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Cultivando o amor bondade (metta)


O tipo de amor bondade que queremos cultivar não é o amor comum tal como é entendido no uso diário.

Quando você diz, por exemplo, "eu amo tal pessoa" ou "tal coisa", o que você realmente está querendo dizer é que você deseja a aparência, comportamento, idéias, tom da voz ou a atitude em geral daquela pessoa, em relação a você particularmente, ou em relação à vida de forma geral. Se aquela pessoa mudar as coisas pelas quais você a deseja, você poderá decidir que não a ama mais. Se as preferências, caprichos e fantasias das pessoas mudarem, elas não mais dirão "eu amo tal pessoa".

Nessa dualidade de amor-ódio você ama uma pessoa e odeia outra. Você ama agora e odeia depois. Você ama quando quiser e odeia quando quiser. Você ama quando tudo está bem e sem problemas e odeia quando alguma coisa dá errado no relacionamento entre você e a outra pessoa.

Se o seu amor muda dessa forma de tempos em tempos, de lugar em lugar e de situação para situação, então o que você chama de "amor" não é metta mas sim desejo, cobiça ou luxúria - de nenhuma forma isso é amor.

O tipo de amor bondade que queremos cultivar através da meditação não possui um oposto ou um motivo velado. Assim, a dicotomia amor-ódio não se aplica ao amor bondade cultivado através da sabedoria ou da atenção plena, pois ele nunca irá se transformar em ódio à medida que as circunstâncias mudarem.

O verdadeiro amor bondade é uma faculdade natural que está oculta sob o amontoado de desejo, raiva e ignorância. Ele não pode ser dado. Nós precisamos encontrá-lo dentro de nós mesmos e cultivá-lo com a atenção plena.

A atenção plena o descobre, cultiva e mantém. A consciência do "eu" (ahankara) se dissolve com a atenção plena e o seu lugar é tomado pelo amor bondade isento de egoísmo.

Bhante Henepola Gunaratana
http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/metta_bhanteg.php

Meditação: invista tempo e energia. Aprenda a lidar com o sofrimento.




A dor é inevitável, mas o sofrimento não. Dor e sofrimento são dois animais  diferentes.

Caso uma daquelas tragédias se abater sobre seu estado de mente atual, você  sofrerá. O padrão habitual que atualmente controla  sua mente lhe prenderá naquele sofrimento e não haverá saída.

Um pouco de tempo gasto para aprender alternativas àqueles  padrões habituais será um bom investimento de tempo. A maioria dos seres humanos gasta  suas energias inventando maneiras de aumentar o prazer e diminuir a dor. O Budismo não  aconselha que se pare totalmente com todas essas atividades. Dinheiro e segurança está  bem. A dor deve ser evitada sempre que possível. Ninguém está dizendo a você doar todas
as suas posses e buscar desnecessárias dores, mas o Budismo lhe aconselha a investir parte  do seu tempo e energia aprendendo a lidar com o desprazer, porque alguma dor é inevitável. 

Vendo um caminhão vindo para cima de você, pule para fora da estrada de qualquer  maneira. Mas gaste algum tempo também em meditação.

Aprender a lidar com o desconforto é o único caminho para preparar-se para manejar a situação do caminhão que você nem tinha visto.


Problemas aparecerão na sua prática. Alguns deles serão físicos, outros emocionais,  e alguns serão de atitudes Todos podem ser enfrentados e cada um tem uma resposta especifica. Todos são oportunidades de se libertar.


Bhante Henepola Gunaratana

Conheça a armadilha para sair dela



É essencial aprender a confrontar-se com os aspectos menos agradáveis da  existência.

Nosso trabalho como meditantes é aprender a ser pacientes conosco mesmos, nos ver de uma maneira imparcial, completa, com todo nosso sofrimento e inadequação. Temos  que aprender a ser bondosos conosco. A longo prazo, evitar o desagradável é uma coisa  cruel contra você mesmo.  Paradoxalmente, bondade implica em um confronto com o desagradável, quando ele aparece.

Uma das mais populares estratégias humanas para lidar  com as dificuldades é a auto-sugestão: quando algo  ruim sobrevêm, você convence a si  mesmo que ele não está ali, ou se convence que ele é mais agradável do que desconfortável.

A tática do Buda é o oposto. Ao invés de esconder ou disfarçar, o ensinamento do Buda encoraja-o a examinar exaustivamente. O Budismo aconselha-o a não acrescentar sensações  que na verdade não tenha e a não evitar sensações que você tenha. Se é miserável você é  miserável; esta é a realidade, isto é o que está acontecendo, então se confronte com isto.  Olhe de frente, sem hesitar. Quando estiver tendo um tempo ruim, ruim é isto, observe  atentamente, estude o fenômeno e aprenda seu mecanismo.


O jeito de se escapar de uma  armadilha é estudar a própria armadilha, aprender como ela foi construída. Você faz isto tomando a coisa em separado, peça por peça. A armadilha não poderá lhe pegar se tiver sido
examinada parte por parte. O resultado é liberdade.


Bhante Henepola Gunaratana
A Meditação da Plena Atenção,  Tradução da equipe da Casa do Dharma

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