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Nosso real propósito

...O que nos cumpre fazer é, segundo me parece, tornar-nos cônscios das condições de nossa existência diária, de nossos infortúnios, nossas angústias, nossa confusão e conflito, e tratar de compreendê-los tão profundamente que possamos lançar uma base adequada, para começar. Não há outra solução. Temos de enfrentar-nos assim como somos e não como deveríamos ser, segundo um certo padrão ou ideal. Temos de ver realmente o que somos e, daí, iniciar a transformação radical.

Direis: "Que efeito ou valor pode ter uma transformação individual? Como poderá isso alterar o curso da existência humana? Que pode um só indivíduo fazer?" 

Esta me parece uma pergunta errônea, porque não existe tal coisa - consciência individual; só há consciência, da qual somos uma parte. Um indivíduo pode segregar-se, cercar-se dentro de um determinado espaço chamado "eu". Mas esse eu está relacionado com o todo, esse eu não é separado. E, com a transformação dessa seção específica, dessa determinada parte, podemos influir na totalidade da consciência. 

Considero muito importante compreender que não estamos falando de salvação individual ou reforma individual, porém, sim, da necessidade de estarmos conscientes da parte em relação com o todo. Desse percebimento nascerá uma ação que atingirá o todo...

J. Krishnamurti
http://despertandonaluz.blogspot.com.br/2009/12/nosso-real-proposito.html

Sua mente é como um gramofone repetindo uma canção que você ouviu



(...) Você vai ao escritório, faz seu trabalho, e volta, seguindo dia a dia o mesmo antigo padrão; e não quer nenhuma perturbação desse padrão o que significa que você está superficialmente satisfeito. 

Quando é perturbado superficialmente, busca mais satisfação, assim sua vida permanece no nível superficial. 

Embora você possa meditar, ler as escrituras, pensar em Deus, é tudo na superfície. Sua mente é como um gramofone repetindo uma canção que você ouviu. Não é nem mesmo sua canção, é a canção de outro; e pode nem haver “sua canção”, mas apenas “a canção”. 

Assim, é muito importante compreender não só o consciente, mas também a mente inconsciente. A mente inconsciente é muito mais poderosa, muito mais insistente, muito mais diretiva e conservadora do que a mente consciente; porque o consciente é simplesmente a mente educada que se ajustou ao meio ambiente. 

(...) Se posso sugerir, olhem suas próprias mentes; não ouçam apenas as minhas palavras, mas através de minhas palavras, observe a operação de seu próprio pensar e descubra você mesmo. Estou descrevendo o quadro, mas é seu quadro, não meu. 

Se você realmente olhar para si mesmo, verá uma mudança radical acontecendo apesar de sua mente consciente. É como uma semente que, sendo lançada em solo fértil, rompe pela terra e brota. Então, posso eu respeitosa e persistentemente pedir que você ouça de modo que pela atividade de ouvir, descubra os fatos reais, a verdade sobre você mesmo. A descoberta dessa verdade vai libertar a mente. 

J. Krishnamurti
Collected Works, Volume IX. Colombo 3rd Public Talk 20th January 1957
http://www.jkrishnamurti.org/pt/krishnamurti-teachings/view-daily-quote/20120526.php?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+JKOnline_DailyQuotes_PT+%28JKOnline+RSS+PT%29

Conversa com Maharaj

Maharaj: Você pode sentar no chão? Precisa de uma almofada? Tem qualquer pergunta a fazer? Não é que você necessite perguntar, você pode também ficar quieto. Ser, só ser, é importante. Você não precisa perguntar, nem fazer nada. Tal modo aparentemente preguiçoso de passar o tempo é altamente considerado na Índia. Significa que, no momento, você está livre da obsessão do “e agora?”. Quando você não tem pressa e a mente está livre da ansiedade, ela se torna tranqüila e, no silêncio, algo pode ser ouvido, o qual é ordinariamente muito tênue e sutil para ser percebido. A mente deve estar aberta e serena para ver. O que estamos tentando fazer aqui é trazer nossas mentes para dentro do estado adequado ao entendimento do que é real. 

Pergunta: Como podemos reduzir nossas preocupações? 

M: Você não necessita preocupar-se com suas preocupações. Apenas seja. Não tente estar tranqüilo; não faça do “estar tranqüilo” uma tarefa a ser realizada. Não se inquiete a respeito de “estar tranqüilo”, angustiado por “ser feliz”. Simplesmente, seja consciente de que você é, e permaneça consciente – não diga “sim, eu sou; e agora?” Não há um “e agora?” no “Eu sou”. É um estado eterno. 

P: Se for um estado eterno, ele se expressará de qualquer modo. 

M: Você é o que é, eternamente, mas de que lhe serve isto a menos que você o conheça e saiba agir de acordo? Sua tigela de mendigo pode ser de puro ouro, mas, enquanto você não souber disto, será um miserável. Você deve conhecer seu valor interno e confiar nele, e expressá-lo no diário sacrifício do desejo e do medo. 

P: Se eu me conhecesse, não deveria desejar ou temer. 

M: Durante algum tempo, os hábitos mentais podem demorar-se apesar da nova visão – o hábito de desejar o passado conhecido e temer o futuro desconhecido. Quando você souber que estes só pertencem à mente, poderá ir além deles. Enquanto tiver todo o tipo de idéia sobre si mesmo, conhecer-se-á através da névoa destas idéias; para conhecer-se tal com é, abandone todas as idéias. Não pode imaginar o sabor da água pura, só pode descobri-lo abandonando todos os sabores. Enquanto estiver interessado em seu modo atual de vida, você não o abandonará. O descobrimento não poderá vir, enquanto você estiver aderido ao familiar. Só quando você compreender plenamente a imensa aflição de sua vida, e se rebelar contra ela, poderá encontrar a saída. 

P: Posso ver agora que o segredo da vida eterna da Índia está nestas dimensões da existência das quais a Índia sempre teve a custódia.

M: É um segredo aberto e sempre houve pessoas querendo, e dispostas a distribuí-lo. Mestres, há muitos; discípulos corajosos, muito poucos. 

P: Estou desejoso de aprender. 

M: Aprender palavras não é o bastante. Você pode conhecer a teoria, mas sem a experiência real de si mesmo como o impessoal e não qualificado centro de Ser, amor e bem-aventurança, o mero conhecimento verbal será estéril. 

P: Então, o que faço? 

M: Tente ser, apenas ser. A palavra mais importante é “tentar”. Destine tempo suficiente a cada dia para sentar-se quietamente e tentar, apenas tentar, ir além da personalidade com seus vícios e obsessões. Não pergunte como, não pode ser explicado. Siga tentando até ser bem sucedido. Se perseverar, não poderá haver fracasso. O que interessa no grau máximo é a sinceridade, a seriedade; deve estar farto de ser a pessoa que é, e ver a urgente necessidade de libertar-se desta desnecessária auto-identificação com um punhado de recordações e hábitos. Esta firme resistência contra o desnecessário é o segredo do êxito. No final das contas, você é o que é a cada momento de sua vida, mas nunca é consciente disto, exceto, talvez, no momento de acordar do sono. Tudo quanto necessita é ser consciente do ser, não como uma afirmação verbal, mas como um fato sempre presente. A Consciência que você é abrirá os seus olhos para o que você é. É tudo muito simples. Em primeiro lugar, estabeleça um contato constante consigo mesmo, esteja consigo mesmo todo o tempo. Todas as bênçãos fluem da Consciência. Comece como um centro de observação, de conhecimento deliberado, e torne-se um centro de amor em ação. “Eu sou” é uma pequena semente que se tornará uma poderosa árvore – de forma totalmente natural, sem um traço de esforço. 

P: Vejo tanto mal em mim mesmo. Não devo mudar isto? 

M: O mal é a sombra da falta de atenção. Na luz da Consciência, ele secará e cairá. Toda dependência de outro é fútil, pois o que os outros podem dar, outros levarão. Apenas o que é seu no princípio permanecerá seu ao final. Não aceite orientação exceto de dentro e, mesmo então, examine bem todas as lembranças, pois elas o enganarão. Mesmo que desconheça os caminhos e os meios, fique quieto e olhe para dentro de si mesmo; a orientação, seguramente, virá. Você nunca é deixado sem conhecer que próximo passo deverá dar. O problema é que você pode evitá-lo. O Guru está aí para dar-lhe coragem, devido à sua experiência e realização. Mas só aquilo que você descobre através de sua própria Consciência, seu próprio esforço, será de uso permanente para você. Lembre-se, nada do que você percebe é seu. Nada de valor vem a você do exterior; apenas seu próprio sentimento e entendimento são relevantes e reveladores. Palavras ouvidas, ou lidas, apenas criarão imagens em sua mente, mas você não é uma imagem mental. Você é o poder da percepção e da ação por trás e além da imagem. 

P: Parece que você me aconselha a centrar-me em mim mesmo ao ponto do egoísmo. Não devo render-me a meu interesse pelas outras pessoas? 

M: Seu interesse nos outros é egoísta, é interesse próprio, orientado para si mesmo. Você não está interessado nos outros como pessoas, mas só na medida em que eles enriquecem ou enobrecem sua própria imagem de si mesmo. E o maior egoísmo é cuidar apenas da proteção, preservação e multiplicação do próprio corpo. Por corpo quero dizer tudo o que está relacionado com seu nome e forma – sua família, tribo, país, raça, etc. O egoísmo é estar apegado à forma e ao nome. Um homem que sabe que não é nem corpo nem mente não pode ser egoísta, pois não tem nada por que ser egoísta. Ou, você pode dizer que é igualmente “egoísta” em benefício de todos aqueles que encontra; o bem-estar de todos é o seu bem-estar. O sentimento “eu sou o mundo, o mundo sou eu mesmo” torna-se totalmente natural; uma vez que isto esteja estabelecido, não haverá modo de ser egoísta. Ser egoísta significa invejar, adquirir, acumular em benefício da parte e contra o todo.

P: Pode-se ser rico e com muitas posses por herança ou matrimônio, ou simplesmente boa sorte. 

M: Se você não se aferrar a elas, serão levadas de você. 

P: Em seu estado presente, pode amar outra pessoa como pessoa? 

M: Eu sou a outra pessoa, a outra pessoa sou eu mesmo; em nome e forma somos diferentes, mas não há separação. Na raiz de nosso ser, nós somos um. 

P: Não é assim toda vez que há amor entre pessoas? 

M: É, mas não são conscientes disto. Elas sentem a atração, mas não conhecem a razão. 

P: Por que o amor é seletivo? 

M: O amor não é seletivo, o desejo é seletivo. No amor não há estranhos. Quando o centro do egoísmo não existe mais, todos os desejos de prazer e temor da dor cessam; não se está mais interessado em ser feliz; além da felicidade está a pura intensidade, a energia inesgotável, o êxtase de dar de uma fonte perene.  

P: Não devo começar resolvendo por mim mesmo o problema do certo e do errado? 

M: O que é agradável, as pessoas tomam por bom, e o que é doloroso é tido por mau. 

P: Sim, é assim, para nós, pessoas comuns. Mas como é para você, no nível da unidade? O que é bom e o que é mau para você? 

M: O que aumenta o sofrimento é mau e o que o remove é bom. 

P: De modo que você não considera bom o sofrimento em si mesmo. Há religiões em que o sofrimento é considerado bom e nobre. 

M: O karma, ou destino, é a expressão de uma lei benéfica; o universal tende ao equilíbrio, à harmonia e à unidade. A cada momento, aquilo que acontece agora é no sentido do melhor. Pode parecer doloroso ou feio, um sofrimento amargo e sem sentido, mesmo assim, considerando o passado e o futuro, é para melhor, a única saída de uma situação desastrosa. 

P: Sofre-se apenas pelos próprios pecados? 

M: Sofre-se junto com o que se acredita ser. Se você se sentir um com a humanidade, você sofrerá com ela. 

P: E, posto que você pretende ser um com o universo, não há limite no tempo e no espaço para seu sofrimento! 

M: Ser é sofrer. Quanto mais estreito for o círculo de minha auto-identificação, mais agudo o sofrimento causado pelo desejo e pelo medo. 

P: O Cristianismo aceita o sofrimento como purificador e enobrecedor, enquanto o Hinduísmo o olha com desgosto. 

M: O Cristianismo é uma maneira de juntar palavras e o Hinduísmo é outra. O real é, por trás e além das palavras, incomunicável, diretamente experimentado, explosivo em seus efeitos sobre a mente. É facilmente obtido quando não se quer nada mais. O irreal é criado pela imaginação e perpetuado pelo desejo. 

P: Pode haver sofrimento que seja necessário e bom? 

M: A dor acidental, ou casual, é inevitável e transitória; a dor deliberada, infligida inclusive com a melhor das intenções, é absurda e cruel. 

P: Você não castigaria o crime? 

M: A punição não é senão crime legalizado. Na sociedade construída sobre a prevenção em vez da retaliação, haveria poucos delitos. As poucas exceções seriam tratadas medicamente, como mente e corpo enfermos. 

P: Parece que você tem pouco emprego para a religião. 

M: O que é a religião? Uma nuvem no céu. Eu vivo no céu, não nas nuvens, as quais são muitas palavras unidas. Elimine a verbosidade e o que permanece? A verdade permanece. Meu lar está no imutável, o qual parece ser o estado de constante reconciliação e integração dos opostos. As pessoas vêm aqui para aprender sobre a existência real de tal estado, sobre os obstáculos a seu surgimento e, uma vez percebido, sobre a arte de estabelecê-lo na consciência, de modo que não haja choque entre o entendimento e o viver. O próprio estado está além da mente e não é necessário aprendê-lo. A mente pode apenas focar os obstáculos; ver um obstáculo como obstáculo é eficaz, porque é a ação da mente sobre a mente. Comece do início; dê atenção ao fato de que você é. Em nenhum momento você pode dizer “eu não fui”, tudo o que pode dizer é: “Não recordo”. Você sabe quão incerta é a memória. Aceite que, preocupado com mesquinhos assuntos pessoais, esqueceu o que é; trate de recuperar a memória perdida mediante a eliminação do conhecido. Não se pode falar a você sobre o que vai acontecer, nem tampouco é desejável; a antecipação criará ilusões. Na busca interior, o inesperado é inevitável; o descobrimento está invariavelmente além de toda a imaginação. Do mesmo modo que uma criança ainda não nascida não pode conhecer a vida depois do nascimento, pois não tem em sua mente nada para formar uma imagem válida, assim também a mente é incapaz de pensar no real em termos de irreal exceto mediante a negação: “Isto não, aquilo não”. A aceitação do irreal como real é o obstáculo; ver o falso como falso, e abandoná-lo, traz a realidade para dentro do ser. Os estados de total claridade, amor imenso, coragem completa, são meras palavras no momento, perfis sem cor, sinais do que pode ser. Você é como um homem cego esperando ver depois de uma operação – desde que você não a evite! No estado em que estou, as palavras não interessam de forma alguma. Nem há qualquer dependência delas. Só importam os fatos. 

P: Não pode haver nenhuma religião sem palavras. 

M: As religiões documentadas são meros montes de verbosidade. As religiões mostram seu verdadeiro rosto na ação, na ação silenciosa. Para saber no que o homem acredita, observe como ele age. Para a maioria das pessoas, o serviço a seus corpos e mentes é sua religião. Podem ter idéias religiosas, mas não agem de acordo com elas. Brincam com elas, muitas vezes sentem-se muito orgulhosas delas, mas não agirão de acordo com elas. 

P: As palavras são necessárias para a comunicação.

M: Para a troca de informações, sim. Mas a comunicação real entre as pessoas não é verbal. Para estabelecer e manter uma relação afetuosa, requer-se uma Consciência expressa na ação direta. Não o que você diz, mas o que faz é que importa. As palavras são fabricadas pela mente e só são significativas no nível mental. Não pode comer nem viver da palavra “pão” que, meramente, comunica uma ideia. Ela adquire significado apenas com a refeição real. No mesmo sentido, estou lhe falando que o Estado Normal não é verbal. Posso dizer que é o amor sábio expresso na ação, mas estas palavras transmitem pouco, a menos que você as experimente em toda sua plenitude e beleza. As palavras têm sua utilidade limitada, mas não pôr nenhum limite a elas nos leva à beira do desastre. Nossas nobres idéias estão elegantemente equilibradas por ações desprezíveis. Nós falamos de Deus, Verdade e Amor, mas, em lugar de experiências diretas, nós temos definições. Em vez de aumentar e aprofundar a ação, nós cinzelamos nossas definições. E imaginamos que conhecemos o que podemos definir! 

P: Como se pode transmitir a experiência senão por palavras? 

M: A experiência não pode ser transmitida através de palavras. Vem com a ação. Um homem cuja experiência é intensa irradiará confiança e coragem. Outros também agirão, e ganharão a experiência nascida da ação. O ensinamento verbal tem sua utilidade, prepara a mente para esvaziar-se de suas acumulações. Um nível de maturidade mental é alcançado quando nada externo é de algum valor e o coração está pronto para abandonar tudo. Então o real tem uma oportunidade e a aproveita. Os atrasos – se houver algum – são causados pela mente que se recusa a ver ou a descartar. 

P: Estamos tão totalmente sós? 

M: Oh, não! Não estamos. Aqueles que têm podem dar. E tais doadores são muitos. O próprio mundo é um presente supremo, mantido por um amoroso sacrifício. Mas, os adequados receptores, sábios e humildes, são poucos. “Pedi e será dado” é a lei eterna. Tantas palavras você tem aprendido, tantas você tem dito. Você conhece tudo, mas não a si mesmo. Porque o ser não é conhecido através de palavras – apenas a percepção direta o revelará. Olhe dentro de si mesmo, busque no interior. 

P: É muito difícil abandonar as palavras. Nossa vida mental é uma corrente contínua de palavras. 

M: Não é questão de fácil ou difícil. Você não tem alternativa. Ou você tenta, ou não. Depende de você.

P: Tentei muitas vezes e fracassei. 

M: Tente novamente. Se continuar tentando, alguma coisa poderá acontecer. Mas se você não tentar, estará preso. Você pode conhecer todas as palavras adequadas, citar as escrituras e ser brilhante em suas discussões e, mesmo assim, continuar sendo um saco de ossos. Ou pode ser discreto e humilde, uma pessoa totalmente insignificante, todavia resplandecente de amorosa bondade e profunda sabedoria.

Eu Sou Aquilo - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj

Fatos e interpretações

Todo ego confunde opiniões e pontos de vista com fatos. Além disso, nenhum ego consegue estabelecer a diferença entre um acontecimento e sua reação a ele. O ego é sempre um mestre da percepção seletiva e da interpretação distorcida.


Apenas por meio da consciência - e não do pensamento - somos capazes de diferenciar entre fato e opinião. Somente por intermédio da consciência uma pessoa consegue ver o seguinte: esta é a situação e aqui está a raiva que sinto dela. Depois, compreende que existem outras formas de abordar aquela circunstância e maneiras diferentes de entendê-la e de lidar com ela.

Só com o uso da consciência conseguimos ver a totalidade da situação ou da pessoa em vez de adotarmos um ponto de vista limitado.


De "O Despertar de Uma Nova Consciência", Eckhart Tolle

"Porque muitas pessoas passam talvez 70% de suas vidas esperando por algo"

Sabedoria só pode surgir quando você acessa a dimensão do não pensar em você mesmo.

Os homens e mulheres sábios não têm nada que você não tenha.

Ele ou ela estão simplesmente atentos à dimensão da quietude, a dimensão do não pensar. É daí que toda sabedoria surge. O que também está em você.

Então, trazer isso à vida do dia-a-dia, mediante estar atento ao campo interior de energia do corpo. Estar alerta ao senso de percepção, em outras palavras ficar alerta ao presente sem pensamentos.

Algumas vezes ao dia olhe em torno do quarto em que você fica sentado. Isso requer um alto grau de estado de alerta, sim, mas isto está em você.

Então, periodicamente, mesmo que cinco segundos a cada vez, você traz o não-pensar. Não no seu sentido usual, mas aqui o não-pensar implica em mais consciência.

E então você percebe que a compulsão por pensar é somente um hábito profundamente estabelecido.

E não ouça a mente quando ela diz "não tenho tempo para estar no presente agora...". Nem mesmo dez segundos? Não é verdade. Ex.: Você espera o elevador e pressiona o botão. Está você se projetando mentalmente para onde quer chegar, ou está simplesmente ali? Está você imerso em pensamentos ou está usando essa oportunidade para simplesmente estar presente com seu inteiro ser, parado ali não esperando por nada?

Porque muitas pessoas passam talvez 70% de suas vidas esperando por algo. É sempre a próxima coisa a fazer que não foi totalmente terminada ainda. É sempre a próxima coisa a acontecer... "Eu estou esperando por isso...". Por que não usar todo o período de espera para estar presente? Então você entra no elevador e pressiona o térreo... E ele desce... Então há uma vivificação em seu inteiro campo de energia. E é lindo!

(...)

Eckhart Tolle
Vídeo: A Sabedoria na Vida Diária



Temos de enfrentar-nos assim como somos


(...) O que nos cumpre fazer é, segundo me parece, tornar-nos cônscios das condições de nossa existência diária, de nossos infortúnios, nossas angústias, nossa confusão e conflito, e tratar de compreendê-los tão profundamente que possamos lançar uma base adequada, para começar. Não há outra solução. Temos de enfrentar-nos assim como somos e não como deveríamos ser segundo um certo padrão ou ideal. Temos que ver realmente o que somos e, daí, iniciar a transformação radical.

J. Krishnamurti
http://nossaluzinterior.blogspot.com.br/2012/04/temos-de-enfrentar-nos-assim-como-somos.html

Experiências para a evolução da consciência

A vida nos proporcionará todas as experiências que forem as mais úteis à evolução da nossa consciência. Como saberemos que determinada experiência é aquela de que necessitamos? Porque ela será a experiência pela qual estaremos passando no momento.

De "O Despertar de Uma Nova Consciência", Eckhart Tolle

Nossa identidade

Já não extraímos nossa identidade, o sentimento de quem somos, do fluxo incessante do pensamento, que, na antiga consciência, considerávamos ser nós mesmos. E para um indivíduo é uma libertação saber que ele não é aquela "voz dentro da cabeça". Quem ele é então? É aquele que compreende isso. A consciência que é anterior ao pensamento, ao espaço em que este - ou a emoção, ou a percepção sensorial - acontece.

De "O Despertar de Uma Nova Consciência", Eckhart Tolle

Quando você descobre/ reconhece a inconsciência em si próprio

O ato do reconhecimento é em si uma das maneiras pelas quais acontece o despertar. Quando você descobre a inconsciência em si próprio, aquilo que torna o reconhecimento possível é o surgimento da consciência, é o despertar. Você não pode lutar contra o ego e vencer, assim como não consegue combater a escuridão. A luz da consciência é tudo o que é necessário. Você é essa luz. 

De "O Despertar de Uma Nova Consciência", Eckhart Tolle

O Agora

Quando a atenção está concentrada no aqui e agora, passado e futuro desaparece. Eles precisam desaparecer porque: o passado e o futuro só podem existir na mente.

Pense nisso. O passado é uma lembrança.

O futuro é imaginação.

Apenas o agora existe.


Arthur Jeon
Calma no Caos

União com a Alma

Aquele que procura alcançar a União [com a Alma] tem duas coisas a fazer: 

1. Obter o controle da versátil natureza psíquica;

2. Impedir que a mente assuma as diversas formas que tão facilmente assume.

Essas duas coisas produzem o controle do corpo emocional (DESEJO) e o controle do corpo mental (MENTE).

> O desejo incontrolado e uma mente desgovernada vedam a luz da alma e anulam a consciência espiritual.

> Quando a natureza inferior é controlada, a superior pode se manifestar.

> Quando isso é consumado, o Iogue se conhece como realmente é: vê o ego; compreende a verdadeira natureza da Alma; identifica-se com a Realidade Interna e não mais com as formas que a esconde; conquista a consciência espiritual; desperta para o reconhecimento do Deus interno.

De "A Luz da Alma", Tomo I, Alice Bailey

Estágios da Compreensão


" (...) Primeiro, as montanhas e os rios são vistos como montanhas e rios. O sujeito individual identificado está vendo um objeto. Esse é o envolvimento total. Isso é o que a pessoa ordinária faz. 

Segundo, as montanhas e os rios não são mais vistos como montanhas e rios. Os objetos são vistos como sendo a objetivação refletida do sujeito. Eles são percebidos como objetos ilusórios na consciência e, portanto, irreais. 

Finalmente, as montanhas e os rios são mais uma vez vistos como montanhas e rios. Isto é, ao ser despertado, eles são conhecidos como sendo a própria consciência manifestando-se como montanhas e como rios. O sujeito e os objetos não são vistos como separados (...)" 

Estágios da Compreensão - Ramesh 

Dhyana (Meditação)



Para a imensa maioria das pessoas, meditar significa projetar nossa mente em vários cenários e idéias, em um vasto ciclo de imagens e símbolos.

Nas tradições religiosas superiores (sejam estas ocidentais e orientais), meditar é algo bem diferente; na realidade, trata-se da busca de um estado elevado de consciência, visando a comunhão divina.

O grande objetivo é contatar com o “Reino de Deus”, dentro de nossos corações, segundo as mensagens dos Grandes Mestres da Humanidade. “Dhyana é a porta de ouro que, uma vez aberta, conduz ao Reino de Deus. Dhyana (meditação ou contemplação), é a contínua e prolongada corrente de pensamento, dirigida a um determinado objeto, até chegar a se unificar com ele”. (Helena P, Blavatsky).

Na realidade, a meditação tem como objetivo alcançar a Graça, a Sabedoria Divina e a plena felicidade. Se nós efetuarmos um retrospecto da história e da vida dos Grandes Mensageiros da Humanidade, tais como Krishna, Buda, Jesus Cristo e Moisés, iremos comprovar que a grande meta desses elevados Mensageiros era estabelecer o contato com a presença de Deus em seus corações. através da prática da Dhyana. E esse é o grande objetivo do verdadeiro discípulo religioso: estabelecer essa sagrada comunhão espiritual, que nos proporcionará sabedoria e felicidade.

A sede de nosso espírito, de nossa supra-consciência, se encontra no centro de nosso peito, o “Reino de Deus”, onde nós encontramos (em todas as religiões), as imagens dos Avataras com um “sol luminoso” no peito, tradicionalmente conhecido pelos yoguis como chakra anahata.


Dhyana, a meditação, é portal divino 
que nos conduz ao Reino de Deus.

As mensagens dos Grandes Avatares, dirigida a todos os seres, consiste precisamente em orientar os seus discípulos a estabelecer essa sagrada comunhão, a qual sómente será possível através da Dhyana. O conhecimento teórico, a leitura dos textos sagrados, por si só, não pode conduzir o discípulo à realização espiritual.

Essa é a suprema e divina chave que nos conduzirá à sabedoria e à felicidade. Dominar esse turbilhão de pensamentos, através da serenidade mental, imobilidade física e ausência de imagens, são as ferramentas fundamentais para o pleno contato com a Divindade em nossos corações. Se nós observamos a vida dos grandes santos (sejam yoguis, cristãos ,budistas, muçulmanos, judeus e grandes filósofos) iremos comprovar que todos adotaram o mesmo procedimento para a completa realização espiritual.

Sri Vayera Yogui Dasa (Dom Benjmain Guzman Valenzuela) em um magnífico estudo sobre esse tema, nos ensinou:

“Meditar não é pensar, não é articular o pensamento, levando a imaginação  de um lado para outro. Meditar espiritualmente é aquietar a mente, descansando-a, fazendo com que ela repouse em um objeto formoso e agradável . . .essa é a meditação da quietude ou contemplação, para tranquilizar a mente e receber as bênçãos do Sêr Venerado. . esse é um dos benefícios que se alcança mediante a YOGA. As pessoas que seguem esse caminho, cada dia aumentam, com suas almas, as forças espirituais, vibrantes de felicidade.”

Se nós estudarmos a vida dos grandes santos, iremos verificar que o supre- mo objetivo dessas almas era contatar com essa presença divina, a qual se encontra latente em todos os seres. Podemos comprovar também que, em todas as Religiões, esse é o princípio fundamental para a comunhão espiritual.

Sri Vayera, que foi nosso instrutor espiritual, sempre nos transmitiu essa mensagem, a qual é também universal e eterna, adotada em todas as épocas por grandes filósofos, religiosos e sábios.

Todos os grandes seres, que alcançaram a sabedoria divina e o amor universal, nem todos possuíam a cultura escolástica e acadêmica, mas se tornaram grandes sábios e santos, unicamente através da dhyana (meditação). Devemos sempre nos lembrar dos Grandes Missionários da Humanidade, entre eles, Jesus Cristo, que nos transmitiu um sagrado ensinamento espiritual:




“Não busqueis o Reino de Deus 
aqui ou acolá, mas dentro de vós!”.



Concluindo nossa palestra, achamos oportuno transmitir algumas instruções práticas, principalmente para aqueles que estão presentes em nossa reunião e que ainda não pertencem à nossa Organização espiritual,a Suddha Dharma Mandalam. A vivência da Dhyana é de suma importância para todas as pessoas que se encontram interessadas no Caminho Espiritual, independentemente de sua cultura religiosa, seja cristã, budista, muçulmana ou quaquer outra doutrina. Em nossa época, a Ciências acadêmicas já comprovaram também a extraordinária eficácia da prática da meditação diária para todas as pessoas, e seus efeitos extraordinários na saúde física e mental. Com essas considerações, achamos oportuno transmitir a todos os presentes, algumas orientações para se realizar, com êxito, a prática da diária da meditação:

1) Em um cômodo tranqüilo, sem ruídos e com meia-luz, sentar-se em uma cadeira ou poltrona agradável;

2) Fechar suavemente os olhos;

3) Manter a cabeça em linha com a coluna;

4) Respirar suavemente, sem nenhum esforço;

5) Fixar o pensamento entre as sobrancelhas;

6) Colocar o pensamento em um Grande Ser de sua preferência, (Krishna, Buda, Jesus, Moisés etc.)

7) Efetuar seus apelos pessoais e, depois, permanecer em silêncio por alguns minutos.




Sérgio Fonseca B. Barretto

Palestra proferida em Florianópolis-SC, no IX Congresso da SUDDHA DHARMA MANDALAM, em Julho/2008
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