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Apenas nos podemos apegar àquilo que não é a nossa consciência pura

Quando abrimos mão deste habitual e insidioso apego ao que nasce e morre, começamos a realizar a "não-morte".

Quando nos libertamos dessa identificação, experienciamos a nossa verdadeira natureza, a qual é brilhante, clara, sapiente, mas que já não é algo pessoal, não é "eu" ou "meu" – não existem metas nem apegos.

Ajahn Sumedho
Plena Atenção

Morte e Vida


Então para nós a morte é o fim total, o fim de seu apego – certo? - o fim de tudo que você reuniu. Você não pode levar com você. Pode até gostar de ter aquilo até o último minuto, mas não pode possivelmente levar com você.

Então nós dividimos a vida em morrer e viver. E esta divisão produziu grande medo. E a partir desse medo inventamos todos os tipos de teorias, muito confortantes, pode ser ilusório mas é muito confortante, ilusões são confortavelmente neuróticas.

Então é possível, por favor, estou lhe fazendo esta pergunta, é possível, como vivemos, morrer para as coisas a que estamos apegados? Você compreende minha pergunta? Sou apegado à minha reputação – Deus me livre! - sou apegado a ela. E a morte está chegando, porque estou ficando velho e tenho medo, pois vou perder tudo. Então posso ficar totalmente livre da imagem, da reputação que as pessoas me conferiram? Compreende? De modo que você morre enquanto vive.

Será que você está entendendo? Então a divisão entre viver e morrer não está milhas distante, está junto. Imagino se você entende isto, por favor. E se você compreende a grande beleza disso a cada dia, ou a cada segundo, não há acumulação, acumulação psicológica, você tem que acumular roupas com dinheiro e assim por diante, isso é diferente, mas psicologicamente não existe acúmulo como conhecimento, como apego, dizer, 'Isto é meu'.

Você fará isso? Você realmente fará esta coisa de modo que o conflito entre morte e vida com toda sua dor e medo e angústia chegue totalmente ao fim, de modo que você está – o cérebro está encarnado? Compreende? Imagino se você compreende tudo isto. O cérebro renasce novo, e assim nisso há tremenda liberdade.

Krishnamurti

Apegos

Porque existem certas atitudes e preferências de que não gostamos de largar, envolvemo-nos sempre em situações difíceis e experimentamos conflitos interiores. 

Às vezes renunciamos a coisas importantes - nosso dinheiro, nosso lar, nossas propriedades - sem muita dificuldade. Mas os apegos emocionais - tais como o elogio e a censura, o ganho e a perda, o prazer e a dor, as palavras bondosas e as ásperas - são muito sutis. Estão além do nível físico; existem na personalidade ou na auto-imagem, e não estamos dispostos a deixá-los partir. 

Temos também certas atitudes e preconceitos, geralmente escondidos, de que não gostamos nem sequer de tomar conhecimento. 

Nossos apegos exercem uma influência magnética, que nos retém num lugar como se estivéssemos na prisão. É difícil dizer se essa força controladora provém de nossos atos passados, do nosso medo da morte ou de alguma origem desconhecida; o fato é que não podemos nos mover - e, assim, toda a sorte de frustrações e conflitos nos ataca, criando mais frustração e mais sofrimento. 

As pessoas estão dispostas a ir para a guerra e até a renunciar à vida por uma causa, mas não podem renunciar às causas de seu sofrimento. É um mistério o modo com que certas fixações psicológicas nos dominam com tanta força que não podemos abnegar delas. 

Podemos observar cuidadosamente nossos padrões de vida, e até podemos vir a aceitar a maneira como os mais sutis agarramentos e negatividades nos causam sofrimento. À proporção que crescem nossa compreensão e nossa percepção, vemos a importância de trabalhar através de nossas emoções, apegos e negatividades, e vemos também que a solução final vem de dentro. Nesse momento, em que de fato despertamos para a nossa penosa condição, começamos a mudar nossas atitudes mais íntimas e pode operar-se algum progresso verdadeiro. 

De "Gestos de Equilíbrio" - Tarthang Tulku
E-book disponível em: http://books.google.com.br/books?id=6uL0jdfsa2oC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false
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