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No amor não há perda de energia


Interlocutor: É possível para um homem e uma mulher viver juntos, ter sexo e filhos, sem toda agitação, a amargura e o conflito inerentes a essa relação? É possível que haja liberdade de ambas as partes? Por liberdade não quero dizer que o marido ou a esposa devam ter constantemente aventuras amorosas com alguma outra pessoa. Em geral, as pessoas se unem e se casam porque se enamoram, e nisso há opção, prazer, afã possessivo e um instinto tremendo. A natureza mesma desse namoro está cheia, desde o início, com as sementes do conflito. 

Krishnamurti: É assim? Necessita ser desse modo? Coloco muita dúvida nisso. Você não pode se enamorar sem ter uma relação possessiva? Amo a uma mulher, ela me ama e nos casamos; tudo isso é perfeitamente claro e sensato, não contém conflito algum. (Quando digo que nos casamos poderia dizer igualmente que decidimos viver juntos; não fiquemos presos nas palavras). Por acaso não é possível ter o um sem o outro, sem necessariamente ficar colado, por assim dizer? Não podem duas pessoas estar enamoradas e ser ambas tão inteligentes e sensíveis como para que haja liberdade e ausência de um centro gerador de conflito? No sentimento de estar enamorado não há conflito. Esse sentimento carece por completo de conflito. E no amor não há perda de energia. A perda de energia está em tudo que segue: ciúmes, afã possessivo, suspeitas, dúvidas, medo de perder esse amor, a constante exigência de garantia e segurança. Por certo, deve ser possível funcionar numa relação sexual com alguém a quem você ama, sem o peso que acompanha geralmente essas relações. Desde já digo que é possível. 

Krishnamurti - Encontro com a vida
http://nossaluzinterior.blogspot.com/2011/11/no-amor-nao-ha-perda-de-energia.html

Esvazia-te


O indivíduo não pode receber dádivas dos céus enquanto suas mãos estiverem ocupadas em reter coisas materiais. Esvazia-te, esvazia-te para que encontres as verdadeiras riquezas.

A eternidade é conhecida por aquele que não planeja, não alimenta recordações nem se preocupa com o amanhã. Para muitos é difícil reconhecer a necessidade de desligar-se de laços, de afetos e das coisas que os enlevam. Porém, como pode o Ilimitado ser contido num ser que não se entrega ao infinito?

A energia cósmica é a energia pura, renovadora, origem das emanações que vitalizam a Criação. O seu fluxo através de um ser depende de quanto ele poderá deixar que essa energia o permeie sem desviá-la segundo as próprias tendências. Mesmo que se aspire a não interferir nesse fluxo, é inevitável fazê-lo quando existem vínculos em níveis humanos. Por isso, a potência energética acessível a um homem comum, atado à matéria, é consideravelmente menor do que a disponível a um ser desapegado, evoluído espiritualmente.

O contato com a energia divina não pode ser transmitido e tampouco ensinado. Cada contato é único, pois a perfeição jamais se repete. Pode-se falar a respeito dessa energia, pode-se lançar luz no caminho para alcançá-la, mas cada indivíduo tem de percorrer por si mesmo suas trilhas, aprender a não se impressionar com as pedras pontiagudas espalhadas por elas e a comungar da inefável beleza de suas alamedas.

Extraído do livro “O Visitante (O caminho para Anu Tea)” - Trigueirinho
Editora Pensamento 
Págs. 67 a 68

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