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Observando e Aprendendo
(...) Talvez você pense que atirar com o arco não pode interessar a um padeiro ou a um agricultor, mas eu lhe digo: eles colocarão o que viram naquilo que estão fazendo.
Você também fará o mesmo: aprenderá com o bom padeiro como usar usar as mãos, e como saber a exata mistura dos ingredientes. Aprenderá com o agricultor a ter paciência, trabalhar duro, respeitar as estações, e não blasfemar contra as tempestades – porque isso seria uma perda de tempo. (...)
Paulo Coelho
O Caminho do Arco
Sobre Meditação
Para meditar, no sentido mais profundo da palavra, temos de ser íntegros, morais.
Não se trata da moralidade de um padrão, de uma prática, ou da ordem social, mas sim da moralidade que brota naturalmente, inevitavelmente, suavemente, quando começamos a compreender-nos a nós próprios, quando estamos atentos aos nossos pensamentos e sentimentos, às nossas atividades, desejos, ambições, etc. -atentos sem qualquer escolha, observando apenas.
Dessa observação nasce a ação correta, que não tem nada a ver com conformismo ou com uma ação de acordo com um ideal.
Então, quando isso existe profundamente em nós, com a sua beleza e austeridade na qual não há nenhuma rigidez - rigidez só existe quando há esforço -, quando tivermos observado todos os sistemas, todos os métodos, todas as promessas e olhado para eles objetivamente, sem gostar ou não gostar, então podemos recusar tudo isso completamente, para que a mente fique liberta do passado; então podemos prosseguir na descoberta do que é meditação.
Assim, perguntamos: Pode a totalidade da mente - que inclui o cérebro - ficar quieta?
Muitas pessoas têm feito essa pergunta - pessoas verdadeiramente sérias - mas não conseguiram achar-lhe a resposta. Recorreram a artifícios, pois lhes disseram que a mente pode quietar-se mediante a repetição de palavras. Já experimentastes isto: recitar "ave-marias' ou aquelas palavras sânscritas que certas pessoas trazem da Índia - mantras; repetir certas palavras para quietar a mente? Não importa qual seja a palavra, mas deve ser recitada com ritmo: coca-cola, qualquer palavra - repeti-a muitas vezes, e vereis como a mente se torna quieta. Mas essa mente aquietada está embotada; não é uma mente sensível, vigilante, ativa, viva, apaixonada,
"intensa".
A mente embotada, embora diga: "Tive experiências extraordinárias, transcendentais", está enganando a si própria.
A solução, portanto, não se encontra na repetição de palavras, nem no forçar a mente; muitos artifícios já têm sido impostos à mente a fim de aquietá-la. Entretanto, sabemos em nosso íntimo que, se a mente está quieta, não há mais nada que fazer, porque existe então a verdadeira
percepção.
Como pode a mente - inclusive o cérebro - ficar completamente quieta? Recomendam alguns respirar adequadamente, tomando profundas inspirações, para oxigenar mais o sangue. A mente vulgar, limitada, pode - à força de respirarmos muito profundamente, dia após dia - tornar-se
quieta; mas continua a ser o que é: vulgar e limitada.
(...) Que cumpre então fazer? Quem faz esta pergunta? Vê-se muito claramente que nossa vida está em desordem, tanto interior como exteriormente; e a ordem, entretanto, é necessária, e deve ser tão perfeita como a ordem matemática.
Mas a ordem só pode ser estabelecida pela observação da desordem, e não pelo ajustar-nos a um plano de ordem, conforme um outro a
concebe ou nós mesmos a concebemos. Do ver, do estar cônscio da desordem, resulta a ordem.
(...) A mente que está quieta, sem ter sido forçada a quietar-se, é sobremodo ativa, sensível, desperta. Mas, quando se pergunta "como", cria-se a separação entre o observador e a coisa observada.
Ao compreendermos que não há método, nem sistema, nem mantra, nem instrutor, nem nada; neste mundo, que possa ajudar-nos a quietar-nos; quando percebemos a verdade de que só a mente quieta vê - a mente fica tranquila.
Krishnamurti
http://ventosdepaz.blogspot.com/2012/02/sobre-meditacao-krishnamurti.html
Concentração e Atenção
Você sabe o que é concentração - desde a infância nós somos treinados a concentrar-nos. Concentração é reduzir toda nossa energia a um determinado ponto e segurá-la neste ponto.
Um garoto na escola olha pela janela para os pássaros e as árvores, para o movimento das folhas ou para um esquilo subindo na árvore. E o professor diz: "Você não está prestando atenção, concentre-se no livro", ou "Escute o que eu estou dizendo". Isso é para dar muito mais importância à concentração do que à atenção.
Se eu fosse o professor, eu o ajudaria a observar; eu o ajudaria a observar este esquilo por completo; observar o movimento do rabo, como suas garras se movem, tudo. Então, se ele aprende a observar com atenção, ele prestará atenção ao livro.
Aproveitando as experiências para nossa formação interna
(...) nós podemos nos formar em muitas coisas e aproveitar tudo que acontece, tudo que nos é colocado, tudo aquilo que vivemos para nos formar.
Se uma pessoa faz um ciclo de 21 dias orando, quantas coisas ela pode descobrir de si nesses vinte um dias. Se ela observa como ela orou no primeiro dia e como ela está orando hoje ela aprende muita coisa sobre ela mesma. Por isso que a oração não deve ser feita correndo. (...) Tem que se ter um tempo, um mínimo de tempo material para que aquelas coisas trabalhem e para que você possa acompanhar o trabalho que está acontecendo.
(...) cada vez que nos dispomos a entrar em um caminho de formação nós vamos descobrindo novas coisas. Parece que já estamos preparados mas nós não estamos preparados para coisa alguma. Nós estamos todos aprendendo continuamente. Então temos que nos observar em vinte e um dias de orações cíclico. Isto é uma oportunidade única para você se perceber para você se transformar.
Buscando a Verdade
Trigueirinho
Palestra proferida em 27/Jul/2011
http://www.irdin.org.br/palestra/por/audicao.php?cod=12221
MEDITAÇÃO: no Centro da Ação
Algumas pessoas me perguntam se eu pratico meditação. Pratico, mas não necessariamente no sentido tradicional, pois para algumas pessoas meditação quer dizer contemplação, para outras é a concentração, e para muitas significa a limpeza da mente ou não-pensar. Todas são formas e que funcionam.
Tenho outra definição que gostaria de compartilhar com vocês. Para mim, a palavra MEDITAÇÃO pode ser subdividida em duas outras:
medi de estar no meio ou no centro e
ação que quer dizer atividade, movimento ou ato de agir.
Então, para mim, meditação é estar no meio ou no centro da ação ou atividade. Significa você estar inserido totalmente no que você está fazendo, vivendo o momento, centrado no tempo presente e no AGORA.
Se a pessoa conscientizar-se disso, ela estará para todos os efeitos meditando a cada e todo instante de sua vida, num estado de equilíbrio e, ainda por cima, no centro de si próprio, que é o autor da própria ação. Que maravilha! Tente meditar dessa forma. A vida toma outro significado, acredite.
O Sucesso Está no Equilíbrio pag. 35-36. Robert Wong.
Exercício de Meditação (2): mantendo a concentração durante o dia todo
(...) como é que eu faço para estar concentrado o dia todo enquanto estou fazendo outras coisas?
Claro a gente não pode fazer duas coisas ao mesmo tempo, mas nós podemos por exemplo (uma sugestão que no meu caso funcionou bem): quando se acorda de manhã cedo, quando se percebe que o corpo físico despertou, que o cérebro físico voltou a essa atividade normal o nosso primeiro pensamento pode ser "eu vou passar esse dia atento, nesse dia que começa agora eu vou ficar atento a tudo e eu estou disposto a me concentrar em tudo que eu fizer nesse dia".
Eu me coloco isso logo de manhã antes de começar o dia e depois quando eu começo as minhas primeiras atividades externas eu estou concentrado porque eu me propus isso, porque eu sei que a uma certa hora que está marcada eu vou ter um exercício de meditação. Já acordo de manhã nesta atitude embora eu não passe aquele tempo, que precede o exercício, exatamente fazendo o exercício. Meu corpo físico se levanta da cama e nós fazemos várias coisas, antes de chegar no exercício de meditação. Mas todas aquelas coisas que são feitas, são todas feitas concentradamente, isto é, eu sabendo o que estou fazendo, eu acompanhando todos os meus movimentos, acompanhando todos os meus gestos, seguindo todas as minhas reações e percebendo todos os meus pensamentos. Isso é uma colocação que eu faço de manhã, quando acordo.
Isso não se quer dizer que a gente vai fazer todos os movimentos perfeitos porque ninguém é perfeito. Se fossemos perfeitos não estaríamos encarnados, estaríamos em outros níveis. Não quer dizer que nós vamos fazer os movimentos perfeitos, não quer dizer que todos nossos sentimentos serão puros e eu também não posso pretender só por causa da minha proposição, ter pensamentos ordenados. Não posso pretender isso porque desde que minha mente existe ela andou como ela queria, como ela pode se ordenar no momento que eu decido? Isso também é um trabalho bastante complexo.
Eu me disponho a fazer isso o dia todo e diante do material que eu encontrar, os meus gestos, meu mental, meu emocional é isso que eu vou iluminar, é sobre isso que eu vou pedir aquela luz que eu sei que tenho dentro de mim; é sobre isso que eu vou irradiar aquele amor que eu já sei na hora que eu acordo de manhã que estou cercado dele.
(...) Então eu começo a minha vida cotidiana. Aí vou ver que meu gesto está desarmônico, que meu corpo físico não está correspondendo, que o meu emocional não está como eu desejava, que meu mental também não está ponto, mas aí eu já estou fazendo meu trabalho: eu estou iluminando, eu estou rodeando isso de amor, eu estou observando, eu estou percebendo o que está acontecendo comigo.
A Meditação - Parte 1
Palestra proferida em 01/01/1984
Trigueirinho
http://www.irdin.org.br/palestra/por/audicao.html?cod=3192
O silêncio
"O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa.
O silêncio é fecundo. O silêncio é a terra negra e fértil,
o húmus do ser, a melodia calada sob a luz solar"
(José Saramago)
Exercício de Meditação (1) : a atenção aos conteúdos internos
(...) vamos com os olhos fechados nos imaginar cheios de luz, totalmente iluminados por dentro. Essa luz muito intensa que brilha no nosso centro. Vamos agora começar a perceber que estamos totalmente cercados de amor.
Esse uso da imaginação criativa ajuda muito a tarefa de um exercício porque a energia segue o pensamento. Isto é uma lei. Então bem conscientes que nós somos Luz por dentro e que estamos cercados de Amor vamos dissolver todos os pontos de tensão no corpo físico.
Agora vamos começar a olhar por alguns instante como se nós estivéssemos diante de uma tela cinematográfica. Vamos observar por alguns instantes os nossos próximos pensamentos. Vamos olhar os pensamentos que passam na nossa mente. Porque nas nossas mentes passam pensamentos isso é inevitável. Não se trata de nós abolirmos os pensamentos nem de querer que a mente fique fixa, pois isso traria consequências que não são a finalidade do trabalho meditativo. O que está sendo colocado para nós fazermos é estarmos diante de nossa mente com pensamentos passando como se estivéssemos em um cinema olhando um filme. E a medida que esses pensamentos passam nós vamos trabalhar no sentido de não ter nenhuma reação perante esses pensamentos, simplesmente vê-los passar como são. Não ter nenhum sentimento de aprovação nem de reprovação desses pensamentos. Ficar completamente imparcial diante dessas coisas que passam.
Esse trabalho de nos imaginar cheios de luz e completamente circundado de amor isso seria uma contribuição do nosso eu consciente, de nossas personalidade, ao trabalho de meditação. Isso é uma contribuição bem inicial para nossa quietude e para nossa tranquilização. Em seguida quando fechamos os olhos, observamos o que passa na nossa mente, isso é o trabalho que dispomos para começarmos a trabalhar. Seria inútil querer começar com outro material, com um material do outro ou aquilo que diz os livros de meditação. Então nós constatamos que temos um determinado material para ser trabalhado e que esse material sendo trabalhado, a nossa mente vai melhorar de vibração. A vibração de nossa mente vai ficar mais elevada.
(...) cada um viu o material a ser trabalhado, o estágio inicial. Para nós trabalharmos nesse sentido sabemos que temos que trabalhar isso o dia todo a vida toda. Não é só no momento em que a gente senta para fazer isso porque se todo resto do dia vocês estiverem dando alimento para esta mente ou deixando que os produtos desta mente corram à esmo, descontrolados, vocês não vão conseguir nem sequer visualizar direito o que está se passando aí na hora que sentarem para trabalhar.
Então nós estamos nesse momento fazendo uma constatação muito importante, isto é, que nem todos de nós conseguiram sequer ver esse filme porque os pensamentos se acumulam e passam em uma tal desordem, todos acumulados, todos desconexos. Nós chegamos à uma ótima constatação. Constatamos que fazer esse trabalho assim seria impossível, seria uma luta para o resto da vida, uma luta contra esse tumulto mental.
Estamos aqui vendo que não é só no momento de fazer o exercício que a gente trabalha. Se vocês fizessem isso só nesse momento, na hora que vocês marcassem, vocês com o tempo iriam ficar irritados consigo mesmos, iam ficar desanimados dizendo "que confusão é essa, não sou capaz, o que é que eu faço?", algum até deprimidos por uma coisa que não deveriam ficar deprimidos pois isso é assim mesmo. Só que a solução não é forçar isto no momento do exercício pois senão a gente vai ficando cada vez mais desencorajado. E de repente a mente pode ficar paralizada e nos dar a ilusão que ficou quieto ai então a gente entra por um caminho bastate indesejado pois pensa que conseguiu o controle da mente. Na realidade está controlado pela "ilusão de que controlou a mente" o que é pior do que se não tivesse feito nada, seria melhor deixar a coisa como está, do que entrar nesse tipo de ilusão.
Estamos constatando que não adiantaria vivermos o tempo todo desatentos, vivendo o tempo todo em desordem e querendo fazer isso quando sentamos para fazer o exercício.
A Meditação - Parte 1
Trigueirinho
Palestra proferida em 01/01/1984
http://www.irdin.org.br/palestra/por/audicao.html?cod=3192
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