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Espiritualidade é uma forma


(...) em outras palavras, espiritualidade não é realmente o caminho,
mas espiritualidade é uma forma de condicionar nosso caminho, nossa energia.


Chögyam Trungpa Rinpoche
Crazy Wisdom
Traduzido por Eduardo Padma Dorje em 03/09/2001
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1024

Intenção


Segurar a flecha é estar em contacto com a sua intenção.

É preciso olhar todo seu comprimento, ver se as plumas que guiam seu vôo estão bem colocadas, verificar a ponta, ter certeza de que ela está afiada. Certificar-se que está reta, não foi curvada ou danificada por um tiro anterior.

A flecha, como sua simplicidade e leveza, pode parecer frágil – mas a força do arqueiro faz com que ela consiga carregar para longe a energia de seu corpo e de sua mente. Conta a lenda que uma simples flecha já foi capaz de afundar um navio, porque o homem que a atirou sabia onde estava a parte mais fraca da madeira, e assim abriu um buraco que fez com que a água penetrasse sem ruído no porão, destruindo a ameaça dos invasores de sua aldeia.

A flecha é a intenção que deixa a mão do arqueiro, e parte em direção ao alvo – portanto, ela é livre em seu vôo, e irá seguir o caminho que lhe foi destinado no momento do tiro.

Será tocada pelo vento e pela gravidade, mas isso é parte do seu percurso: uma folha não deixa de ser folha só porque uma tempestade a arrancou da árvore.

Assim é a intenção do homem: perfeita, reta, afiada, firme, precisa. Ninguém consegue detê-la enquanto cruza o espaço que a separa do seu destino.


Paulo Coelho
O Caminho do Arco

Seja flexível para atingir a meta


(...) Junte-se aos que são flexíveis como a madeira do seu arco, e entendem os sinais do caminho. São pessoas que não hesitam em mudar de curso quando descobrem uma barreira intransponível, ou quando vislumbram uma oportunidade melhor.

Essas é a qualidade da água: contornar rochas, adaptar-se ao curso do rio, as vezes transformar-se em lago até que a depressão esteja cheia e possa continuar seu caminho, porque a água não esquece que seu destino é o mar, e mais cedo ou mais tarde deverá chegar até ele. (...)

Paulo Coelho
O Caminho do Arco

Sozinho



Por sobre a terra se estendem 
ruas e caminhos mil, 
mas levam todos aos mesmo fim. 

De dois em dois, três em três, 
indo a pé ou a cavalo, 
o último passo - sozinho 
há de dá-lo. 

Não há, portanto, saber 
nem poder algum melhor 
do que o difícil a gente
fazer só. 

Hermann Hesse


Tao Te Ching - Aforismo 1 - O Tao

O caminho que pode ser seguido
Não é o Caminho Perfeito.
O nome que pode ser dito
não é o Nome eterno.
No principio está o que não tem nome.
O que tem nome é a Mãe de todas as coisas.

Lao Tsé

Passos do Caminho

CONHECER-SE
O primeiro ponto a cumprir é conhecer-te. Não é sem causa que os antigos tinham feito deste conhecimento o primeiro estágio da sua iniciação.

Sabes quais são as tuas qualidades e os teus defeitos. Deves desenvolver umas e eliminar outros. Purificar-se é a primeira parte de todas as iniciações tal como se tem praticado em todos os templos e em todos os agrupamentos de filósofos.

CONDUTA DO CORPO FÍSICO
Em primeiro lugar deves depurar teu corpo, dar-lhe por uma higiene racional, forças e um poder talvez perdidos pela doença e por insuficiência de alimentação, pela falta de ar e de exercícios igualmente prejudiciais. Tu deves adotar uma regra na tua vida mais sã, baseada sobre os princípios que dirigem toda a tua conduta. Teu corpo deve obedecer a teu espírito, e se não está em estado de seguir
o movimento de teu pensamento de que lhe servirá este pobre servidor?

Se seguires as regras que te aconselhei, adaptarás a tua economia material, todos estes órgãos
que te são submetidos, ao ritmos que são o eco dos ritmos superiores. Já, por esta cultura, aderirás ao plano divino.

LIGAÇÃO COM O ESPÍRITO
Tomando este cuidado, precisarás fazer a educação de teu espírito. Esforçar-te-ás para ter deste espírito uma direção mais segura, uma vontade calma e operadora. Deves desenvolver em ti as faculdades e não partir desta idéia de que não poderás adquiri-las. 

DISCERNIMENTO / MENTE
Desenvolve também o teu discernimento, porque, sem ele, a vontade é uma barca sem piloto entre os escolhos da vida. Assim, obterás o império sobre ti mesmo, que te fará senhor do teu inconsciente. Não sofrerás mais o seu impulso, porém, não cedendo senão ao teu espírito, serás tu mesmo em verdade. 

SILÊNCIO      

Cultiva também o silêncio em que te serão revelados os poderes ocultos. Obtém a calma para os teus sentimentos, a fim de que desenvolvam harmoniosamente. Cala-te e reflete na manifestação das opiniões adversas. 


PALAVRA CORRETA / INOFENSIVIDADE
Enfim, será a tua força dizer a palavra conciliadora que religa toda as opiniões. Tu não podes, por ti mesmo, possuir toda a verdade. Por que impões o teu pensamento aos outros? Sê calmo e o teu exemplo pregará melhor ainda do que as palavras. É o primeiro passo a fazeres para a obtenção dos altos poderes, a conquista das forças em ti e ao redor de ti.

CORAÇÃO / SENTIMENTOS
(...) em seguida, farás a educação de teu coração. É um cuidado que muitos negligenciam; eles têm sofrido pelo sentimento, crêem não poderem fazer nada de melhor do que negar o coração.

Mas, estes males provêm de uma impulsividade muitas vezes atendida. Deverás primeiramente refrear está impulsividade, estas perturbações.


AUTO ESQUECIMENTO
Atraído pelas qualidades exteriores, estás talvez muito triste por amar pessoas que não respondem ao teu ideal elevado; pedes-lhes sentimentos que florescem em teu próprio coração e, como elas são diferentes de ti, a ternura delas é desviada ou se manifesta de outro modo não desejado por ti, sofrerás profundamente.

Seu papel é nos tornar clarividentes ao encontro do que mais nos seduz, nos ensinar a paciência para atingir o desabrochar dos sentimentos dos outros. 

Muitas vezes a falta está em julgar os outros de acordo consigo mesmo. É uma  escolha a evitar. As dores passadas têm isso de bom: elas te servirão de guia para os acontecimentos futuros. 

Refrear, porém, o coração não é suprimi-lo; pelo contrário, quando o caminho parecer seguro, tu poderás, em belo surto, procurar a ternura e a glória de uma afeição partilhada. E, quanto esta alegria, apurada pela pesquisa de um ideal comum, será mais alta e mais pura! 

Isto não será uma vitória ou um prazer passageiro como o objeto de tua pesquisa, mas uma comunhão de idéias que te conduzirá a querer o bem do ser amado antes do teu próprio.

O teu coração alargar-se-á, e, à margem das ternuras costumeiras, aprenderás a amar a Natureza, a obter de seu seio amigo as lições da calma, de expansão de uma vida nova, de bondade, de doçura, de fraternidade universal. Gozarás a expansão de uma vida nova, a alegria superior de compreender o que começaste a amar cegamente.

Durville
A Ciência Oculta

Experientar: o caminho da realização

Que direito tem um homem de dizer que possui uma alma, se não a sentiu? Ou que há um Deus, se não o viu? Se há um Deus, devemos vê-lo ; se há uma alma, devemos percebê-la; do contrário, melhor não crer. É preferível ser um ateu confesso que um hipócrita.

(...) Se os homens acreditam num Deus, podem tornar-se bons, morais e perfeitos cidadãos. Não podemos culpá-los de alimentarem essas idéias, pois tod o ensinamento que recebem é simplesmente o de que acreditar num eterno palavreado sem conteúdo substancial.

(...) O homem deseja a verdade, que experimentá-la por si mesmo. Quando ele a possuir, realizá-la, sentí-la no profundo de seu coração, só então (...) as dúvidas serão dissipadas, desparecerá a escuridão e toda sinuosidade endireitar-se-á.

Swami Vivekananda
Raja Yoga

Aproveitando as experiências

Aproveite os maus momentos 
para descobrir o que o faz tremer. 

Aproveite os bons momentos 
para encontrar seu caminho até a paz interior.

Mas não pare por temor nem por alegria
o caminho do arco é um caminho sem fim.



Paulo Coelho
O Caminho do Arco

Domínio da Mente



- Tetsuya.

O rapaz olhou espantado o estrangeiro.

- Ninguém nesta cidade viu Tetsuya segurando um arco – respondeu. – Todos sabemos que ele trabalha em carpintaria.

- Pode ser que tenha desistido, que tenha se acovardado, isso não me interessa – insistiu o estrangeiro. – Mas não pode ser considerado o melhor arqueiro do país, se já abandonou sua arte. E por isso viajei tantos dias: para desafia-lo e colocar um ponto final em uma fama que já não merece.

O rapaz viu que não adiantava ficar discutindo: era melhor leva- lo até o carpinteiro, para ver com seus próprios olhos que ele estava enganado.

Tetsuya estava trabalhando na oficina situada nos fundos de sua casa. Virouse para ver quem chegava, e seu sorriso foi interrompido no meio. Os olhos se fixaram na longa sacola que o estrangeiro carregava consigo.

- É exatamente o que você está pensando – disse o recém-chegado. – Não vim aqui para humilhar nem provocar o homem que virou uma lenda. Apenas gostaria de provar que, com todos os meus anos de prática, consegui chegar à perfeição.

Tetusya fez menção de retornar ao seu trabalho: estava terminando de colocar os pés de uma mesa.

- Um homem que serviu de exemplo para toda uma geração, não pode desaparecer como o senhor desapareceu – continuou o estrangeiro. – Segui seus ensinamentos, procurei respeitar o caminho do arco, e mereço que me veja atirar. Se fizer isso, irei embora e não direi a ninguém onde se encontra o maior de todos os mestres.

O estrangeiro tirou de sua bagagem um arco longo, feito de bambu envernizado, com o punho situado um pouco abaixo do centro. Fez uma reverencia para Tetsuya, caminhou até o jardim, e fez outra reverencia para um lugar determinado. Em seguida, tirou uma flecha ornada com plumas de águia, abriu as pernas de modo a ter uma base sólida para atirar, com uma das mãos trouxe o arco até diante de seu rosto, com a outra colocou a flecha.

O rapaz olhava com um mixto de alegria e espanto. E Tetsuya tinha interrompido seu trabalho, olhando o estrangeiro com curiosidade. O homem trouxe o arco – já com a flecha presa à corda – até o centro do seu peito. Levantou-o acima da cabeça, e a medida que abaixava as mãos, começou a abri- lo.

Quando chegou com a flecha a altura do seu rosto, o arco já estava completamente estendido. Por um momento que pareceu durar uma eternidade, arqueiro e arco permaneceram imóveis. O rapaz olhava para o local onde a flecha estava apontando, mas não via nada.

De repente, a mão da corda se abriu, o braço foi empurrado para trás, o arco descreveu um giro gracioso na outra mão, e a flecha desapareceu de vista, para tornar a aparecer ao longe.

- Vá pega-la – disse Tetsuya.

O rapaz voltou com a flecha: ela havia atravessado uma cereja que se encontrava no chão, a quarenta metros de distância.

Tetsuya fez uma reverência para o arqueiro, foi até um canto de sua carpintaria, e pegou uma espécie de madeira fina, com curvas delicadas, envolta em uma longa tira de couro. Desenrolou a tira sem a menor pressa, e apareceu um arco semelhante ao do estrangeiro – com a diferença que parecia ter sido bastante mais usado.

- Não tenho flechas, e precisarei de uma das suas. Farei o que me pede, mas terá que manter a promessa que fez: jamais irá revelar o nome da aldeia onde vivo. “Se alguém perguntar por mim, diga que foi até o final do mundo tentando encontrar- me, até descobrir que eu tinha sido picado por uma cobra, e morrido dois dias depois. “

O estrangeiro assentiu com a cabeça, e estendeu uma de suas flechas.

Apoiando uma das extremidades do longo arco de bambu na parede, e fazendo um considerável muito esforço, Tetsuya colocou a corda. Em seguida, sem dizer nada, saiu em direção as montanhas. O estrangeiro e o rapaz o acompanharam. Caminharam por uma hora, até chegar a uma fenda entre duas rochas, onde corria um rio caudaloso: o lugar só podia ser cruzado através de uma ponte de corda apodrecida, quase despencando.

Com toda calma, Tetsuya foi até o meio da ponte – que balançava perigosamente - fez uma reverência para algo do outro lado, armou o arco da mesma maneira que o estrangeiro havia feito, levantou-o, trouxe-o de volta ao peito, e disparou. O rapaz e o estrangeiro viram que um pêssego maduro, que se encontrava à vinte metros do local, havia sido transpassado pela flecha.

- Você atingiu uma cereja, eu atingi um pêssego – disse Tetsuya, voltando para a segurança da margem. - A cereja é menor. “Você atingiu seu alvo a quarenta metros, e o meu estava à metade desta distância. Portanto, você tem condições de repetir o que fiz. Venha até aqui o meio desta ponte, e faça a mesma coisa.”

Aterrorizado, o estrangeiro caminhou até o meio da ponte semi-apodrecida, mantendo os olhos fixos no despenhadeiro debaixo dos seus pés. Fez os mesmos gestos rituais, disparou em direção à arvore de pêssegos, mas a flecha passou muito longe. Ao voltar para a margem, seu rosto estava pálido.

- Você tem habilidade, tem dignidade, e tem postura – disse Tetsuya. – Conhece bem a técnica e domina o instrumento, mas não domina sua mente. Sabe atirar quando todas as circunstâncias são favoráveis, mas se estiver em um terreno perigoso, não consegue atingir o alvo. Entretanto, nem sempre o arqueiro pode escolher seu campo de batalha, de modo que recomece seu treinamento, e esteja preparado para situações desfavoráveis.

“Continue no caminho do arco, pois ele é o percurso de uma vida. Mas aprenda que um tiro correto e certeiro é muito diferente de um tiro com a paz na alma. “

O estrangeiro mais uma vez fez uma longa reverência, colocou seu arco e suas flechas na longa sacola que carregava ao ombro, e partiu. (...)


Paulo Coelho
O Caminho do Arco

Carma e Darma - Causa e Propósito do Destino



[...] O carma é composto por muitas linhas divergentes e conflitantes decorrentes das diversas ações harmônicas e desarmônicas que cometemos no passado. A linha de tendência resultante de todas essas múltiplas ações apontam numa determinada direção e assume um determinado propósito alinhado com a ordem divina do universo e de nossa vida em particular. Essa direção é o Darma.

O darma é aquilo que os cristãos (particularmente os protestantes) costumam chamar de “O Plano de Deus para nossa vida”. Para atingirmos o nosso darma, temos de navegar nas “ondas” revoltas do carma, até que essas ondas estejam todas alinhadas e não exista mais diferença entre o carma e o darma. Quanto mais anulamos o nosso carma, mais tomamos consciência do nosso darma e mais alinhamos nossa vida com ele.

Todavia, mesmo a pessoa que está vivendo uma fase de turbulência existencial e intenso sofrimento, está trabalhando simultaneamente seu darma, com a diferença de que está navegando uma onda periférica e prioritária, ilusoriamente afastada do curso normal de sua existência, o que não é verdade se virmos o fato no plano espiritual. É como um motorista numa estrada que se afasta da via principal para trocar um pneu ou reabastecer o seu veículo. Logo que essa operação for concluída, ele retorna à via principal. Naquele momento específico de sua viagem, a operação de troca dos pneus ou de reabastecimento foi mais importante do que seguir o curso normal da viagem [...].


Relatos e Sínteses sobre Temas da Sabedoria Perene
http://www.sociedadeteosofica.org.br/bhagavad/site/livro/cap13.htm

Lições deixadas por Jesus Cristo



Quando você inicia sinceramente o caminho da prática espiritual, o desejo de encontrar defeitos nos outros ou de expressar sua própria excelência desaparecerão.

Quando você anseia chegar a Deus, deve observar as diretrizes e caminhar ao longo do trajeto estipulado; cada passo lhe aproximará mais.Quando precisa chegar a uma aldeia, você deve levantar-se e mover-se em direção a ela; ela não se erguerá e virá até você! Da mesma forma, quando você precisa alcançar Deus, erga-se e mova-se como Ele lhe mostrou! Somente por esse modo você pode fazer sua vida valer a pena.

Jesus ensinou simples lições práticas sobre o progresso espiritual para o bem da humanidade; Jesus exortou as pessoas, através de preceito e exemplo, a cultivarem as virtudes da caridade, compaixão, tolerância, amor e fé.

Se você é um aspirante sincero, comemore Seu aniversário num espírito de dedicação, aprofundamento da fé em seu coração e reverenciando Seus ensinamentos através da prática mais intensa.

Sathya Sai Baba
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