Elas olham consigo e o que acontece com os outros ao redor agora. Isso é uma inteligência maior, no mínimo uma bolha maior, uma bolha mais cuidadosa.
Quando nós temos uma percepção mais ampla nossa vida fica melhor, quando temos uma percepção mais estreita, auto-centrada, nós vamos acabar com problemas.
Se vocês olharem, por exemplo, as plantas, elas tem um sentido muito interessante. Se vocês tentarem olhar a inteligência delas, elas são apenas benignas. Elas se expandem calmas, serenas, são capazes de estar numa grande avenida barulhenta, elas apenas se expandem, olham pro sol, se ampliam, produzem sombra, melhoram o ar, acolhem os pássaros, elas seguem fazendo a parte delas.
Se nós pensarmos que elas tem uma “mente ampla” isso seria a grande mente de um grande mestre, sereno no meio da grande confusão.
Por outro lado se pensarmos que elas tem uma mente estreita, elas estão dentro de uma bolha onde só fazem a mesma coisa não importa o que acontece. Felizmente é uma coisa benigna não é, mas em princípio, elas não tem a capacidade de socorrer alguém, gerar uma intencionalidade, entender o outro no mundo dele e atuar. Mas o seres humanos tem essa possibilidade.
Porém o ser humano também pode se transformar em seres “parados” dentro das bolhas olhando um jogo estreito. Dentro desse jogo estreito para poder mantê-lo eles vão se prender.
Lama Padma Samten
Seres Complexos. Dificuldades simples.
Imagine se esse Planeta fosse um grande ser vivo. Imaginou?
Sendo esse Planeta um grande ser vivo, imagine se nós humanos fôssemos células desse grande ser vivo. Consegue imaginar?
Agora vamos fazer uma analogia.
Nosso corpo é um ser vivo, composto por células. Cada uma dessas células tem uma certa especialização, isto é, uma MISSÃO a cumprir dentro daquele sistema em que ela se encontra.
Células do sistema de defesa precisam encontrar intrusos e combate-los. Células do sistema nervoso, levam impulsos para todas as partes do organismo e permitem que ele se mova 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. E assim por diante... Cada simples e única célula tem seu trabalho a ser feito. E muitas delas cooperam para que esses trabalhos possam ser concluídos da forma correta.
Agora imagine você como uma célula dentro desse organismo maior chamado TERRA.
E pense nos momentos em que você faz seu trabalho mal feito, ou tem dificuldades de realizá-lo por causa de uma outra pessoa (célula), ou quando você quer que seu trabalho seja mais reconhecido que os demais, ou quando você julga uma outra célula, ou quando você não quer trabalhar com uma outra célula por não terem afinidade, ou quando você acha que deve ganhar mais que uma outra célula, ou quando você cria confusões e atrapalha as demais células, e coisas semelhantes.
Agora imagine se as células do nosso corpo trabalhassem dentro de um mesmo estado de "SEs" (condições) e "PORQUES" (justificativas para fazer ou não fazer algo). O que seria de nós?
Talvez apareceria um buraco na nossa pele. Ou cairiam pelos de uma parte apenas do corpo. Ou talvez o intestino parasse por alguns dias, em uma greve das células digestivas que reivindicam melhores condições do que as células neuronais que gastam mais energia e "trabalham menos".
Ok, você pode me dizer: "mas somos seres com pensamentos, com consciência, com emoções... as células são mecanismos mais simples". Sim podemos cair nesse campo das comparações, já que estamos fazendo analogias. Mas o fato é poderíamos no concentrar em refletir sobre uma única questão:
"Somos seres muito mais complexos e com dificuldade de fazer coisas muito mais simples."
Na minha visão, se cada uma de nós iniciasse uma reflexão individual sobre seu papel em um organismos maior (Terra) e como vem cumprindo esse, bem como de nossa interdependência com todos os demais seres - com suas respectivas especializações (as células desse organismo) - teremos mais condições de criar realidades melhores para esse organismo onde vivemos.
Cooperar, ajudar, tentar sempre fazer o melhor naquilo que é nosso trabalho, trabalhar em si próprio na eliminação dos medos e dificuldades auxiliando os demais (através de nossas próprias experiências ao invés de teorias inócuas), seriam preocupações mais alinhadas com essa visão de que todos fazemos parte de um grande TODO.
A qualidade do funcionamento desse grande todo, depende da qualidade do funcionamento e interação de cada simples parte: eu, você, sua família, seu vizinho, o cobrador de ônibus, o presidente de empresa, o juiz, o mendigo, etc.
Um Estudante
A Motivação através dos Quatro Pensamentos que Transformam a Mente
Objetivo: Brotar em cada um a vontade de avançar no caminho.
Quando a nossa vontade flutua, quando nos arrastamos para paisagens flutuantes, precisamos retomar o foco e motivação.
Aquilo que está mais na base são os quatro pensamentos que transformam a mente. A gente escuta “bom fazer o que é real isso, não tem escapatória”:
1. Tenho uma vida humana preciosa
2. Os Ensinamentos existem
3. A impermanência (mudança constante) das coisas existe
4. Eu tenho estruturas cármicas vivas, tenho estruturas cármicas latentes ou carmas primários, quando isso aflora inevitavelmente faço coisas equivocadas que eu me dou conta depois; isso produz sofrimento para mim e para os outros; estou preso nessa experiência cíclica, eu tento fazer coisas melhores, faço e depois afundo para coisas piores e vou oscilando.
Logo é necessário aproveitar o tempo.
Então de novo e de novo voltamos pra esse ponto.
Esse é um raciocínio auto-centrado (os 4 pensamentos que transformam a mente): “eu aquilo, eu isso, eu tenho essa vantagem vou aproveitar isso ou aquilo”
Por que esse pensamento auto-centrado é útil? Porque quando nós estamos em crise estamos auto-centrados. Então temos que falar dentro de uma linguagem auto-centrada. Mas se vocês observarem esse pensamento auto-centrado logo em seguida ele se amplia. Quando entendemos isso logo fazemos o voto de beneficiar os seres.
Então a motivação inclui isso, essa retomada e quando entendemos o que significa o “andar” nós nos interessamos de uma forma mais ampla pelos seres. A compaixão é muito importante pelo que nós podemos fazer pelos outros seres, mas especialmente, a compaixão é importante por que nós abrimos nosso horizonte. Nós estamos auto-centrados e fechados e isso já faz parte de uma estrutura de ignorância que nos conduz aos infernos, ao sofrimento direto. Então nós precisamos abrir isso um pouco.
A primeira forma de abrir é ser capaz de ver os outros seres, especialmente aqueles mais queridos que nós temos mais contato.
Se o nosso olho alcança os OUTROS o que acontece? Nós saímos do peso do auto-centramento. Auto-centramento é um peso. Muitas pessoas pensam que é uma grande inteligência ficar auto-centrado, mas é o caminho do inferno. Ali dentro não se vai a lugar nenhum.
Naturalmente nossa mente é ampla. Ela pode se prender à paisagens e bolhas estreitas. O auto-centramento é uma bolha. Nós somos capturados por uma paisagem limitada. Ela dá problemas. Dá problemas em várias direções.
Uma percepção mais ampla, torna nossa vida melhor. Uma percepção mais estreita, nos limita e traz sofrimentos.
Estar em uma bolha estreita nos leva a fazer sempre as mesmas coisas, limitados, estreitos pela limitação que nós próprios criamos.
A motivação é muito importante pois ela nos faz ter vontade de ampliar essa visão.
Padma Samten
Fragmento de uma conversa sobre Medo e Trabalho
Alejandra Caballero
(...) Quando você tira o mimimi, a birrinha, ou seja, o controle do emocional sobre a situação você dá à mente (intelecto) o controle sobre a situação e a vê de forma mais clara e racional.
Colocado isso para um terceiro fica mais fácil de ele compreender. Com carga emocional (sua) ele possivelmente não entenderia pois ele não tem essa carga com ele.
O não envolver-se é na questão de resultado das ações e principalmente no aspecto emocional. Mas nas ações em si, cabe sim a você desenvolver seu papel. Você deve envolver-se mentalmente nessas situações e a partir daí influenciar esses eventos de forma a elevá-los. Se pensar somente sob um prisma egoísta e limitado, os problemas irão se avolumar e o aprendizado ficará estagnado em um mesmo ponto. Se ampliar seus propósitos, se for mais inclusiva, sua consciência abre um pouco mais e você consegue entender melhor certos aspectos.
O difícil e o fácil são situações vividas pelo nível em que sua consciência está. Quando lhe falta EXPERIÊNCIA e VISÃO, certamente você classificará aquilo como difícil. Quando ainda lhe falta EXPERIÊNCIA mas já há um pouco mais de VISÃO, você entende que pode tirar aquilo de letra.
Pense e coloque essas situações sob a LUZ.
O que é Paz
Paz é algo que muitos de nós buscamos e ansiamos em nossas vidas, mas o que é afinal a Paz?
A paz hora é definida como um estado de não violência, de não guerra, hora é confundida com a satisfação dos desejos humanos que culminam em alegria, ainda que esta seja quase sempre passageira.
Paz, todavia, é algo que está além dos desejos e das aversões humanas. A verdadeira Paz nasce quando superamos aquilo que chamamos sinteticamente de medo. Sinteticamente, pois medo pode significar muitas coisas.
O estado de Paz é alcançado sempre que nossas ações não são conduzidas pelo medo. Assim, por exemplo, se eu não tenho medo de perder algo, eu não me agarro à isso, não crio formas de protegê-lo, não usarei da violência para sua preservação, nem desejarei que outros usem.
Uma situação extrema do cotidiano humano pode ser utilizada como exemplo: o assalto. Muita da Paz que ansiamos reside no medo de perdermos aquilo que temos de forma violenta. O que seria o assalto senão o meio pelo qual isso ocorre? O assalto por tanto é aquilo que tira a Paz do cidadão, por infringir-lhe: (a) uma perda (b) de forma muitas vezes violenta. O medo de um assalto portanto, nos retira a Paz. Portanto a Paz se perde, antes mesmo de qualquer ação concreta. Podemos passar anos andando pelas ruas sem sermos assaltados, mas se o medo estiver conosco, não teremos Paz. Assim como poderemos tomar precauções baseadas nesses medo ou incentivar ações violentas para que o medo que sentimos seja amenizado.
Esse é um exemplo. Outros tantos poderiam ser colocados. A Paz é uma quimera na sociedade atual, pois o medo é uma grande e presente realidade nos corações e mentes de todos.
O medo produz comportamentos individuais e coletivos que só fortalecem a sensação de medo e enfraquecem a verdadeira noção de Paz.
A Paz começa dentro de cada um de nós, assim como o medo. Reflita sobre as ações que comete por medo e reflita como poderia transformá-las em ações sem medo e portanto de Paz. Pratique.
Um Estudante
O que é o Amor Verdadeiro
A resposta de muitas pessoas seria Amor, porém não é essa a realidade que experimentamos no dia a dia.
A maior parte de nós passa o dia todo oscilando em pensamentos de desaprovação daquilo que vemos no mundo ou no comportamento de outras pessoas. A raiva parece ser uma palavra pesada, mas é exatamente o que sentimos em cada um desses momentos onde não concordamos com a realidade que nos é posta.
Poderíamos entender a raiva como o sentimento de repulsa, aquilo que nos faz repudiar e negar diversas experiências as quais nos deparamos. Vivemos entendendo que o contrário da repulsa, o desejo, seria a solução para estados mais felizes e amorosos. Mas o desejo também é uma forma de aprisionamento.
O desejo e o gostar de algo é confundindo com o Amor, mas no sentido Espiritual, desejos nunca nos trarão a verdadeira experiência do Amor.
Em nome dos desejos e das repulsas criamos estados mentais e sentimentais de discórdia. Perturbarmos a paz alheia e colocamos em cheque a nossa própria paz.
Criamos guerras e conflitos em nome daquilo que dizemos amar (países, religiões, pessoas, propriedade, idéias, auto-imagem), que na verdade são desejos de auto-satisfação baseado em coisas pequenas: um cargo melhor, uma propriedade melhor, reconhecimento social, um filho que faça aquilo que queremos que ele faça, um vizinho que se comporte como queremos que ele se comporte, etc.
Não há Amor na guerra, assim como não haverá amor em nome do desejo ou da repulsa.
O Amor Verdadeiro é o sentimento a ser aprendido nessa experiência na Terra.
Começamos a tomar contato com o Amor Verdadeiro quando praticamos a inofensividade que nos conduz a PAZ e ao NÃO-CONFLITO.
Começamos a tomar contato com o Amor Verdadeiro quando praticamos o auto-esquecimento, isto é, fazemos as coisas sem colocar nosso pequeno ego na frente de tudo. Isso nos conduz para o ALTRUÍSMO e o TRABALHO DESINTERESSADO.
Começamos a tomar contato com o Amor Verdadeiro quando temos atenção e tomamos cuidado com cada uma de nossas PALAVRAS e AÇÕES, compreendendo que elas são a materialização de nossos propósitos e vontades. Se essas vontades são elevadas, palavras e ações corretas serão uma tônica, nos conduzindo para a UNIÃO com todos. Unidos não haverá separatividade e portanto guerras, conflitos, egoísmo, etc.
Não haverá Amor sem a prática sincera da inofensividade, do desinteresse pessoal e da palavra e ação corretas.
Sem isso o Amor é uma quimera, um apego, um auto-engano, um mero desejo de posse, o subjugo de outras pessoas e Almas a suas próprias vontades egoístas para auto-afirmação e tantas outras coisas que damos o nome incorreto de Amor.
Pratique as ações que levam ao Amor Verdadeiro e então experimente-o! Até lá, observe e compreenda que, até agora, você possivelmente confundiu o Amor com outros sentimentos.
S.N.
Implacabilidade
ALUNO: Você falou muito sobre impiedosidade e destemor? Com relação a que somos implacáveis? Você apenas implacavelmente assume uma atitude psicológica particular?
TRUNGPA RINPOCHE: O ponto de ser implacável é que quando você é implacável, ninguém pode persuadi-lo. Ninguém é capaz de seduzi-lo numa direção pouco saudável. É implacável nesse sentido, e não no sentido convencional da agressão ilógica - tal como é o caso de Mussolini ou Hitler ou alguém desse tipo. Você não pode ser persuadido ou seduzido; você não aceitaria isto. Mesmo as tentativas de seduzi-lo produzem uma energia que é destrutiva na direção daquela sedução. Se você está completamente aberto e completamente excitado em termos de louca sabedoria, ninguém pode atraí-lo para seu território.
A: Então você mantém esta implacabilidade.
TR: Você não se mantém implacável. Sua implacabilidade é mantida pelos outros. Você não mantém coisa alguma. Você apenas está ali, e o que quer que surja, você apenas re-projeta. Tome o fogo por exemplo. Ele não possui seu poder de destruição. Aquilo apenas acontece. Quando você coloca algo no fogo ou tenta apagá-lo, seu poder ofensivo simplesmente surge. É a natureza orgânica ou química do fogo.
A: Quando estas coisas vêm até você, então você tem que ser implacável de forma a repeli-las, certo? Então parece que um julgamento tem que ser feito quanto a certo e errado, de forma que isso que surje a você seja percebido como positivo ou negativo, de forma a ser compassivo ou implacável.
TR: Não vejo assim. Este é o ponto principal do tipo transcendental de implacabilidade. Não necessita julgamento. A situação gera a ação. Você simplesmente reage, porque os elementos contêm agressão. Se lidarmos ou interferimos com os elementos de uma forma irreverente ou sem habilidade, eles rebatem.
A implacabilidade parece sobreviver num sentido de relatividade, "disto" versus "aquilo", mas de fato não é assim. É absoluta. Os outros apresentam uma noção relativa, e você corta. Este estado de ser não é num nível relativo de forma alguma. Em outras palavras, este absoluto corta através de todas as noções relativas que surgem, mas ainda assim permanece auto-contido.
Chögyam Trungpa Rinpoche
Crazy Wisdom
Traduzido por Eduardo Padma Dorje em 03/09/2001
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1024
TRUNGPA RINPOCHE: O ponto de ser implacável é que quando você é implacável, ninguém pode persuadi-lo. Ninguém é capaz de seduzi-lo numa direção pouco saudável. É implacável nesse sentido, e não no sentido convencional da agressão ilógica - tal como é o caso de Mussolini ou Hitler ou alguém desse tipo. Você não pode ser persuadido ou seduzido; você não aceitaria isto. Mesmo as tentativas de seduzi-lo produzem uma energia que é destrutiva na direção daquela sedução. Se você está completamente aberto e completamente excitado em termos de louca sabedoria, ninguém pode atraí-lo para seu território.
A: Então você mantém esta implacabilidade.
TR: Você não se mantém implacável. Sua implacabilidade é mantida pelos outros. Você não mantém coisa alguma. Você apenas está ali, e o que quer que surja, você apenas re-projeta. Tome o fogo por exemplo. Ele não possui seu poder de destruição. Aquilo apenas acontece. Quando você coloca algo no fogo ou tenta apagá-lo, seu poder ofensivo simplesmente surge. É a natureza orgânica ou química do fogo.
A: Quando estas coisas vêm até você, então você tem que ser implacável de forma a repeli-las, certo? Então parece que um julgamento tem que ser feito quanto a certo e errado, de forma que isso que surje a você seja percebido como positivo ou negativo, de forma a ser compassivo ou implacável.
TR: Não vejo assim. Este é o ponto principal do tipo transcendental de implacabilidade. Não necessita julgamento. A situação gera a ação. Você simplesmente reage, porque os elementos contêm agressão. Se lidarmos ou interferimos com os elementos de uma forma irreverente ou sem habilidade, eles rebatem.
A implacabilidade parece sobreviver num sentido de relatividade, "disto" versus "aquilo", mas de fato não é assim. É absoluta. Os outros apresentam uma noção relativa, e você corta. Este estado de ser não é num nível relativo de forma alguma. Em outras palavras, este absoluto corta através de todas as noções relativas que surgem, mas ainda assim permanece auto-contido.
Chögyam Trungpa Rinpoche
Crazy Wisdom
Traduzido por Eduardo Padma Dorje em 03/09/2001
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