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Como ajudar o próximo
Ajudar os outros aliviando suas necessidades físicas é muito importante, porém o auxílio é tanto maior quanto maior é a necessidade e duradouro o auxílio. Se as necessidades de um homem podem ser aliviadas durante uma hora, devemos ajudá-lo; se podem ser remediadas por um ano, o auxílio será maior; porém se for eliminado para sempre, este será, sem dúvida, o melhor auxílio que lhes será prestado.
O conhecimento espiritual é o único que pode destruir nossas misérias para sempre; os demais só satisfazem as necessidades por algum tempo. O conhecimento do espírito é o único que consegue destruir para sempre o desejo; assim, o auxílio espiritual é o mais elevado auxílio que se pode oferecer ao homem.
Quem dá conhecimento espiritual é o maior benfeitor do gênero humano, e por isto vemos que foram sempre os homens de maior poder que auxiliaram a humanidade em suas necessidades espirituais, porque a espiritualidade é a verdadeira base de nossa vida.
Swami Vivekananda
Karma Yoga
Os três aspectos do homem
Um dos principais meios pelos quais o homem chega a uma compreensão daquela grande totalidade à qual chamamos de Macrocosmo - Deus, funcionando através de um sistema solar - é pela compreensão de si próprio (...).
Através da Lei da Analogia, ou das correspondências, os processos cósmicos e a natureza dos princípios cósmicos são indicados nas funções, estrutura e características de um ser humano. São indicadas mas não explicadas ou elaboradas. Servem simplesmente como sinais na estrada (...).
A compreensão da triplicidade do espírito, alma e corpo permanece, todavia, além do alcance do homem, mas uma idéia quanto às suas relações (...) pode ser indicada por uma apreciação do homem a partir do seu aspecto físico e seu funcionamento objetivo.
Há três aspectos do organismo humano que são símbolos, e somente símbolos, dos três aspectos do ser.
1. A energia, (...) que se retira misteriosamente na morte, retira-se parcialmente nas horas de sono ou da inconsciência, e que parece usar o cérebro como sua sede principal de atividade e daí dirigir o
funcionamento do organismo.
Esta energia tem uma relação direta primária as três partes do organismo a que chamamos cérebro, coração e aparelho respiratório. Este é o símbolo micro cósmico do espírito.
2. O sistema nervoso, com sua complexidade de nervos, (...) para produzir a resposta sensitiva que existe entre os muitos órgãos (...), também para o tornar consciente do, e sensível ao, meio que o cerca. Esta aparelhagem sensorial inteira é a que produz a conscientização organizada e a sensibilidade coordenada do ser humano, primeiro dentro dele mesmo como uma unidade e, secundariamente, capacidade de resposta e estrutura nervosa, coordenando, correlacionando e produzindo uma atividade grupal externa e interna.
(...) Ele está intimamente associado com o aspecto energia, sendo o instrumento utilizado por aquela energia para vitalizar o corpo, para produzir sua atividade e funcionamento coordenados e para conseguir um relacionamento inteligente com o mundo no qual tem de participar.
(...) Por sua vez, é motivado e controlado por dois fatores:
a) A totalidade da energia que é a quota individual da energia vital.
b) A energia do meio ambiente na qual o indivíduo se encontra e na qual tem de atuar e desempenhar seu papel.
Este sistema nervoso coordenador (...) é o símbolo, no homem, da alma, e uma forma e exterior de uma realidade espiritual interior.
3. Há, finalmente, o que poderia ser descrito como o corpo, a totalidade de carne, de músculos e de ossos que o homem vai carregando, correlacionados pelo sistema nervoso e tonificados pelo que vagamente chamamos sua "vida".
Nestes três, a vida, o sistema nervoso e a massa corporal, nós achamos o reflexo e o símbolo do todo maior, e por um detalhado estudo destes e uma compreensão de suas funções e relações grupais, podemos chegar a uma compreensão de algumas das leis e princípios que dirigem as atividades de "Deus na natureza" - uma frase, sublimemente verdadeira e igualmente finitamente falsa.
Os três aspectos da divindade, a energia central, ou espírito; a força coordenadora, ou alma, e aquela que estas duas usam e unificam são, na realidade, um princípio vital se manifestando na diversidade.
Estes são os Três
em Um, o Um em Três, Deus na natureza e a própria natureza em Deus.
Transportando o conceito, à guiza de ilustração, para outros reinos do
pensamento, esta trindade de aspectos pode ser vista atuando:
> no mundo
religioso como o ensinamento esotérico, a simbologia e doutrinas fundamentais
das grandes religiões mundiais e das organizações exotéricas;
> no governo, ele é
a totalidade da vontade do povo seja ela qual for, as leis formuladas e a
administração exotérica;
> na educação, é a vontade de aprender, são as artes e
ciências e os grandes sistemas educacionais exotéricos;
> na filosofia, é a sede de
sabedoria, são as escolas de pensamento inter-relacionadas e a apresentação
exterior dos ensinamentos.
Assim esta eterna triplicidade percorre cada
departamento do mundo manifestado, seja visualizada como aquilo que é
tangível, ou como aquilo que é sensível e coerente, ou o que é tonificante. É
aquela atividade inteligente que foi desajeitadamente chamada conscientização,
é a capacidade de estar consciente, envolvendo, como faz a resposta sensitiva
ao meio ambiente e o dispositivo daquela resposta, a divina dualidade da alma;
é finalmente a totalidade daquilo que é conhecido e que se contata; é aquilo do
qual o aparelho sensitivo se toma consciente. Esta, como veremos mais tarde, é
uma compreensão gradualmente crescente, deslocando-se sempre para os
ramos mais internos e mais esotéricos.
De Um Tratado sobre a Magia Branca - Tomo I - Alice Bailey
Passos do Caminho
CONHECER-SE
O primeiro ponto a cumprir é conhecer-te. Não é sem causa que os antigos tinham feito deste conhecimento o primeiro estágio da sua iniciação.
Sabes quais são as tuas qualidades e os teus defeitos. Deves desenvolver umas e eliminar outros. Purificar-se é a primeira parte de todas as iniciações tal como se tem praticado em todos os templos e em todos os agrupamentos de filósofos.
CONDUTA DO CORPO FÍSICO
Em primeiro lugar deves depurar teu corpo, dar-lhe por uma higiene racional, forças e um poder talvez perdidos pela doença e por insuficiência de alimentação, pela falta de ar e de exercícios igualmente prejudiciais. Tu deves adotar uma regra na tua vida mais sã, baseada sobre os princípios que dirigem toda a tua conduta. Teu corpo deve obedecer a teu espírito, e se não está em estado de seguir
o movimento de teu pensamento de que lhe servirá este pobre servidor?
o movimento de teu pensamento de que lhe servirá este pobre servidor?
Se seguires as regras que te aconselhei, adaptarás a tua economia material, todos estes órgãos
que te são submetidos, ao ritmos que são o eco dos ritmos superiores. Já, por esta cultura, aderirás ao plano divino.
que te são submetidos, ao ritmos que são o eco dos ritmos superiores. Já, por esta cultura, aderirás ao plano divino.
LIGAÇÃO COM O ESPÍRITO
Tomando este cuidado, precisarás fazer a educação de teu espírito. Esforçar-te-ás para ter deste espírito uma direção mais segura, uma vontade calma e operadora. Deves desenvolver em ti as faculdades e não partir desta idéia de que não poderás adquiri-las.
DISCERNIMENTO / MENTE
Desenvolve também o teu discernimento, porque, sem ele, a vontade é uma barca sem piloto entre os escolhos da vida. Assim, obterás o império sobre ti mesmo, que te fará senhor do teu inconsciente. Não sofrerás mais o seu impulso, porém, não cedendo senão ao teu espírito, serás tu mesmo em verdade.
SILÊNCIO
Cultiva também o silêncio em que te serão revelados os poderes ocultos. Obtém a calma para os teus sentimentos, a fim de que desenvolvam harmoniosamente. Cala-te e reflete na manifestação das opiniões adversas.
PALAVRA CORRETA / INOFENSIVIDADE
Enfim, será a tua força dizer a palavra conciliadora que religa toda as opiniões. Tu não podes, por ti mesmo, possuir toda a verdade. Por que impões o teu pensamento aos outros? Sê calmo e o teu exemplo pregará melhor ainda do que as palavras. É o primeiro passo a fazeres para a obtenção dos altos poderes, a conquista das forças em ti e ao redor de ti.
CORAÇÃO / SENTIMENTOS
(...) em seguida, farás a educação de teu coração. É um cuidado que muitos negligenciam; eles têm sofrido pelo sentimento, crêem não poderem fazer nada de melhor do que negar o coração.
Mas, estes males provêm de uma impulsividade muitas vezes atendida. Deverás primeiramente refrear está impulsividade, estas perturbações.
AUTO ESQUECIMENTO
AUTO ESQUECIMENTO
Atraído pelas qualidades exteriores, estás talvez muito triste por amar pessoas que não respondem ao teu ideal elevado; pedes-lhes sentimentos que florescem em teu próprio coração e, como elas são diferentes de ti, a ternura delas é desviada ou se manifesta de outro modo não desejado por ti, sofrerás profundamente.
Seu papel é nos tornar clarividentes ao encontro do que mais nos seduz, nos ensinar a paciência para atingir o desabrochar dos sentimentos dos outros. Muitas vezes a falta está em julgar os outros de acordo consigo mesmo. É uma escolha a evitar. As dores passadas têm isso de bom: elas te servirão de guia para os acontecimentos futuros.
Refrear, porém, o coração não é suprimi-lo; pelo contrário, quando o caminho parecer seguro, tu poderás, em belo surto, procurar a ternura e a glória de uma afeição partilhada. E, quanto esta alegria, apurada pela pesquisa de um ideal comum, será mais alta e mais pura!
Isto não será uma vitória ou um prazer passageiro como o objeto de tua pesquisa, mas uma comunhão de idéias que te conduzirá a querer o bem do ser amado antes do teu próprio.
O teu coração alargar-se-á, e, à margem das ternuras costumeiras, aprenderás a amar a Natureza, a obter de seu seio amigo as lições da calma, de expansão de uma vida nova, de bondade, de doçura, de fraternidade universal. Gozarás a expansão de uma vida nova, a alegria superior de compreender o que começaste a amar cegamente.
Durville
A Ciência Oculta
O Objetivo do Processo Evolutivo
Pela distribuição das partículas constituintes dos nossos veículos físico-etérico, astral e mental inferior, segundo a densidade e o raio, em consequência da imensa quantidade de interações e reações entre si e com as energias exteriores, é que a nossa personalidade é definida.
A atuação da MÔNADA via Alma, ao longo das muitas encarnações e experiências, vai controlando esses corpos, substituindo as partículas mais densas pelas mais sutis e ampliando as qualidades dos raios.
Eis o objetivo do processo evolutivo: o domínio total de todos os planos, subplano a subplano, para que a Mônada possa expressar toda a sua divindade em qualquer plano. Pelo controle completo dos nossos veículos chegaremos ao controle completo do meio exterior.
A sentença CONHECE-TE A TI MESMO deve ser acrescida de DOMINA-TE A TI MESMO .
Alice Bailey
Tratado sobre Fogo Cósmico
Dhyana (Meditação)
Para a imensa maioria das pessoas, meditar significa projetar nossa mente em vários cenários e idéias, em um vasto ciclo de imagens e símbolos.
Nas tradições religiosas superiores (sejam estas ocidentais e orientais), meditar é algo bem diferente; na realidade, trata-se da busca de um estado elevado de consciência, visando a comunhão divina.
O grande objetivo é contatar com o “Reino de Deus”, dentro de nossos corações, segundo as mensagens dos Grandes Mestres da Humanidade. “Dhyana é a porta de ouro que, uma vez aberta, conduz ao Reino de Deus. Dhyana (meditação ou contemplação), é a contínua e prolongada corrente de pensamento, dirigida a um determinado objeto, até chegar a se unificar com ele”. (Helena P, Blavatsky).
Na realidade, a meditação tem como objetivo alcançar a Graça, a Sabedoria Divina e a plena felicidade. Se nós efetuarmos um retrospecto da história e da vida dos Grandes Mensageiros da Humanidade, tais como Krishna, Buda, Jesus Cristo e Moisés, iremos comprovar que a grande meta desses elevados Mensageiros era estabelecer o contato com a presença de Deus em seus corações. através da prática da Dhyana. E esse é o grande objetivo do verdadeiro discípulo religioso: estabelecer essa sagrada comunhão espiritual, que nos proporcionará sabedoria e felicidade.
A sede de nosso espírito, de nossa supra-consciência, se encontra no centro de nosso peito, o “Reino de Deus”, onde nós encontramos (em todas as religiões), as imagens dos Avataras com um “sol luminoso” no peito, tradicionalmente conhecido pelos yoguis como chakra anahata.
Dhyana, a meditação, é portal divino
que nos conduz ao Reino de Deus.
As mensagens dos Grandes Avatares, dirigida a todos os seres, consiste precisamente em orientar os seus discípulos a estabelecer essa sagrada comunhão, a qual sómente será possível através da Dhyana. O conhecimento teórico, a leitura dos textos sagrados, por si só, não pode conduzir o discípulo à realização espiritual.
Essa é a suprema e divina chave que nos conduzirá à sabedoria e à felicidade. Dominar esse turbilhão de pensamentos, através da serenidade mental, imobilidade física e ausência de imagens, são as ferramentas fundamentais para o pleno contato com a Divindade em nossos corações. Se nós observamos a vida dos grandes santos (sejam yoguis, cristãos ,budistas, muçulmanos, judeus e grandes filósofos) iremos comprovar que todos adotaram o mesmo procedimento para a completa realização espiritual.
Sri Vayera Yogui Dasa (Dom Benjmain Guzman Valenzuela) em um magnífico estudo sobre esse tema, nos ensinou:
“Meditar não é pensar, não é articular o pensamento, levando a imaginação de um lado para outro. Meditar espiritualmente é aquietar a mente, descansando-a, fazendo com que ela repouse em um objeto formoso e agradável . . .essa é a meditação da quietude ou contemplação, para tranquilizar a mente e receber as bênçãos do Sêr Venerado. . esse é um dos benefícios que se alcança mediante a YOGA. As pessoas que seguem esse caminho, cada dia aumentam, com suas almas, as forças espirituais, vibrantes de felicidade.”
Se nós estudarmos a vida dos grandes santos, iremos verificar que o supre- mo objetivo dessas almas era contatar com essa presença divina, a qual se encontra latente em todos os seres. Podemos comprovar também que, em todas as Religiões, esse é o princípio fundamental para a comunhão espiritual.
Sri Vayera, que foi nosso instrutor espiritual, sempre nos transmitiu essa mensagem, a qual é também universal e eterna, adotada em todas as épocas por grandes filósofos, religiosos e sábios.
Todos os grandes seres, que alcançaram a sabedoria divina e o amor universal, nem todos possuíam a cultura escolástica e acadêmica, mas se tornaram grandes sábios e santos, unicamente através da dhyana (meditação). Devemos sempre nos lembrar dos Grandes Missionários da Humanidade, entre eles, Jesus Cristo, que nos transmitiu um sagrado ensinamento espiritual:
“Não busqueis o Reino de Deus
aqui ou acolá, mas dentro de vós!”.
Concluindo nossa palestra, achamos oportuno transmitir algumas instruções práticas, principalmente para aqueles que estão presentes em nossa reunião e que ainda não pertencem à nossa Organização espiritual,a Suddha Dharma Mandalam. A vivência da Dhyana é de suma importância para todas as pessoas que se encontram interessadas no Caminho Espiritual, independentemente de sua cultura religiosa, seja cristã, budista, muçulmana ou quaquer outra doutrina. Em nossa época, a Ciências acadêmicas já comprovaram também a extraordinária eficácia da prática da meditação diária para todas as pessoas, e seus efeitos extraordinários na saúde física e mental. Com essas considerações, achamos oportuno transmitir a todos os presentes, algumas orientações para se realizar, com êxito, a prática da diária da meditação:
1) Em um cômodo tranqüilo, sem ruídos e com meia-luz, sentar-se em uma cadeira ou poltrona agradável;
2) Fechar suavemente os olhos;
3) Manter a cabeça em linha com a coluna;
4) Respirar suavemente, sem nenhum esforço;
5) Fixar o pensamento entre as sobrancelhas;
6) Colocar o pensamento em um Grande Ser de sua preferência, (Krishna, Buda, Jesus, Moisés etc.)
7) Efetuar seus apelos pessoais e, depois, permanecer em silêncio por alguns minutos.
Sérgio Fonseca B. Barretto
Palestra proferida em Florianópolis-SC, no IX Congresso da SUDDHA DHARMA MANDALAM, em Julho/2008
Como bambu
O menino, depois de uma tempestade violenta, saiu na varanda da fazenda e gritou para o avô:
- Vô! Vem aqui, vô! Como o senhor explica essa figueira, que era árvore que gastava 4 homens para abraçar seu tronco, como é que essa figueira tombou, vô? O vento derrubou a figueira, vô! E como é que aquele pezinho de bambu tão fininho não caiu, vô?
O vô o pôs no cangote e o levou à figueira.
- Nossa, vô! Ela está oca!
- É, com o tempo a figueira foi ficando oca...
- Vô, mas não parecia!
- É por causa da casca, filho. Tinha uma casca muito grande... A gente não via, a gente olhava para a figueira e ela estava lá, “metidona”, “poderosa”...
- É vô... Mas o bambú também é oco...
- Então vem cá...
Lá no bambu, bambuzinho pequenininho, o avô disse: “Primeira diferença, o bambu sabe que que é oco desde pequeno".
Primeira coisa que o bambu ensina pra mim e pra você: desde pequeno a gente é oco.
Vazio para poder encher de Deus. Quanto mais eu me esvaziar, mais cheio de Deus e do Espírito Santo.
Segunda coisa que o bambu nos ensina: a nossa vocação é o céu.
Enquanto as gramíneas se arrastam, o bambu, sendo gramínea, sobe, porque ele tem uma meta. Todo bambu cresce para o alto, sempre buscando o alto.
Terceira coisa: se ele quer crescer muito, ele tem que ter raízes profundas.
Se eu quero chegar lá no alto, eu preciso ter raízes sadias, curadas. Raízes é aquilo que temos escondido (os vícios). Eu devo deixar a graça de Deus, a graça da cura, penetrar as minhas raízes. A raiz é alimentada pela leitura contínua da palavra de Deus. A raiz é alimentada por um grupo que me dá sustento, que me fortalece.
Quarta coisa: bambu não cresce para o lado, não cria galho.
Se eu quero ter a graça de crescer para cima, eu não devo criar galho. Criar galho significa dispersar nossos dons, dispersar nossos talentos em coisa que não devemos.
Quantas pessoas se enroscam na vida porque estão sempre amarrados? Amarrado com Fulano, com Ciclano, com a falsa amizade... ‘Ah, eu tenho que ir lá porque sabe como é, né? A vida em sociedade, eu tenho que ir...”. Tenho que ir coisa nenhuma! Eu vou se eu quiser.
A gente vai criando tanto galho, depois vive quebrando galho. A pessoa se divide. Tem tanta coisa pra fazer, tanta galhada!
Corte as galhadas.
Porque quanto menos galho eu tiver, menos dolorosa será a poda.
Os galhos significam as coisas que a gente vai acumulando. Já percebeu quanta coisa a gente tem que a gente não precisa para viver? E vai se apegando...
Nós estamos aqui de passagem. Se você quiser crescer para o alto, corte a galhada. Canalize.
Crescer para o alto e cortar os galhos significa: investir a minha vida. E isso vale para tudo. Quantas famílias estão cheias de dívidas porque não se unem. Cortem o galho, cortem o supérfluo!
O galho cresce aqui, gruda lá, aí aquilo parece que já faz parte do galho e tem que proteger aquilo... E aí vai ficando pesado, o galho vai ficando muito grande, e bicho começa a fazer ninho, e cobras e lagartos, e vai apodrecendo. E a pessoa tenta proteger os galhos! Corte os galhos.
Alguns de nós somos uma galhada enorme. Tem pessoas que quando chegam no lugar você já nota aquela galhada chegando.
Quinta coisa: olhe bem de perto para o bambu. Já viu que ele é cheio de nozinhos? Não é o nó que enfeia o bambu. É o nó que dá resistência ao bambu.
Por isso que lá embaixo os nós estão mais próximos.
Nó significa cada etapa que eu venço, cada problema da minha vida que eu supero.
Se o bambu não tivesse nó ele seria lindo, pareceria um cano de PVC. Mas na primeira ventania racharia de cima até embaixo. É o nó que dá resistência ao bambu e o faz ser forte e firme!
Cada nozinho significa um problema resolvido. Cada vez que eu supero um desafio, cada vez que eu perdoo alguém que me machucou, cada vez que eu peço perdão a alguém que eu machuquei, cada vez que eu faço um pequeno jejum, é um nozinho que vai se solidificando... E o bambu vai ficando tão forte que na China eles fazem ponte com bambu para passar caminhão de guerra, fazem escadas e edifícios.
Uma coisa muito importante: problemas todos nós temos. Eles precisam ser assimilados, ao invés de fugirmos dos problemas. O mundo de hoje ensina você a fugir do problema. "Tome um gole de cachaça que passa!", "toma um doril a dor sumiu!"... Não! Jesus está dizendo para você: "Supere os problemas, eu estou aqui para mostrar como".
Você precisa ter a humildade do bambu de se enraizar no chão e cada dia viver como um dom de Deus (por isso ele ensina: ‘o pão nosso de cada dia’).
O bambu tem nós, e nós significam etapas. Uma longa caminhada se faz com pequenos passos. Problemas a gente tem que solucionar um de cada vez. "Ai, padre, eu tenho 30 pratos pra lavar!" . Você nunca lavou 30 pratos. Você lava um, depois um, depois um, depois um...
Os nós são aquilo que fortalece o bambu.
Sexta coisa: olhe bem para esse bambu... Ele está sozinho? Não. A primeira coisa que o bambu faz quando começa a crescer: ele deixa o vento jogar uma sementinha do lado, e outra do lado, e outra... E esse vento é do Espírito.
Bambu só cresce em touça.
Por isso, quando você olha de longe, uma touça de bambu é maior que uma figueira, maior que uma árvore. E essa touça é tão grudada porque:
Primeiro: nenhum deles tem galho.
Segundo: todos eles têm raízes profundas.
Terceiro: todos eles estão crescendo para cima.
Quarto: todos eles sabem que são ocos.
Quinto: todos eles vão se grudando um no outro porque aprenderam a fazer isso consigo mesmo. Quem aprendeu a superar os nós vai aprendendo agora a se apoiar um no outro. Um bambu apoia a si mesmo pelos nós (problemas superados) e agora se apoia em quem está ao lado.
Sétima coisa: o menininho desceu do cangote do avô, que pegou a ponta do bambu, entortou até o chão, soltou e o bambu voltou. "Meu filho, aprenda com o bambu a ter a humildade de se curvar na hora da tempestade".
A touça tem que se curvar, a família tem que se curvar, a comunidade tem que se curvar.
Como Bambu no Getsêmani
Palestra proferida pelo Padre Léo em campamento na Comunidade Canção Nova
O aprendizado através do sofrimento e da dor
O sofrimento e a dor têm funções espirituais, morais e físicas para o homem terrestre. (...) No esquema planetário em que vivemos, eles são por enquanto importantes elementos para a evolução do homem (...)
O valor espiritual e evolutivo do sofrimento e da dor encontra-se no fato de o homem ser por eles levados a concentrar suas forças mentais em descobrir o motivo que o levou a tê-los, e ser com isso ajudado a desidentificar-se do seu próprio ego humano, núcleo que é, como se sabe, cheio de vícios e de hábitos passados. Destacar-se do ego, embora rápida e temporariamente, traz considerável benefício para o Espírito Cósmico que habita dentro do homem, que pode assim confirmar nele a verdadeira origem não-egóica e não-terrestre de sua natureza.
Através da concentração, ainda que momentânea, em um estado que não é do ego humano, a Fé pode descer da quarta dimensão para o eu consciente, e a ordem, a coragem e a calma, pode manifestar-se.
Em situações normais de felicidade, ou de aparente tranquilidade, essa energia, ainda parca para o homem comum, tem menos ocasião de chegar até a área em que ele é consciente; apenas uma necessidade em maior é capaz de atraí-la.
Trigueirinho
Caminhos para a Cura Interior. p78-79 Editora Pensamento
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