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Trabalho mundano e o trabalho espiritual

(...) A Vida no mundo e a vida no espírito não são incompatíveis. O trabalho, ou a ação, não é contrário ao conhecimento de Deus, porém, na verdade, se realizado sem apego, é um instrumento para ele.

Por outro lado, a renúncia significa renúncia do ego, do egoísmo - não da vida. A finalidade, tanto do trabalho como da renúncia, é conhecer o Eu* interiormente e Brahman** exteriormente, e perceber sua identidade.

O Eu é Brahman, e Brahman é tudo.

* Atman, Alma
** Deus, Criador

Swami Prabhavananda
Os Upanishads

Fuga

NO INÍCIO... O ENTUSIASMO

No início de um novo projeto, tudo tem vigor e tudo nos entusiasma. Inúmeras possibilidades se abrem diante de nós; nossa esperança alça vôos, e nossa energia e animação são ilimitadas. Porém, conforme os problemas vão aparecendo, o entusiasmo inicial talvez comece a se desgastar. 

O futuro perde algumas das suas promessas, e nossa vontade e determinação podem vacilar. Parece muito mais fácil procurarmos formas de evitar o trabalho do que deixarmos inspirar pelos desafios que ele oferece.


RETENDO ENERGIA

Quando o trabalho nos faz solicitações difíceis, nossa opção pode ser a de reter a nossa energia. Como não nos colocamos no trabalho, nossa energia se torna dispersa e confusa, e começamos a divagar, de um dia para outro. 

Vemo-nos buscando desculpas para não trabalhar de modo eficiente: não estamos nos sentindo bem ou precisamos de mais tempo. assim que distrações aparecem, logo acorremos a elas, fazendo pausas frequentes ou saindo para fazer coisas desnecessárias, talvez parando pelo caminho para conversar com um amigo. 

No final do dia, foi muito pouco o que o nosso tempo rendeu.  No entanto, se encarássemos nosso trabalho de forma direta, talvez fôssemos descobrir que ele é bem menos ameaçador do que tememos; perdemos, porém a oportunidade de ter essa percepção.

FUGIR OU ENCARAR?

Frequentemente, escolhemos fugir de um problema em vez de encará-lo honestamente. Todavia, ao fazer essa escolha, privamo-nos da oportunidade de crescer e de aprofundar nosso autoconhecimento.  Talvez acreditemos poder resolver nossos problemas escapando deles, mas eles simplesmente não vão embora. 

Podemos tentar fazer mudanças radicais em nosso modo de vida: mudar de emprego, obter um divórcio ou arranjar novos amigos. Na superfície, essas mudanças parecem resolver nossos problemas; mais cedo ou mais tarde, porém, o novo estilo de vida pode se mostrar tão decepcionante quanto aquele que deixamos para trás.


APRENDEMOS A FUGIR, DESDE PEQUENOS

Fugir de nossas dificuldade é um hábito que aprendemos quando crianças. Quando uma criança se depara com algo que não deseja, ela usa toda uma série de manobras para evitar a situação, tais como chorar, esconder-se ou brigar. Se o pais se mostram complacentes com esse comportamento, considerando-o natural e tipicamente infantil, acabam reforçando uma atitude que poderá vir, mais tarde a prejudicar o filho na vida.

A não ser que sejamos ensinados a encarar nossos problemas diretamente e a trabalhar com eles, os padrões de fuga se repetirão na escola, com os amigos e com a família; eles podem passar a ser um modo de agir aceito como natural.


EVITAR RESPONSABILIDADES

Evitar responsabilidades é uma maneira comum de escapar de situações difíceis e exigentes. Guardamos nossa energia, fazendo menos do que somos capazes. Quando surgem problemas, alegamos haver muitas limitações que nos impedem de funcionar eficazmente, ou talvez culpemos os outros pela nossa ineficiência. 


VOCÊ ESTÁ TRABALHANDO DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL?

Podemos até conseguir convencê-los de que fizemos o melhor que podíamos. Como sabemos que não estamos empregando toda a nossa energia no trabalho, e que os resultados acabarão por refletir isto, usamos uma série de artifícios e jogos para dar a impressão de que estamos trabalhando da melhor maneira possível.

Se não damos suporte ao nosso trabalho e um insucesso parece provável, podemos até tentar nos convencer que não existia nada que éramos, de fato, capazes de fazer.


ANDANDO EM CÍRCULOS?

Podemos nos sentir aliviados quando conseguimos fugir dos nossos problemas mas, na realidade, fugimos muito pouco. Os problemas continuam a aparecer sob outras formas, seja no trabalho, seja nos nossos relacionamentos pessoais. É como se estivéssemos correndo sobre uma esteira rolante, sempre passando pelas mesmas cenas, sem nunca chegar a lugar algum.

A fim de quebrar este padrão de fuga, precisamos examinar nossas atitudes e sentimentos cuidadosamente, e assumir uma forma mais direta e honesta de lidar com o nosso trabalho e com a vida.


ESQUIVANDO-SE

Ao observarmos nossos padrões de fuga, vemos que quase tudo pode nos oferecer um meio para nos esquivarmos. 

No trabalho, as interrupções nos proporcionam várias oportunidades de evitar coisas que preferíamos não fazer. As atividades dos momentos de lazer podem, facilmente, se tornar um substitutivo que nos exime de lidar com os nossos problemas. Conversar com um amigo sobre nossas dificuldades pode nos manter afastados de encontrar soluções dentro de nós mesmos.

Quando examinamos nossas ações e hábitos com honestidade, talvez descubramos que mesmo as ações mais simples podem ser motivadas por um desejo de fuga.


COMPREENDENDO NOSSO ESCAPISMO

Uma vez que tenhamos compreendido como tentamos escapar dos nossos medos e dificuldades, podemos decidir mudar esse padrão. Da próxima vez que você se deparar com um problema e se sentir buscando uma maneira de contorná-lo, pode tomar uma decisão consciente de redirecionar sua energia, entrar no problema e encontrar uma solução.

Embora você possa no início, sentir resistência com relação a isto, os sentimentos positivos que aparecem quando você encara o trabalho e a vida de forma honesta, fortalecerão sua capacidade de se por frente a desafios no futuro e o incentivarão a crescer.


A ENERGIA DA SUPERAÇÃO

Quando pesamos com honestidade nossa motivação, nossas atitudes, forças e fraquezas, começamos a enxergar um lado mais profundo da nossa natureza, do qual podemos extrair uma energia vital que empresta verdadeiro significado às nossas vidas.

Quando soubermos aproveitar as oportunidades que o trabalho nos oferece de nos defrontarmos com as nossas dificuldades e superá-las, seremos capazes de desafiar até mesmo os problemas mais severos com habilidade, descontração e competência.


CAMINHO: MUDAR NOSSO INTERIOR

Nossa inquietude, nosso constante desejo de fuga se arrefecerá quando percebermos que a única mudança efetiva que nos é dada realizar ocorre dentro de nós mesmos. Descobrimos que a alegria e a satisfação se encontram dentro de nós; basta nos darmos tempo para procurá-las.

Quando fazemos isto, aprendemos a superar a tendência de fugir às nossas responsabilidades. Substituímos essa tendência por uma abertura em relação aos outros, por uma perspectiva equilibrada diante da vida e por uma capacidade mansa, mas persistente, de realizar tudo o que nos propomos.

Este ó caminho para se viver uma vida saudável e satisfeita, para saborear os desafios que ampliam o nosso potencial, aumentando os benefícios disponíveis a todos nós.



Tarthang Tulku
O Caminho da Habilidade: 
formas suaves para um trabalho bem-sucedido






Como saber se estamos na tarefa certa?

Quando o que estamos fazendo faz bem para os outros, estamos na tarefa certa naquele momento.

A tarefa certa não é aquela que nós gostamos de fazer. E nem aquela que estamos fazendo com muito prazer e com muita alegria. A tarefa certa é aquela necessária para os outros. E nós somos colocados ali porque naquele momento nós somos os mais indicados, por diferentes circunstâncias (que nem sempre são nossas, por nossa causa).

Como a gente sabe que está fazendo bem para o outro? 


A energia indica isso. A energia vitaliza o trabalho, você percebe que estão acontecendo evoluções e que à medida que cumpre a tarefa, está havendo transformações em você.

Trigueirinho
http://www.irdin.org.br/palestra/por/audicao.php?cod=3399

Trabalho com Entusiasmo

Junte-se à todos que fazem seu trabalho com entusiasmo.
Mas para que você possa ser útil a eles como eles são úteis a você, é preciso saber quais são as suas ferramentas, e como poderá aperfeiçoar suas habilidades.

Paulo Coelho
O Caminho do Arco

Mensagem para o Ano Novo

A relação entre o trabalhador e o empregador deve ser como aquela entre coração e corpo. Ambos estão ligados intimamente uns com os outros, pois dependem um do outro para sua própria existência. Amor e carinho devem reger a relação entre os dois, não ódio ou inveja.

Trabalhe em espírito de amor; isso o levará à adoração. Em outras palavras, trabalhe sem qualquer relação com a proporção de benefício que pode obter. Trabalhe, pois é seu dever; trabalhe, já que você gosta de trabalhar, pois essa é a maneira que pode oferecer a Deus a gratidão pelas habilidades destinadas a você. Esse tipo de trabalho leva à sabedoria, que é o reconhecimento do Divino em cada ser.

Que o Ano Novo lhe conceda paz mental e que seu ideal de vida de auto-realização possa ser cumprido. Que todos os confortos e contentamento lhe sejam adicionados. Essa é a Minha bênção.

Sathya Sai Baba

Trabalho de limpeza psíquica do ambiente



(...) nos dias que dedicamos ao silêncio nós podemos nos valer muito desses dias, pois estando quietos não produzindo ruídos com nossa voz, isso vai ajudando que o ambiente se desanuvie de todas as vibrações de falas, falas inúteis. Então o ambiente vai se arejando se nós fazemos um dia de silêncio num lugar como este. É como se fizéssemos uma espécie de limpeza, uma limpeza psíquica mesmo.

Em um dia se dissolve muita coisa. Em um dia muita coisa sai do ar, se desprende das paredes e passa por uma transformação.



Buscando a Verdade
Trigueirinho
Palestra proferida em 27/Jul/2011
http://www.irdin.org.br/palestra/por/audicao.php?cod=12221

Aproveitando as experiências para nossa formação interna


(...) nós podemos nos formar em muitas coisas e aproveitar tudo que acontece, tudo que nos é colocado, tudo aquilo que vivemos para nos formar.

Se uma pessoa faz um ciclo de 21 dias orando, quantas coisas ela pode descobrir de si nesses vinte um dias. Se ela observa como ela orou no primeiro dia e como ela está orando hoje ela aprende muita coisa sobre ela mesma. Por isso que a oração não deve ser feita correndo. (...) Tem que se ter um tempo, um mínimo de tempo material para que aquelas coisas trabalhem e para que você possa acompanhar o trabalho que está acontecendo.

(...) cada vez que nos dispomos a entrar em um caminho de formação nós vamos descobrindo novas coisas. Parece que já estamos preparados mas nós não estamos preparados para coisa alguma. Nós estamos todos aprendendo continuamente. Então temos que nos observar em vinte e um dias de orações cíclico. Isto é uma oportunidade única para você se perceber para você se transformar.


Buscando a Verdade
Trigueirinho
Palestra proferida em 27/Jul/2011
http://www.irdin.org.br/palestra/por/audicao.php?cod=12221

Trabalhar por dinheiro

Ela diz que é, por exemplo, obrigada a trabalhar por dinheiro. Não vamos entrar no mérito disso porque até a gente chegar a trabalhar não por dinheiro, tem uma evolução aí. E até você chegar a viver sem ganhar dinheiro (...) também tem uma evolução. Então vamos começar pelo fim.

Mas, se você trabalha por dinheiro e recebe dinheiro pelo trabalho, use o seu dinheiro também para ajudar os outros. (...) Tire de você e ajude os outros. Assim você começa a se relacionar com dinheiro corretamente. Você tem dinheiro? Lembre-se de quem não tem. Então vá ajudar os outros. (...) Assim você vai começando a aprender a lidar com isto. Você vai começando a se harmonizar com essa maldição que está sobre a Terra de haver dinheiro.

Isso é uma maldição que está aí e você tem que lidar com isso, você tem que aprender a lidar com isso antes de melhorar a sua situação diante do dinheiro. Mas primeiro tem um trabalho aí meio profundo – está sempre ligado a você tirar um pouco do seu pra dar pro outro que não tem. Está sempre ligado com isso, sempre. O começo do trabalho.  

Conversas especiais – 48
Trigueirinho
Palestra proferida em 10/Jul/2011
http://www.irdin.org.br/palestra/por/audicao.php?cod=12206
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