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União com a Alma

Aquele que procura alcançar a União [com a Alma] tem duas coisas a fazer: 

1. Obter o controle da versátil natureza psíquica;

2. Impedir que a mente assuma as diversas formas que tão facilmente assume.

Essas duas coisas produzem o controle do corpo emocional (DESEJO) e o controle do corpo mental (MENTE).

> O desejo incontrolado e uma mente desgovernada vedam a luz da alma e anulam a consciência espiritual.

> Quando a natureza inferior é controlada, a superior pode se manifestar.

> Quando isso é consumado, o Iogue se conhece como realmente é: vê o ego; compreende a verdadeira natureza da Alma; identifica-se com a Realidade Interna e não mais com as formas que a esconde; conquista a consciência espiritual; desperta para o reconhecimento do Deus interno.

De "A Luz da Alma", Tomo I, Alice Bailey

"Só em liberdade podemos descobrir o que é o verdadeiro, o que é Deus"

Consideremos a crença em Deus, a crença em algo, é religião. Pensamos que crer é ser religioso. Compreende?

Se não acreditamos, nos considerarão ateus, seremos condenados pela sociedade. Uma sociedade condenará os que acreditam em Deus, e outra sociedade condenará aos que não acreditam. Ambas são a mesma coisa.

Assim, pois, a religião se torna uma questão de crença; e a crença atua e exerce sua influência sobre a mente.

Desse modo, a mente jamais pode ser livre. Porém, só em liberdade podemos descobrir o que é o verdadeiro, o que é Deus; não podemos fazê-lo mediante nenhuma crença, porque nossa própria crença projeta o que pensamos que deve ser Deus, o que pensamos que deve ser a verdade.

Krishnamurti
http://nossaluzinterior.blogspot.com.br/2012/02/mais-alem-da-crenca.html

Os três aspectos do homem

Um dos principais meios pelos quais o homem chega a uma compreensão daquela grande totalidade à qual chamamos de Macrocosmo - Deus, funcionando através de um sistema solar - é pela compreensão de si próprio (...). 

Através da Lei da Analogia, ou das correspondências, os processos cósmicos e a natureza dos princípios cósmicos são indicados nas funções, estrutura e características de um ser humano. São indicadas mas não explicadas ou elaboradas. Servem simplesmente como sinais na estrada (...). 

A compreensão da triplicidade do espírito, alma e corpo permanece, todavia, além do alcance do homem, mas uma idéia quanto às suas relações (...) pode ser indicada por uma apreciação do homem a partir do seu aspecto físico e seu funcionamento objetivo. 

Há três aspectos do organismo humano que são símbolos, e somente símbolos, dos três aspectos do ser. 

1. A energia, (...) que se retira misteriosamente na morte, retira-se parcialmente nas horas de sono ou da inconsciência, e que parece usar o cérebro como sua sede principal de atividade e daí dirigir o funcionamento do organismo. 

Esta energia tem uma relação direta primária as três partes do organismo a que chamamos cérebro, coração e aparelho respiratório. Este é o símbolo micro cósmico do espírito. 

2. O sistema nervoso, com sua complexidade de nervos, (...) para produzir a resposta sensitiva que existe entre os muitos órgãos (...), também para o tornar consciente do, e sensível ao, meio que o cerca. Esta aparelhagem sensorial inteira é a que produz a conscientização organizada e a sensibilidade coordenada do ser humano, primeiro dentro dele mesmo como uma unidade e, secundariamente, capacidade de resposta e estrutura nervosa, coordenando, correlacionando e produzindo uma atividade grupal externa e interna. 

(...) Ele está intimamente associado com o aspecto energia, sendo o instrumento utilizado por aquela energia para vitalizar o corpo, para produzir sua atividade e funcionamento coordenados e para conseguir um relacionamento inteligente com o mundo no qual tem de participar. 

(...) Por sua vez, é motivado e controlado por dois fatores: 

a) A totalidade da energia que é a quota individual da energia vital. 

b) A energia do meio ambiente na qual o indivíduo se encontra e na qual tem de atuar e desempenhar seu papel. 

Este sistema nervoso coordenador (...) é o símbolo, no homem, da alma, e uma forma e exterior de uma realidade espiritual interior. 

3. Há, finalmente, o que poderia ser descrito como o corpo, a totalidade de carne, de músculos e de ossos que o homem vai carregando, correlacionados pelo sistema nervoso e tonificados pelo que vagamente chamamos sua "vida". 

Nestes três, a vida, o sistema nervoso e a massa corporal, nós achamos o reflexo e o símbolo do todo maior, e por um detalhado estudo destes e uma compreensão de suas funções e relações grupais, podemos chegar a uma compreensão de algumas das leis e princípios que dirigem as atividades de "Deus na natureza" - uma frase, sublimemente verdadeira e igualmente finitamente falsa. 

Os três aspectos da divindade, a energia central, ou espírito; a força coordenadora, ou alma, e aquela que estas duas usam e unificam são, na realidade, um princípio vital se manifestando na diversidade.

Estes são os Três em Um, o Um em Três, Deus na natureza e a própria natureza em Deus. 

Transportando o conceito, à guiza de ilustração, para outros reinos do pensamento, esta trindade de aspectos pode ser vista atuando:

>  no mundo religioso como o ensinamento esotérico, a simbologia e doutrinas fundamentais das grandes religiões mundiais e das organizações exotéricas;

> no governo, ele é a totalidade da vontade do povo seja ela qual for, as leis formuladas e a administração exotérica; 

> na educação, é a vontade de aprender, são as artes e ciências e os grandes sistemas educacionais exotéricos; 

> na filosofia, é a sede de sabedoria, são as escolas de pensamento inter-relacionadas e a apresentação exterior dos ensinamentos. 

Assim esta eterna triplicidade percorre cada departamento do mundo manifestado, seja visualizada como aquilo que é tangível, ou como aquilo que é sensível e coerente, ou o que é tonificante. É aquela atividade inteligente que foi desajeitadamente chamada conscientização, é a capacidade de estar consciente, envolvendo, como faz a resposta sensitiva ao meio ambiente e o dispositivo daquela resposta, a divina dualidade da alma; é finalmente a totalidade daquilo que é conhecido e que se contata; é aquilo do qual o aparelho sensitivo se toma consciente. Esta, como veremos mais tarde, é uma compreensão gradualmente crescente, deslocando-se sempre para os ramos mais internos e mais esotéricos.

De Um Tratado sobre a Magia Branca - Tomo I - Alice Bailey

Sobre a crença em Deus


Pergunta: A crença em Deus foi sempre poderoso incentivo para uma vida melhor. Por que negais a Deus? Por que não procurais reanimar a fé do homem na ideia de Deus?

Krishnamurti: Consideremos este problema com amplitude e de maneira inteligente. 

Eu não nego Deus; seria absurdo fazê-lo. Só o homem que não conhece a realidade se entretém com palavras sem significação. O homem que diz que sabe, não sabe. O homem que conhece a realidade, momento por momento, não tem meios de comunicar essa realidade. A crença é negação da verdade, a crença é um obstáculo à verdade.

Crer em Deus não é achar a Deus. Nem o crente nem o descrente acharão a Deus. 

Porque a realidade é o desconhecido, e vossa crença ou descrença do desconhecido é simples autoprojeção, e por conseguinte não é real. Sei que credes e sei que isso tem muito pouca significação na vossa vida. Há muitas pessoas que crêem; milhões crêem em Deus e encontram consolo nisso. Em primeiro lugar, por que credes? Credes porque isso vos dá satisfação, consolo, esperança, e dizeis que essas coisas dão sentido à vida. Na realidade, vossa crença tem muito pouca significação, porque credes e explorais. Credes e matais, credes em um Deus universal e vos assassinais mutuamente. O rico também crê em Deus; explora impiedosamente, acumula dinheiro, e depois manda construir uma igreja ou se torna filantropo. Os homens que lançaram a bomba atómica sobre Hiroxima disseram que Deus os acompanhava; os que voavam da Inglaterra para destruir a Alemanha, diziam que Deus era seu co-pilôto. Os ditadores, os primeiros ministros, os generais, os presidentes, todos falam de Deus e têm fé imensa em Deus. Estão prestando algum serviço tornando melhor a vida do homem? As mesmas pessoas que dizem crer em Deus, devastaram a metade do mundo, e o deixaram em completa miséria. A intolerância religiosa, dividindo os homens em fiéis e infiéis, conduz a guerras religiosas. Isso mostra nosso estranho senso político. 

A crença em Deus é "poderoso incentivo para uma vida melhor" ? Por que precisais de um incentivo para viver melhor? Ora, por certo, vosso incentivo deve ser vosso próprio desejo de viver com pureza e simplicidade, não achais?

Se conferis tanta importância ao incentivo, não estais interessado em tornar a vida possível para todos: estais interessado unicamente no vosso in­centivo, que é diferente do meu incentivo — e brigaremos por causa dos nossos incentivos.

Se vivemos felizes e unidos, não porque cremos em Deus, mas porque somos humanos, compartilharemos os diferentes meios de produção, a fim de produzirmos, para todos, as coisas necessárias. Em virtude da nossa falta de inteligência, aceitamos a ideia de uma superinteligência, a que chamamos Deus; mas esse Deus, essa superinteligência, não nos dará uma vida melhor. O que conduz a uma vida melhor é a Inteligência; e não pode haver inteligência se há crenças, se há divisões de classes, se os meios de produção se encontram nas mãos de poucos, se há nacionalidades isoladas e governos soberanos. 

Tudo isso indica, por certo, evidente falta de inteligência, e é isso que nos está privando de uma vida melhor, e não a falta de crença em Deus. 

Todos vós credes, de diferentes maneiras, mas vossa crença não tem realidade alguma. A realidade é o que sois, o que fazeis, o que pensais, e vossa crença em Deus é apenas uma fuga do vosso viver monótono, estúpido, e cruel. 

Além disso, a crença, invariavelmente, separa os homens: temos o hinduísta, o budista, o cristão, o comunista, o capitalista, etc. A crença, a ideia, divide, não une os homens. Será possível unir certo número de pessoas em um grupo, mas este grupo se oporá a outro grupo. Ideias e crenças nunca são unificadoras, ao contrário, são fatores de desavença, desintegração e ruína. Por conseguinte, vossa crença em Deus só está, na verdade, espalhando misérias pelo mundo. Ainda que vos tenha trazido momentâneo conforto, na realidade ela trouxe mais sofrimentos e mais destruição, sob a forma de guerras, fome, divisões de classe, e as crueldades de certos indivíduos. Vossa crença, pois, é sem eficácia. 

Se deveras crêsseis em Deus, se isso fosse uma experiência real, vossos semblantes irradiariam afeto, e não estaríeis destruindo vossos semelhantes. Mas, que é a realidade, que é Deus? Deus não é a palavra; a palavra não é a coisa. 

Para conhecer aquilo que é imensurável, independente do tempo, a mente deve estar livre do tempo, o que significa que deve estar livre de todo pensamento, de todas as ideias relativas a Deus. Que sabeis de Deus ou da verdade? De fato nada sabeis daquela realidade. O que conheceis são só palavras, experiências de outrem, ou alguns momentos de experiências um tanto vagas, de vós mesmos. Isso, naturalmente, não é Deus, não é a realidade, não está fora da esfera do tempo. 

Para conhecer o que está além do tempo, é preciso compreender o processo do tempo, sendo o tempo pensamento, processo de "vir a ser", acumulação de conhecimentos. Aí está todo o fundo que constitui a mente; a mente, ela própria, é o fundo, consciente e inconscientemente, coletiva e individualmente. A mente, por conseguinte, deve estar livre do conhecido, o que significa que deve estar de todo silenciosa, sem ter sido posta em silêncio.

A mente que alcança o silêncio como resultado, como consequência de determinada ação, exercício, disciplina, não é mente silenciosa. A mente que é constrangida, controlada, moldada, posta numa forma e obrigada a ficar quieta, não é mente tranquila. Podeis conseguir, por certo período de tempo, forçar a mente a um silêncio superficial, mas essa mente não é tranquila. A tranquilidade só pode vir quando se compreende todo o processo de pensamento, porque, compreender o processo é pôr-lhe fim, e o fim do processo de pensamento é o começo do silêncio. 

Só quando a mente se acha em silêncio completo, não só na superfície, mas no fundo, de ponta a ponta, tanto nos níveis superficiais como nos níveis mais profundos da consciência — só então pode o desconhecido manifestar-se na existência. 

O desconhecido não é passível de ser experimentado pela mente; só o silêncio pode ser experimentado; nada mais senão o silêncio. Se a mente experimenta algo que não seja silêncio, está apenas projetando seus próprios desejos e portanto não está em silêncio; enquanto a mente não está silenciosa, enquanto o pensamento, sob qualquer forma, consciente ou inconsciente, se acha em movimento, não pode haver silêncio. Silêncio é liberdade, é estar livre do passado, do saber, da memória, tanto consciente como inconsciente.

Quando a mente está silenciosa de todo, quando não está em uso, quando há o silêncio que não é produto de esforço, só então se manifesta o atemporal, o eterno. Esse estado não é um estado de lembrança; não há nele entidade que se recorda, que experimenta. Por consequência, Deus ou a verdade — ou como quiserdes chamá-lo — é algo que se manifesta de momento a momento, e isso só pode acontecer num estado de liberdade e espontaneidade, e não quando a mente foi disciplinada, de acordo com uma padrão. 

Deus não é produto da mente, não é resultado de autoprojeção; só pode surgir quando há virtude, que é liberdade. Virtude é enfrentar o fato, o que é. E enfrentar o fato é um estado de bem-aventurança. Só quando a mente está repleta de felicidade, tranquila, imóvel, sem nenhuma projeção de pensamento, consciente ou inconsciente — só então se manifesta o Eterno. 

 Krishnamurti
A Primeira e Última Liberdade
http://nossaluzinterior.blogspot.com/2010/02/sobre-crenca-em-deus.html

Como bambu



O menino, depois de uma tempestade violenta, saiu na varanda da fazenda e gritou para o avô:

- Vô! Vem aqui, vô! Como o senhor explica essa figueira, que era árvore que gastava 4 homens para abraçar seu tronco, como é que essa figueira tombou, vô? O vento derrubou a figueira, vô! E como é que aquele pezinho de bambu tão fininho não caiu, vô?

O vô o pôs no cangote e o levou à figueira.

- Nossa, vô! Ela está oca! 
- É, com o tempo a figueira foi ficando oca... 
- Vô, mas não parecia!
- É por causa da casca, filho. Tinha uma casca muito grande... A gente não via, a gente olhava para a figueira e ela estava lá, “metidona”, “poderosa”... 
- É vô... Mas o bambú também é oco... 
- Então vem cá... 

Lá no bambu, bambuzinho pequenininho, o avô disse: “Primeira diferença, o bambu sabe que que é oco desde pequeno".

Primeira coisa que o bambu ensina pra mim e pra você: desde pequeno a gente é oco. 
Vazio para poder encher de Deus. Quanto mais eu me esvaziar, mais cheio de Deus e do Espírito Santo. 

Segunda coisa que o bambu nos ensina: a nossa vocação é o céu.
Enquanto as gramíneas se arrastam, o bambu, sendo gramínea, sobe, porque ele tem uma meta. Todo bambu cresce para o alto, sempre buscando o alto.

Terceira coisa: se ele quer crescer muito, ele tem que ter raízes profundas. 
Se eu quero chegar lá no alto, eu preciso ter raízes sadias, curadas. Raízes é aquilo que temos escondido (os vícios). Eu devo deixar a graça de Deus, a graça da cura, penetrar as minhas raízes. A raiz é alimentada pela leitura contínua da palavra de Deus. A raiz é alimentada por um grupo que me dá sustento, que me fortalece.

Quarta coisa: bambu não cresce para o lado, não cria galho. 
Se eu quero ter a graça de crescer para cima, eu não devo criar galho. Criar galho significa dispersar nossos dons, dispersar nossos talentos em coisa que não devemos.

Quantas pessoas se enroscam na vida porque estão sempre amarrados? Amarrado com Fulano, com Ciclano, com a falsa amizade... ‘Ah, eu tenho que ir lá porque sabe como é, né? A vida em sociedade, eu tenho que ir...”. Tenho que ir coisa nenhuma! Eu vou se eu quiser. A gente vai criando tanto galho, depois vive quebrando galho. A pessoa se divide. Tem tanta coisa pra fazer, tanta galhada! Corte as galhadas.

Porque quanto menos galho eu tiver, menos dolorosa será a poda.

Os galhos significam as coisas que a gente vai acumulando. Já percebeu quanta coisa a gente tem que a gente não precisa para viver? E vai se apegando...

Nós estamos aqui de passagem. Se você quiser crescer para o alto, corte a galhada. Canalize.

Crescer para o alto e cortar os galhos significa: investir a minha vida. E isso vale para tudo. Quantas famílias estão cheias de dívidas porque não se unem. Cortem o galho, cortem o supérfluo!

O galho cresce aqui, gruda lá, aí aquilo parece que já faz parte do galho e tem que proteger aquilo... E aí vai ficando pesado, o galho vai ficando muito grande, e bicho começa a fazer ninho, e cobras e lagartos, e vai apodrecendo. E a pessoa tenta proteger os galhos! Corte os galhos.

Alguns de nós somos uma galhada enorme. Tem pessoas que quando chegam no lugar você já nota aquela galhada chegando.

Quinta coisa: olhe bem de perto para o bambu. Já viu que ele é cheio de nozinhos? Não é o nó que enfeia o bambu. É o nó que dá resistência ao bambu. 
Por isso que lá embaixo os nós estão mais próximos. Nó significa cada etapa que eu venço, cada problema da minha vida que eu supero.

Se o bambu não tivesse nó ele seria lindo, pareceria um cano de PVC. Mas na primeira ventania racharia de cima até embaixo. É o nó que dá resistência ao bambu e o faz ser forte e firme!

Cada nozinho significa um problema resolvido. Cada vez que eu supero um desafio, cada vez que eu perdoo alguém que me machucou, cada vez que eu peço perdão a alguém que eu machuquei, cada vez que eu faço um pequeno jejum, é um nozinho que vai se solidificando... E o bambu vai ficando tão forte que na China eles fazem ponte com bambu para passar caminhão de guerra, fazem escadas e edifícios.

Uma coisa muito importante: problemas todos nós temos. Eles precisam ser assimilados, ao invés de fugirmos dos problemas. O mundo de hoje ensina você a fugir do problema. "Tome um gole de cachaça que passa!", "toma um doril a dor sumiu!"... Não! Jesus está dizendo para você: "Supere os problemas, eu estou aqui para mostrar como".

Você precisa ter a humildade do bambu de se enraizar no chão e cada dia viver como um dom de Deus (por isso ele ensina: ‘o pão nosso de cada dia’). O bambu tem nós, e nós significam etapas. Uma longa caminhada se faz com pequenos passos. Problemas a gente tem que solucionar um de cada vez. "Ai, padre, eu tenho 30 pratos pra lavar!" . Você nunca lavou 30 pratos. Você lava um, depois um, depois um, depois um...

Os nós são aquilo que fortalece o bambu.

Sexta coisa: olhe bem para esse bambu... Ele está sozinho? Não. A primeira coisa que o bambu faz quando começa a crescer: ele deixa o vento jogar uma sementinha do lado, e outra do lado, e outra... E esse vento é do Espírito. Bambu só cresce em touça.
Por isso, quando você olha de longe, uma touça de bambu é maior que uma figueira, maior que uma árvore. E essa touça é tão grudada porque:

Primeiro: nenhum deles tem galho.
Segundo: todos eles têm raízes profundas.
Terceiro: todos eles estão crescendo para cima.
Quarto: todos eles sabem que são ocos.
Quinto: todos eles vão se grudando um no outro porque aprenderam a fazer isso consigo mesmo. Quem aprendeu a superar os nós vai aprendendo agora a se apoiar um no outro. Um bambu apoia a si mesmo pelos nós (problemas superados) e agora se apoia em quem está ao lado.

Sétima coisa: o menininho desceu do cangote do avô, que pegou a ponta do bambu, entortou até o chão, soltou e o bambu voltou. "Meu filho, aprenda com o bambu a ter a humildade de se curvar na hora da tempestade".
A touça tem que se curvar, a família tem que se curvar, a comunidade tem que se curvar.


Como Bambu no Getsêmani
Palestra proferida pelo Padre Léo em campamento na Comunidade Canção Nova



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