(...) Certo dia em Moscou falava com Gurdjieff (G) sobre Londres, onde estivera por pouco tempo, alguns meses atrás. Dizia-lhe da terrível mecanização que invadia as grandes cidades européias. (...)
O: As pessoas estão se transformando em máquinas e não duvido que um dia se convertam em máquinas perfeitas. Mas será que ainda são capazes de pensar? Não creio. Se tentassem pensar, não seriam tão belas máquinas.
G: Sim é verdade, mas só em parte. A verdadeira questão é essa: de QUE PENSAR se servem em seu trabalho? Se se servem do pensar conveniente, poderão até pensar melhor dentro de sua vida ativa e no meio das máquinas. Mas uma vez mais sob a co dição de se servirem do PENSAMENTO CONVENIENTE.
Em segundo lugar a mecanização de que fala não é em absoluto perigosa. Um homem pode ser um HOMEM, mesmo trabalhando com máquinas. Há outra mecanização mais perigosa: É SER ELE MESMO UMA MÁQUINA. Você já pensou no fato de que todos os homens são eles mesmos máquinas?
O: sim, de um ponto de vista científico todos os homens são máquinas governadas pelas influências exteriores.
G: Científico ou não é a mesma coisa para mim. Peço-lhe que compreenda o que digo. Olhe, todas essas pessoas que vê são máquinas.
O: Creio compreender o que quer dizer e muitas vezes tenho pensado em como são pouco numerosos, no mundo, os que podem resistir a essa forma de mecanização e escolher seu próprio caminho.
G: Ai justamente está SEU ERRO MAIS GRAVE. Pensa que alguma coisa possa escolher seu próprio caminho ou resistir à mecanização; pensa que tudo não é igualmente mecânico.
O: Mas é claro! - exclamei. A arte, a poesia, o pensamento são fenômenos de ordem totalmente diferente.
G: São exatamente da mesma ordem. Estas atividades são tão mecânicas quanto as outras. Os homens são máquinas e de máquinas não poderia se esperar outra coisa que a não ser ações maquinais.
O: As pessoas se parecem muito pouco. Acho impossível colocá-las dentro do mesmo saco. Há selvagens, há intelectuais, há pessoas mecanizadas, há gênios...
G: Exato as pessoas são diferentes, mas A DIFERENÇA REAL entre as pessoas você nem conhece e nem pode ver. Fala de diferenças que simplesmente não existem. Isso deve ser compreendido. Todas as pessoas que você conhece são máquinas trabalhando sob as forças exteriores como você disse. O que vem fazer aqui os selvagens e os intelectuais? Agora mesmo enquanto falamos várias máquinas se esforçam para aniquilarem umas outras (*1a Guerra Mundial). Em que então elas diferem? Onde estão os selvagens e onde estão os intelectuais? São todos a mesma coisa...
O: Que pensa da psicologia moderna?
G: Antes de falar dessa ciência devemos entender do que ela se trata e de que não trata. O objeto próprio dessa ciência são os seres humanos. De que psicologia se trata quando cuidamos apenas de máquinas? É da mecânica e não da psicologia que necessitamos para o estudo das máquinas. Por isso é que começamos pelo estudo da mecânica. Ainda falta um longo caminho para chegarmos à psicologia.
O: Pode um homem deixar de ser máquina?
G: Ah! Aí está toda a questão. Sim, é possível deixar de ser máquina, mas para isso é necessário antes de tudo conhecer a máquina. Uma máquina, uma máquina real , não se conhece a si mesma e não pode conhecer-se. Quando uma máquina se conhece, desde esse instante deixou de ser máquina; pelo menos não é mais a mesma máquina de antes. Já começa a ser responsável por suas ações.
O: Isso significa que um homem não é responsável por suas ações?
G: Um homem é responsável. Uma máquina não é responsável.
(...)
P.D. OUSPENSKY
Fragmentos de um ensinamento desconhecido
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Se o que você deseja é ser estimulado, psicologicamente, você é dependente
Para se ter energia física, você deve naturalmente tomar alimentos adequados, ter a justa proporção de repouso, etc. Mas, há também a energia psicológica, a qual se dissipa de várias maneiras. Para ter essa energia psicológica, a mente busca por estímulos.
Frequentar a igreja, assistir partidas de futebol, entregar-se à literatura, ouvir música, assistir reuniões do mesmo gênero desta aqui — todas essas coisas lhe estimulam; e se o que você deseja é ser estimulado, isso significa que, psicologicamente, você é dependente.
A busca de estímulo, em qualquer forma que seja, implica dependência de alguma coisa — de uma bebida, uma droga, um orador, ou de entrar numa igreja; e, certamente, a dependência de estímulo não apenas embota a mente, mas também ocasiona dissipação de energia. Assim, para conservarmos nossa energia, deve desaparecer toda espécie de dependência ou estímulo; e, para ocorrer o desaparecimento da dependência, precisamos nos tornar conscientes dela.
Se, para ter estímulo, uma pessoa depende de sua mulher ou de seu marido, de um livro, de seu cargo no escritório, de ir aos cinemas — qualquer que seja o gênero de estímulo — deve, em primeiro lugar, estar consciente disso. O aceitar simplesmente os estímulos e com eles viver, dissipa a energia e deteriora a mente. Mas, se a pessoa se torna consciente dos estímulos e descobre o significado que tem em sua vida, dessa maneira poderá ficar livre deles.
Pelo autopercebimento — que não é autocondenação, etc., porém, estar simplesmente consciente, sem escolha, de si próprio pode um homem conhecer todas as formas de influência, todas as formas de dependência, todas as formas de estímulo; e esse próprio movimento da ação de aprender lhe dá a energia necessária para se libertar de todas as dependências e de todos os estímulos.
Krishnamurti
http://nossaluzinterior.blogspot.com/2012/01/voce-e-psicologicamente-dependente.html
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