Mostrando postagens com marcador Ação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ação. Mostrar todas as postagens

Despertar requer Prática


Nossa essência intrínseca é um estado da maior simplicidade, embora durante o processo de se revelar tenhamos de trabalhar com a complexidade e a confusão de nossas mentes, como elas são (estão) no presente.

Pode parecer que ensinamentos como esse na verdade encorajem a não meditar ou fazer qualquer tipo de prática. Entretanto, as vidas dos grandes mestres dzogchen mostram que eles passaram muitos anos em retiro e fizeram esforços tremendos, antes que atingissem o estado espontâneo da consciência natural. Em adição, suas biografias revelam que tiveram uma fé e uma devoção extraordinárias a seus gurus e grande respeito por todos os estágios do caminho.

Podem existir algumas poucas pessoas que, como resultado de práticas de vidas anteriores, possam penetrar direto na essência em um curto período de tempo, mas a grande maioria de nós precisa passar por um período mais longo de preparação. Para se basear no estado de não-meditação e não-perturbação [não-distração], precisamos praticar a meditação convencional primeiro, senão apenas permanecemos sob a influencia da perturbação/distração, quer estejamos conscientes disso ou não. Como diz o texto:

Todos os seres são na realidade a essência desperta,
Mas sem praticarem de fato eles não irão despertar.

Francisca Fremantle
VAZIO LUMINOSO
http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=1170

O Segredo da Ação (Karma)


O homem ideal é aquele que  em meio do maior silêncio e solidão encontra atividade intensa, e em meio da maior atividade sente o silêncio e a tranquilidade do deserto. Um homem assim aprendeu o
segredo da restrição:  governa-se  a  si  mesmo.

Enquanto  anda  pelas  ruas  de uma grande cidade repleta de tráfico, sua mente está  tranquila como  se  estivesse  em  uma  caverna  aonde  não  pudesse  chegar um único som, e trabalha intensamente todo o tempo.

Este é o ideal  do  Karma-Yoga,  e  se  o  tiverdes  alcançado, tereis  aprendido realmente o segredo da ação.

Swami Vivekananda
Karma-Yoga

"Marta e Maria são facetas de uma mesma pessoa"



(...) Quem se havia afastado do mundo para melhor compreender sua real identidade, estando já definitivamente livre dos apegos e das ilusões, volta ao convívio social para trabalhar com redobrado vigor em prol de todos os seres. A experiência mística só se completa e se confirma pelo serviço desinteressado. É a faceta Marta que se ativa na alma. 

Nes­te passo do livro, Santa Teresa reabilita a figura evangélica de Marta, irmã de Maria. Em Lucas, 10:38-42, lemos que Marta hospedou Jesus em sua casa, e sua irmã, Maria, quedou-se assentada aos pés do Mestre a ouvir-lhe os ensinamentos, enquanto Marta agitava-se de um lado para outro, fazendo os preparativos para bem servir ao convidado ilustre, até que pediu ao Divino Mestre que ordenasse à irmã fosse ajudá-la a pôr a mesa. Ao que Jesus respondeu: "Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada". 

Pelo diálogo, tem-se a impressão de que o Mestre reprovou Marta e elogiou Maria, vale dizer, exaltou a contemplação e deu pouca importância ao trabalho. Teresa de Ávila, no entanto, dá interpretação mais adequada à passagem bíblica: Maria, a contemplativa, não é mais importante do que Marta, a laborativa, porque no grande castelo da alma, "Marta e Maria hão de andar juntas para bem hospedar o Senhor, e tê-lo sempre consigo". Enfaticamente, pergunta a autora: 


Como Maria, assentada sempre aos pés do Mestre, lhe poderia 
dar boa hospedagem se a irmã Marta não a ajudasse?

De fato, sem Marta, não há regalos, não há festa, não há boa hospedaria. Marta e Maria são facetas de uma mesma pessoa. O verdadeiro místico não se limita a contemplar, mas age e age sempre para o melhoramento do mundo. Contemplação e trabalho se unem na personalidade mística. Da mesma forma como a fé sem obras é morta, a contemplação sem a ação perde muito de seu valor. Diz-se mesmo que a missão do místico é trazer os céus à Terra para que esta se transforme em paraíso. 

Para completar, portanto, ascensão da alma, é mister o serviço desinteressado porque de nada vale represar o amor extraordinário que existe na alma de todo ser humano. Além disso, a melhor parte, a que se refere Jesus, vem depois de muito trabalho e mortificação. É notório naqueles que atingem a iluminação o desejo de trabalhar para melhorar o mundo. Foi assim com Sidarta Gautama que tendo-se afastado do mundo por seis anos em disciplina ascética, voltou iluminado para ensinar a humanidade a livrar-se do sofrimento, exercendo seu magistério durante 45 anos. Foi assim com Jesus que, iluminado nas águas do Jordão, não deixou nenhum dia sequer de pregar, ensinar, curar os enfermos e ressuscitar os mortos. Foi assim com Paulo de Tarso: depois da conversão, não deixou de trabalhar, enfrentando perigos e tormentas para pregar a boa nova, além de prover o próprio sustento como tecelão. Assim também com o seráfico Francisco de Assis, que trabalhava manualmente, consertando igrejas, além de ministrar a palavra de conforto aos doentes e sofredores. E foi assim, também, com Santa Teresa: após sua iluminação, em idade madura, não descansou um minuto sequer, fundando e administrando conventos e atuando como reformadora e mestra espiritual, para o que teve de realizar viagens em condições precárias para diversos pontos da Espanha. 

O Castelo Interior: Um Passeio pelas Moradas de Teresa de Ávila - Análise da experiência mística de S. Teresa de Ávila, relatada por ela mesma, em sua obra de 1577. 
Sergio Carlos Covello
http://www.teosofia-liberdade.org.br/index.php/arquivos/artigos/44-artigos/194-o-castelo-interior-um-passeio-pelas-moradas-de-teresa-de-avila.html

Ajudar Pessoas e a Vida: Como Fazê-lo de Forma Definitiva?



De que maneira podemos ajudar as pessoas ou a vida de uma maneira geral? 

Segundo consta, existem várias maneiras de fazer isto. Por exemplo, pode-se ajudar as pessoas a “serem felizes” como mostrado aqui, ou seja, “Seja feliz fazendo com que os outros sejam felizes”. Em geral, esta idéia é apresentada dizendo que nossos sonhos de felicidade se realizarão se ajudarmos os outros a realizarem os seus sonhos.

Mais claramente, nestas palavras esconde-se a preocupação e o medo da não realização dos sonhos, o que condiciona o ato da ajuda, na crença de que a obtenção do que se sonha realmente trará a felicidade. No entanto, isto não acontece, pois a felicidade individual não depende de nada que é externo. Ela, por si só, é o caminho e não o fim.

Outro exemplo é a da ajuda emotiva e comovente a catástrofes naturais e acontecimentos assemelhados. Neste caso a sensação de incômodo por trás destes, criam ajudas humanitárias que muitas vezes escondem sentimento de culpa, uma vez que a própria sociedade em seus princípios e valores dizimou e tem dizimado muito mais vidas que qualquer catástrofe natural.

Para isto, basta compreender o verdadeiro significado das guerras e da miséria, como também seus reais motivos. Em geral, a idéia por trás deste tipo de ajuda é a de “sinto-me feliz e bondoso por ter ajudado pessoas”. Estes sentimentos levam uma forma de alívio a um sentimento de incômodo interior pela percepção de uma situação desagradável que não se deseja a si ou a qualquer ente querido.

Então, mais uma vez, o sentimento de medo por trás deste incômodo gera o ato da ajuda, tornando-nos condicionados a ele. Este condicionamento nos aprisiona e nos torna facilmente manipuláveis. O medo, de certa forma, está presente nestes atos, o que precisa ser revisto com cuidado para que realmente se possa ajudar mais positivamente a vida de uma maneira geral, neste mundo.

Isto não quer dizer que não se deva ajudar pessoas ou vidas que venham a precisar, mas sim, dizer que qualquer que seja a ajuda realizada por condicionamento, ela não contribui para consciência de quem realmente se é, ou auto-conhecimento, para que se desencadeie a transformação para um mundo melhor.

Ao contrário, esta ajuda que trabalha num jogo de sentimentos que resulta de ação e reação não busca uma consciência, visão e uma verdadeira compreensão dos acontecimentos do mundo. Ela não traz a compreensão individual de quem se é, para, a partir daí, entender e compreender a natureza e toda a vida existente num sentido mais amplo.

É por isso que as guerras e a miséria acontecem, tirando a vida de milhares de seres, sendo que as pessoas preferem não pensar sobre estes acontecimentos.

É por isso que se acha uma atitude desumana os maus tratos a um animal de estimação, quando “admite-se como normal”, a morte, maus tratos, subjugação e toda a violência gerada a outros animais sencientes de vidas como as nossas, por interesses individuais do ser humano.

É neste aspecto que qualquer forma de ajuda condicionada pelo medo jamais trará consciência da verdadeira importância da vida no sentido geral, para que, assim, este ato tenha uma abrangência maior a todos os seres do mundo de maneira a dizimar toda e qualquer forma de violência que tanto sofrimento tem causado.

Baseado nisto sobre ajudar pense o seguinte:

Não se deixe levar por emoções e comoções generalizadas ou massificadas que sejam promovidas por meios de comunicação, ou instituições parecidas, que nitidamente tentam explorar a fraqueza presente em nossos medos para manipular e conseguir realizar seus próprios interesses. Perceba que não é a emoção que identifica a verdadeira necessidade da ajuda, mas sim, a compreensão e a consciência do valor da vida e da natureza em toda sua forma.

Deste jeito, a ajuda tem um sentido verdadeiro de amor que não faz perder a visão sobre os problemas e causas que ocorrem neste presente momento, no mundo.

Lembre-se que a melhor forma de ajuda que podemos dar às pessoas é aquela que pode levá-las a paz e a serenidade para uma melhor compreensão de si mesmas, e assim, promover suas próprias evoluções naturais como seres vivos.

A ajuda material tem sua importância e é algo pode de ser feito de maneira natural sem que se perca a compreensão e consciência de todas as realidades que provocam dor e sofrimento no mundo. Ou seja, a mudança para um mundo melhor não depende apenas da ajuda material que sempre tem um caráter provisório, mas, antes de mais nada, da visão aberta para o mundo presente com todos seus problemas, sabendo que a solução começa na mudança individual de cada um pelo reconhecimento de seu próprio ser. A consciência trazida pela manifestação natural de quem se é provoca mudanças individuais que levam em conta o verdadeiro valor da vida e da natureza, promovendo a paz e o amor entre todos os seres.

Enfim, não deixe o medo comandar a atitude da ajuda. Perceba a existência dele. Ao ser tomado pelas emoções trazidas por estes acontecimentos tristes, observe-se atentamente sem julgamento ou qualquer forma de pensamento. Apenas se observe e nada mais. Num dado momento ele vai cessar. Ao fazer isto, você está se conectando ao seu interior e a algo profundo em você. Longe do condicionamento da presença do medo, verifique se o que aconteceu podia ser evitado.

Se sim, pergunte-se quais as mudanças pode realizar em você mesmo para colaborar com o fim destes acontecimentos. Vá mais longe e questione-se sobre outras formas de acontecimentos deste tipo no presente momento que causam dores e sofrimentos às varias formas de vidas sencientes no mundo. E novamente verifique quais as mudanças que pode efetuar em você mesmo para colaborar com o fim destes acontecimentos.

Estas mudanças são o tesouro e verdadeira ajuda para um mundo melhor. Nelas há impregnado um princípio de consciência que não pode ser manipulado, pois ele é fruto da verdadeira liberdade de pensar que vem do interior. A ajuda que vem destas mudanças são verdadeiramente significativas e definitivas. Consciente de tudo isso, caso queira, verifique que tipo de ajuda material pode realizar nesta situação.

Neste momento esta ajuda não tem mais o caráter condicionado por sentimentos, mas sim, o de um ato que vem da consciência da necessidade, sofrimento ou dor do outro que no fundo significa parte da natureza e de nós mesmos. Esta mesma consciência estará presente em nossas vidas em todo momento para olharmos as coisas e buscarmos mudanças interior, que cada vez mais proporcione uma forma de ajuda definitiva para eliminar com toda forma de sofrimento e violência existente no mundo.

Textos relacionados