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Um absoluto não saber


Myoe Win Aung

Nesse não-compreender absoluto, 
você compreende. 
Nessa imbecilidade absoluta, nessa escuridão absoluta,
nessa absoluta falta de luz, de um saber ou não-saber, 
você sabe. 
E como vê nessa fração de segundo, 
apesar de um saber ou não-saber, 
você é.

(...)

Assim, ao absolutamente não se encontrar,
você descansa.
Mas isso não é como um terreno onde pousar;
 isso é um absoluto não saber.
Isso é a liberdade total do não saber,
não de alguma definição.

Karl Renz

“O próximo gole de café” –ou: “Impiedosa graça” 
Oito Dias em Tiruvannamalai: Conversas com Karl

Conversas Ouspensky e Gurdjieff - homens são máquinas

(...) Certo dia em Moscou falava com Gurdjieff (G) sobre Londres, onde estivera por pouco tempo, alguns meses atrás. Dizia-lhe da terrível mecanização que invadia as grandes cidades européias. (...)

O: As pessoas estão se transformando em máquinas e não duvido que um dia se convertam em máquinas perfeitas. Mas será que ainda são capazes de pensar? Não creio. Se tentassem pensar, não seriam tão belas máquinas.

G: Sim é verdade, mas só em parte. A verdadeira questão é essa: de QUE PENSAR se servem em seu trabalho? Se se servem do pensar conveniente, poderão até pensar melhor dentro de sua vida ativa e no meio das máquinas. Mas uma vez mais sob a co dição de se servirem do PENSAMENTO CONVENIENTE.

Em segundo lugar a mecanização de que fala não é em absoluto perigosa. Um homem pode ser um HOMEM, mesmo trabalhando com máquinas. Há outra mecanização mais perigosa: É SER ELE MESMO UMA MÁQUINA. Você já pensou no fato de que todos os homens são eles mesmos máquinas?

O: sim, de um ponto de vista científico todos os homens são máquinas governadas pelas influências exteriores.

G: Científico ou não é a mesma coisa para mim. Peço-lhe que compreenda o que digo. Olhe, todas essas pessoas que vê são máquinas.

O: Creio compreender o que quer dizer e muitas vezes tenho pensado em como são pouco numerosos, no mundo, os que podem resistir a essa forma de mecanização e escolher seu próprio caminho.

G: Ai justamente está SEU ERRO MAIS GRAVE. Pensa que alguma coisa possa escolher seu próprio caminho ou resistir à mecanização; pensa que tudo não é igualmente mecânico.

O: Mas é claro! - exclamei. A arte, a poesia, o pensamento são fenômenos de ordem totalmente diferente.

G: São exatamente da mesma ordem. Estas atividades são tão mecânicas quanto as outras. Os homens são máquinas e de máquinas não poderia se esperar outra coisa que a não ser ações maquinais.


O: As pessoas se parecem muito pouco. Acho impossível colocá-las dentro do mesmo saco. Há selvagens, há intelectuais, há pessoas mecanizadas, há gênios...

G: Exato as pessoas são diferentes, mas A DIFERENÇA REAL entre as pessoas você nem conhece e nem pode ver. Fala de diferenças que simplesmente não existem. Isso deve ser compreendido. Todas as pessoas que você conhece são máquinas trabalhando sob as forças exteriores como você disse. O que vem fazer aqui os selvagens e os intelectuais? Agora mesmo enquanto falamos várias máquinas se esforçam para aniquilarem umas outras (*1a Guerra Mundial). Em que então elas diferem? Onde estão os selvagens e onde estão os intelectuais? São todos a mesma coisa...


O: Que pensa da psicologia moderna?

G: Antes de falar dessa ciência devemos entender do que ela se trata e de que não trata. O objeto próprio dessa ciência são os seres humanos. De que psicologia se trata quando cuidamos apenas de máquinas? É da mecânica e não da psicologia que necessitamos para o estudo das máquinas. Por isso é que começamos pelo estudo da mecânica. Ainda falta um longo caminho para chegarmos à psicologia.


O: Pode um homem deixar de ser máquina?

G: Ah! Aí está toda a questão. Sim, é possível deixar de ser máquina, mas para isso é necessário antes de tudo conhecer a máquina. Uma máquina, uma máquina real , não se conhece a si mesma e não pode conhecer-se. Quando uma máquina se conhece, desde esse instante deixou de ser máquina; pelo menos não é mais a mesma máquina de antes. Já começa a ser responsável por suas ações.


O: Isso significa que um homem não é responsável por suas ações?

G: Um homem é responsável. Uma máquina não é responsável.

(...)

P.D. OUSPENSKY
Fragmentos de um ensinamento desconhecido

Compreender...


Certamente, um homem que compreende a vida, não necessita de crenças. Um homem que ama não tem crenças; ama. O que tem crenças é o homem consumido pelo intelecto, porque o intelecto está sempre buscando segurança, proteção, sempre está evitando o perigo e, por isso, engendram ideias, crenças, ideais, atrás dos quais possa se proteger. 

O que acontecerá se você abandonar a violência diretamente agora? Seria um perigo para a sociedade; e devido a mente antecipar o perigo, diz: "Alcançarei o ideal de não violência dentro de dez anos", o qual é um processo fictício, falso...

Compreender o que é, é muito mais importante do que criar e seguir ideais, dado que os ideais são falsos e o que é, é o real. 

Para compreender o que é se requer uma enorme capacidade, uma mente rápida e livre de preconceitos. Devido ao fato de que não queremos afrontar e compreender o que é, inventamos as numerosas vias de fugas e lhe damos formosos nomes, tais como ideal, crença, Deus. 

Certamente, só quando vejo o falso como falso, minha mente é capaz de perceber o verdadeiro. Uma mente confundida pelo falso jamais pode encontrar a verdade. Portanto, devo compreender o que é falso em minhas relações, em minhas ideias, nas coisas que estão ao meu redor, porque perceber a verdade exige que se compreenda o falso. 

Sem eliminar as causas da ignorância, não pode haver iluminação; buscar a iluminação quando a mente se debate com a ignorância é absolutamente vão e sem sentido. Por conseguinte, devo começar a ver o falso em minhas relações com as ideias, com as pessoas, com as coisas. Quando a mente vê o que é falso, se manifesta o verdadeiro; então, há êxtase, há felicidade. 

Krishnamurti - O Livro da Vida
http://nossaluzinterior.blogspot.com/2012/02/compreender-o-que-e_07.html

Compreender o outro...

Não se preocupe com os outros
que não o compreendem.

Preocupe-se com o fato de você
não compreender os outros.


Confúcio em Lun Yu, verso 16
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