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O que é Paz


Paz é algo que muitos de nós buscamos e ansiamos em nossas vidas, mas o que é afinal a Paz?

A paz hora é definida como um estado de não violência, de não guerra, hora é confundida com a satisfação dos desejos humanos que culminam em alegria, ainda que esta seja quase sempre passageira.

Paz, todavia, é algo que está além dos desejos e das aversões humanas. A verdadeira Paz nasce quando superamos aquilo que chamamos sinteticamente de medo. Sinteticamente, pois medo pode significar muitas coisas.

O estado de Paz é alcançado sempre que nossas ações não são conduzidas pelo medo. Assim, por exemplo, se eu não tenho medo de perder algo, eu não me agarro à isso, não crio formas de protegê-lo, não usarei da violência para sua preservação, nem desejarei que outros usem.

Uma situação extrema do cotidiano humano pode ser utilizada como exemplo: o assalto. Muita da Paz que ansiamos reside no medo de perdermos aquilo que temos de forma violenta. O que seria o assalto senão o meio pelo qual isso ocorre? O assalto por tanto é aquilo que tira a Paz do cidadão, por infringir-lhe: (a) uma perda (b) de forma muitas vezes violenta. O medo de um assalto portanto, nos retira a Paz. Portanto a Paz se perde, antes mesmo de qualquer ação concreta. Podemos passar anos andando pelas ruas sem sermos assaltados, mas se o medo estiver conosco, não teremos Paz. Assim como poderemos tomar precauções baseadas nesses medo ou incentivar ações violentas para que o medo que sentimos seja amenizado.

Esse é um exemplo. Outros tantos poderiam ser colocados. A Paz é uma quimera na sociedade atual, pois o medo é uma grande e presente realidade nos corações e mentes de todos.

O medo produz comportamentos individuais e coletivos que só fortalecem a sensação de medo e enfraquecem a verdadeira noção de Paz.

A Paz começa dentro de cada um de nós, assim como o medo. Reflita sobre as ações que comete por medo e reflita como poderia transformá-las em ações sem medo e portanto de Paz. Pratique.

Um Estudante

Prática Espiritual


ALUNO: Como nos relacionamos com esperança e medo através da disciplina da prática espiritual?

RINPOCHE: Este é um bom ponto, na verdade. Desse ponto de vista, tudo que é violento - tudo que não conhece esperança e medo - relaciona-se com a prática espiritual.


Chögyam Trungpa Rinpoche
Crazy Wisdom
Traduzido por Eduardo Padma Dorje em 03/09/2001
http://www.nossacasa.net/shunya/default

Morte e Vida


Então para nós a morte é o fim total, o fim de seu apego – certo? - o fim de tudo que você reuniu. Você não pode levar com você. Pode até gostar de ter aquilo até o último minuto, mas não pode possivelmente levar com você.

Então nós dividimos a vida em morrer e viver. E esta divisão produziu grande medo. E a partir desse medo inventamos todos os tipos de teorias, muito confortantes, pode ser ilusório mas é muito confortante, ilusões são confortavelmente neuróticas.

Então é possível, por favor, estou lhe fazendo esta pergunta, é possível, como vivemos, morrer para as coisas a que estamos apegados? Você compreende minha pergunta? Sou apegado à minha reputação – Deus me livre! - sou apegado a ela. E a morte está chegando, porque estou ficando velho e tenho medo, pois vou perder tudo. Então posso ficar totalmente livre da imagem, da reputação que as pessoas me conferiram? Compreende? De modo que você morre enquanto vive.

Será que você está entendendo? Então a divisão entre viver e morrer não está milhas distante, está junto. Imagino se você entende isto, por favor. E se você compreende a grande beleza disso a cada dia, ou a cada segundo, não há acumulação, acumulação psicológica, você tem que acumular roupas com dinheiro e assim por diante, isso é diferente, mas psicologicamente não existe acúmulo como conhecimento, como apego, dizer, 'Isto é meu'.

Você fará isso? Você realmente fará esta coisa de modo que o conflito entre morte e vida com toda sua dor e medo e angústia chegue totalmente ao fim, de modo que você está – o cérebro está encarnado? Compreende? Imagino se você compreende tudo isto. O cérebro renasce novo, e assim nisso há tremenda liberdade.

Krishnamurti

Medo


Nosso medo, a menos do medo de perigo de morte real, é centrado na idéia de solidão revestida de um desejo de alguma forma de aceitação por outrem, de tal maneira que este proporcione um espaço para realização de nossos desejos de vida.

Este medo gera nossa dependência emocional de aspectos externos a quem somos. Assim, se os acontecimentos ocorrem conforme nossas intenções e desejos, acreditamos que estaremos “emocionalmente bem”, caso contrário, estaremos “emocionalmente mal”.

O medo cria a ansiedade pela obtenção de uma segurança que nunca existirá e que nos condiciona a um modelo de vida que não leva em conta a felicidade no presente, adiada para um futuro promissor.

Viver condicionado por este medo é desacreditar em quem somos e em nosso verdadeiro potencial para viver e superar as adversidades através de nossas qualidades naturais e individuais das quais somos dotados. Ele põe abaixo nossa auto-confiança e auto-estima”



Marcos César
http://www.oagora.com/?p=2913
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