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"(...) Percorrer o caminho inverso"



Estou sentindo RAIVA. Por quê?
Existe um CONFLITO ... 

Qual o motivo desse CONFLITO? 
Algo está se interpondo ao meu OBJETIVO (ganancioso e egoísta).

E por que eu tenho propósitos EGOÍSTAS? 
Porque eu acho que estou SEPARADO dos demais... Preciso apenas pensar naquilo que é bom para mim. 

E porque acho que estou SEPARADO dos demais? 
Porque tenho uma PERCEPÇÃO ILUSÓRIA da vida, baseada em minha CONSCIÊNCIA DE CORPO... que me leva a fazer as coisas baseado nessa separatividade e no MEDO. 

PR

Morte e Vida


Então para nós a morte é o fim total, o fim de seu apego – certo? - o fim de tudo que você reuniu. Você não pode levar com você. Pode até gostar de ter aquilo até o último minuto, mas não pode possivelmente levar com você.

Então nós dividimos a vida em morrer e viver. E esta divisão produziu grande medo. E a partir desse medo inventamos todos os tipos de teorias, muito confortantes, pode ser ilusório mas é muito confortante, ilusões são confortavelmente neuróticas.

Então é possível, por favor, estou lhe fazendo esta pergunta, é possível, como vivemos, morrer para as coisas a que estamos apegados? Você compreende minha pergunta? Sou apegado à minha reputação – Deus me livre! - sou apegado a ela. E a morte está chegando, porque estou ficando velho e tenho medo, pois vou perder tudo. Então posso ficar totalmente livre da imagem, da reputação que as pessoas me conferiram? Compreende? De modo que você morre enquanto vive.

Será que você está entendendo? Então a divisão entre viver e morrer não está milhas distante, está junto. Imagino se você entende isto, por favor. E se você compreende a grande beleza disso a cada dia, ou a cada segundo, não há acumulação, acumulação psicológica, você tem que acumular roupas com dinheiro e assim por diante, isso é diferente, mas psicologicamente não existe acúmulo como conhecimento, como apego, dizer, 'Isto é meu'.

Você fará isso? Você realmente fará esta coisa de modo que o conflito entre morte e vida com toda sua dor e medo e angústia chegue totalmente ao fim, de modo que você está – o cérebro está encarnado? Compreende? Imagino se você compreende tudo isto. O cérebro renasce novo, e assim nisso há tremenda liberdade.

Krishnamurti

Apegos

Porque existem certas atitudes e preferências de que não gostamos de largar, envolvemo-nos sempre em situações difíceis e experimentamos conflitos interiores. 

Às vezes renunciamos a coisas importantes - nosso dinheiro, nosso lar, nossas propriedades - sem muita dificuldade. Mas os apegos emocionais - tais como o elogio e a censura, o ganho e a perda, o prazer e a dor, as palavras bondosas e as ásperas - são muito sutis. Estão além do nível físico; existem na personalidade ou na auto-imagem, e não estamos dispostos a deixá-los partir. 

Temos também certas atitudes e preconceitos, geralmente escondidos, de que não gostamos nem sequer de tomar conhecimento. 

Nossos apegos exercem uma influência magnética, que nos retém num lugar como se estivéssemos na prisão. É difícil dizer se essa força controladora provém de nossos atos passados, do nosso medo da morte ou de alguma origem desconhecida; o fato é que não podemos nos mover - e, assim, toda a sorte de frustrações e conflitos nos ataca, criando mais frustração e mais sofrimento. 

As pessoas estão dispostas a ir para a guerra e até a renunciar à vida por uma causa, mas não podem renunciar às causas de seu sofrimento. É um mistério o modo com que certas fixações psicológicas nos dominam com tanta força que não podemos abnegar delas. 

Podemos observar cuidadosamente nossos padrões de vida, e até podemos vir a aceitar a maneira como os mais sutis agarramentos e negatividades nos causam sofrimento. À proporção que crescem nossa compreensão e nossa percepção, vemos a importância de trabalhar através de nossas emoções, apegos e negatividades, e vemos também que a solução final vem de dentro. Nesse momento, em que de fato despertamos para a nossa penosa condição, começamos a mudar nossas atitudes mais íntimas e pode operar-se algum progresso verdadeiro. 

De "Gestos de Equilíbrio" - Tarthang Tulku
E-book disponível em: http://books.google.com.br/books?id=6uL0jdfsa2oC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

Preparando os filhos para se adaptarem à sociedade, perpetuam a guerra e o conflito


A maioria dos pais, infelizmente, pensa que são responsáveis por seus filhos, e seu senso de responsabilidade toma a forma de preceituar-lhes o que devem fazer e o que não devem fazer, o que devem ser e o que não devem ser. Querem que os filhos conquistem uma posição segura na sociedade. Aquilo a que chamam responsabilidade faz parte daquela respeitabilidade que eles cultivam; e a mim me parece que, onde há respeitabilidade, não existe ordem; só lhes interessa o tornar-se um perfeito burguês. Preparando os filhos para se adaptarem à sociedade, estão perpetuando a guerra, o conflito e a brutalidade. Pode-se chamar a isso zelo e amor? 

Zelar, com efeito, é cuidar como se cuida de uma árvore ou de uma planta, regando-a, estudando as suas necessidades, escolhendo o solo mais adequado, tratá-la com carinho e ternura; mas, quando preparais os vossos filhos para se adaptarem à sociedade, os estais preparando para serem mortos. Se amásseis vossos filhos, não haveria guerras. 

Krishnamurti
http://nossaluzinterior.blogspot.com/2010/11/busca-de-seguranca-atrai-inseguranca.html
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