Quem sou eu?


Eu tenho um corpo, mas eu não sou meu corpo. Eu posso ver e sentir meu corpo, E o que pode ser visto e sentido não é o verdadeiro Vidente. Meu corpo pode estar cansado ou excitado, Doente ou saudável, pesado ou leve, mas isso nada tem a ver com meu Eu interior. Eu tenho um corpo, mas eu não sou meu corpo.

Eu tenho desejos, mas eu não sou meus desejos, eu posso conhecer meus desejos, e o que pode ser conhecido não é o verdadeiro. Conhecido. Desejos vêm e vão, flutuando através de minha percepção, mas eles não afetam meu Eu interior. Eu tenho desejos, mas não sou desejos. 

Eu tenho emoções, mas eu não sou minhas emoções. Eu posso sentir minhas emoções, e o que pode ser sentido não é o verdadeiro Senciente. As emoções passam através de mim, mas elas não afetam meu Eu interior. Eu tenho emoções, mas eu não sou emoções. 

Eu tenho pensamentos, mas eu não sou meus pensamentos. Eu posso conhecer e intuir meus pensamentos, E o que pode ser conhecido não é o verdadeiro Conhecedor. Pensamentos vêm a mim e pensamentos me deixam, mas eles não afetam meu Eu interior. Eu tenho pensamentos, mas não sou meus pensamentos. 

Eu sou o que permanece, um centro puro de percepção, uma testemunha impassível de todos esses pensamentos, emoções, sentimentos e desejos.

Ramana Maharshi

O Mundo é Real


O mundo é real tanto para aqueles que não realizaram quanto para aqueles que realizaram o Eu Real. Mas para os que não realizaram, a Verdade é delimitada pela forma do mundo, enquanto que para os que realizaram, a Verdade brilha como a perfeição sem forma a Realidade sobre a qual o mundo aparece. Esta é a única diferença entre eles.

Ramana Maharshi
Os Ensinamentos de Ramana Maharshi em Suas Próprias Palavras

Remoção da Ignorância

                                                          Sandra Francis

A expressão "auto-realização", nos diz Ramana Maharshi, é apenas um eufemismo para "remoção da ignorância". Nada há para ser adquirido; há, apenas, ignorância a ser removida. Somos a própria vida, o Ser Infinito, a fonte de todas as coisas. 

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramana_Maharshi

Sair da prisão da ignorancia


A alegoria da caverna, baseada no estudo hindu da "maya" (literalmente "medir", "avaliar"), se refere a essa limitação: a idéia é diferente daquilo que verdadeiramente "é". 

É preciso ultrapassar a limitação dos conceitos, das idéias, das imagens, das representações. Sair da prisão da ignorância, representada pela caverna, para o espaço infinito da bem-aventurança. 

A própria alegoria não é bem compreendida no suposto "mundo ocidental". Tomar o resultado da avaliação como verdade é tomar as sombras pela coisa em si, e, por conseguinte, viver na ilusão. 

A ignorância basilar é a que existe com relação ao "eu". Julgo conhecer-me por meio de uma representação. Desconhecendo quem é o conhecedor, busco conhecer o universo, os seres vivos, os objetos. Deles também construo representações. A representação que construo a respeito de mim mesmo, que é sempre incompleta, e com a qual me identifico, busca, em vão, completar-se por meio de conhecimentos, sensações, posses, prestígio. Nessa busca, ela tem continuidade, com a inseparável sensação de incompletude e, portanto, de sofrimento. 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramana_Maharshi

o silêncio do sim do silêncio


Neste exato momento, você tem a oportunidade de cessar o insaciável fluxo dos desejos e abrir os olhos para a sutil realidade de que há uma alegria inerente, que independe absolutamente dos acontecimentos externos. Existe um ponto de maturidade em que deve ficar claro para você que a sua alegria não tem nada a ver com o lado de fora.
Do lado de fora, tudo o que te é dado, pode ser tirado. Então, de verdade, não há nada que possa ser “seu” – nem mesmo este “você” que você pensa ser. Milhares de coisas acontecem com o seu corpo e atravessam a sua mente à revelia de qualquer decisão sua.
Essa percepção traz quietude e alegria à sua vida. Por mais conquistas que você obtenha, sem essa percepção ainda haverá frustração. No entanto, diante da percepção da Consciência que você é, os desejos surgem e não mais ditam uma direção a seguir. Tudo pode vir e ir, na mesma intensidade e aceitação.
Aquiete-se e diga-me: o que está faltando à você neste mínimo instante? Organize o simples fato de que os desejos sejam frutos da mente e deixe que isso aconteça sem envolvimento ou interferência. Desprenda-se do fluxo imposto pelo mundo e entregue-se ao “sim” do Silêncio.

Satyaprem

"(...) Percorrer o caminho inverso"



Estou sentindo RAIVA. Por quê?
Existe um CONFLITO ... 

Qual o motivo desse CONFLITO? 
Algo está se interpondo ao meu OBJETIVO (ganancioso e egoísta).

E por que eu tenho propósitos EGOÍSTAS? 
Porque eu acho que estou SEPARADO dos demais... Preciso apenas pensar naquilo que é bom para mim. 

E porque acho que estou SEPARADO dos demais? 
Porque tenho uma PERCEPÇÃO ILUSÓRIA da vida, baseada em minha CONSCIÊNCIA DE CORPO... que me leva a fazer as coisas baseado nessa separatividade e no MEDO. 

PR

"Ame e faça o que quiser"

Leis, mandamentos, normas e regulamentos são necessários para aqueles que estão separados de quem eles são, da sua verdade interna. Essas regras destinam-se a evitar os piores excessos do ego, porém, em geral, não são capazes sequer de fazer isso. "Ame e faça o que quiser", disse Santo Agostinho. As palavras não conseguem chegar mais perto da verdade do que isso.

De "O Despertar de Uma Nova Consciência", Eckhart Tolle

Fatos e interpretações

Todo ego confunde opiniões e pontos de vista com fatos. Além disso, nenhum ego consegue estabelecer a diferença entre um acontecimento e sua reação a ele. O ego é sempre um mestre da percepção seletiva e da interpretação distorcida.


Apenas por meio da consciência - e não do pensamento - somos capazes de diferenciar entre fato e opinião. Somente por intermédio da consciência uma pessoa consegue ver o seguinte: esta é a situação e aqui está a raiva que sinto dela. Depois, compreende que existem outras formas de abordar aquela circunstância e maneiras diferentes de entendê-la e de lidar com ela.

Só com o uso da consciência conseguimos ver a totalidade da situação ou da pessoa em vez de adotarmos um ponto de vista limitado.


De "O Despertar de Uma Nova Consciência", Eckhart Tolle

"Porque muitas pessoas passam talvez 70% de suas vidas esperando por algo"

Sabedoria só pode surgir quando você acessa a dimensão do não pensar em você mesmo.

Os homens e mulheres sábios não têm nada que você não tenha.

Ele ou ela estão simplesmente atentos à dimensão da quietude, a dimensão do não pensar. É daí que toda sabedoria surge. O que também está em você.

Então, trazer isso à vida do dia-a-dia, mediante estar atento ao campo interior de energia do corpo. Estar alerta ao senso de percepção, em outras palavras ficar alerta ao presente sem pensamentos.

Algumas vezes ao dia olhe em torno do quarto em que você fica sentado. Isso requer um alto grau de estado de alerta, sim, mas isto está em você.

Então, periodicamente, mesmo que cinco segundos a cada vez, você traz o não-pensar. Não no seu sentido usual, mas aqui o não-pensar implica em mais consciência.

E então você percebe que a compulsão por pensar é somente um hábito profundamente estabelecido.

E não ouça a mente quando ela diz "não tenho tempo para estar no presente agora...". Nem mesmo dez segundos? Não é verdade. Ex.: Você espera o elevador e pressiona o botão. Está você se projetando mentalmente para onde quer chegar, ou está simplesmente ali? Está você imerso em pensamentos ou está usando essa oportunidade para simplesmente estar presente com seu inteiro ser, parado ali não esperando por nada?

Porque muitas pessoas passam talvez 70% de suas vidas esperando por algo. É sempre a próxima coisa a fazer que não foi totalmente terminada ainda. É sempre a próxima coisa a acontecer... "Eu estou esperando por isso...". Por que não usar todo o período de espera para estar presente? Então você entra no elevador e pressiona o térreo... E ele desce... Então há uma vivificação em seu inteiro campo de energia. E é lindo!

(...)

Eckhart Tolle
Vídeo: A Sabedoria na Vida Diária



Queixas e Ressentimentos

Queixar-se é uma das estratégias prediletas do ego para se fortalecer. Cada reclamação é uma pequena história que a mente cria e na qual acreditamos inteiramente. 

(...) O ressentimento é a emoção que acompanha a queixa e a rotulagem mental dos outros. Ele acrescenta ainda mais energia ao ego. Ressentir-se significa ficar magoado, melindrado ou ofendido. Costumamos nos sentir assim em relação à cobiça das pessoas, à sua desonestidade, à sua falta de integridade, ao que estão fazendo no presente, ao que fizeram no passado, ao que disseram, ao que deixaram de dizer, à atitude que deviam ou não ter tomado. O ego adora isso. Em vez de detectarmos a inconsciência nos outros,nós a transformamos em sua identidade. Quem é o responsável por isso? Nossa própria inconsciência, o ego. 

Algumas vezes, a "falta" que apontamos em alguém nem mesmo existe. Ela pode ser um erro total de interpretação,uma projeção feita por uma mente condicionada a ver inimigos e a se considerar sempre certa ou superior. 

Em outras ocasiões, a falta pode ter ocorrido; contudo, se nos concentrarmos nela, às vezes excluindo todo o resto, nós a tornamos maior do que é. E dessa maneira fortalecemos em nós mesmos aquilo a que reagimos no outro.

Não reagir ao ego das pessoas é uma das maneiras mais eficazes de não só superarmos nosso próprio ego como também de dissolver o ego humano coletivo. No entanto, só conseguimos nos abster de reagir quando somos capazes de reconhecer o comportamento de alguém como originário do ego,como uma expressão do distúrbio coletivo da espécie humana. Quando compreendemos que não se trata de nada pessoal, a compulsão para reagir desaparece. Não reagindo ao ego, muitas vezes podemos fazer aflorar a sanidade nos outros, que é a consciência não condicionada em oposição à consciência condicionada. 

Em determinadas ocasiões, talvez precisemos tomar providências práticas para nos proteger de pessoas profundamente inconscientes. Isso é algo que temos condições de fazer sem torná-las nossas inimigas. Nossa maior defesa, contudo, é sermos conscientes. Alguém passa a ser um inimigo quando personalizamos a inconsciência que é o ego. A não-reação não é fraqueza, mas força. Outra palavra para não-reação é perdão. Perdoar é ver além, ou melhor, é enxergar através de algo. E ver, através do ego, a sanidade que há em cada ser humano como sua essência. 

O ego adora reclamar e se ressente não só de pessoas como de situações. O que podemos fazer com alguém também conseguimos fazer com uma circunstância: transformá-la num inimigo. Os pontos implícitos são sempre: isso não deveria estar acontecendo, não quero estar aqui, estou agindo contra minha vontade, o tratamento que estou recebendo é injusto. E, é claro, o maior inimigo do ego acima de tudo isso é o momento presente, ou seja, a vida em si.

Não confunda a queixa com a atitude de informar alguém de uma falha ou de uma deficiência para que elas possam ser sanadas. Além disso, abster-sede reclamar não corresponde necessariamente a tolerar algo de má qualidade nem um mau comportamento. Não há interferência do ego quando dizemos ao garçom que a comida está fria e precisa ser aquecida - desde que nos atenhamos aos fatos, que são sempre neutros. "Como você se atreve a me servir uma sopa fria?" Isso é se queixar. Nessa situação, existe um "eu" que adora se sentir pessoalmente ofendido pela comida fria e ele aproveitará esse fato ao máximo, um "eu" que aprecia apontar o erro de alguém. A reclamação a que me refiro está a serviço do ego, e não da mudança. 

 De "O Despertar de Uma Nova Consciência", Eckhart Tolle

A Atitude Reativa e o Rancor


Embora o ressentimento costume ser a emoção que acompanha a queixa, ele também pode vir junto com uma emoção forte, como a raiva ou outra forma de contrariedade. Dessa maneira, torna-se mais carregado energeticamente. A reclamação então se transforma numa atitude reativa, outra maneira que o ego encontra de se fortalecer. Existem muitas pessoas que estão sempre esperando pela próxima coisa contra a qual reagir para que possam se sentir irritadas ou perturbadas - e nunca demora muito até que encontrem o que procuram. "Isso é um insulto", "Como você ousa...", "Estou profundamente magoado com isso" - é o que costumam dizer. Elas são viciadas em se aborrecer e se encolerizar, enquanto os outros funcionam como uma droga. Pela reação a isso ou àquilo, afirmam e intensificam sua percepção do eu. 

Um ressentimento antigo é chamado de rancor. Carregar um sentimento desse tipo é estar permanentemente no estado "contra", e é por isso que o rancor constitui uma parte significativa do ego de muita gente. Quando coletivo, ele pode sobreviver por séculos na psique de um país ou de uma tribo e alimentar um ciclo interminável de violência. 

Um rancor é uma forte emoção negativa ligada a um acontecimento ocorrido no passado, algumas vezes distante, que é mantido vivo pelo pensamento compulsivo que reconta a história, na cabeça ou em voz alta, "do que alguém me fez" ou "do que alguém nos fez". Esse sentimento também é capaz de contaminar outras áreas da vida. Por exemplo, enquanto pensamos sobre o rancor e o sentimos, sua energia emocional nefasta pode distorcer nossa percepção de um acontecimento que está ocorrendo naquele momento ou influenciar a maneira como falamos com alguém no presente ou nosso comportamento em relação a essa pessoa. Um rancor profundo é suficiente para afetar vários aspectos da vida e nos manter nas garras do ego.

É preciso honestidade para verificarmos se ainda guardamos rancores, se existe alguém na nossa vida que não conseguimos perdoar completamente, um "inimigo". Caso você esteja nessa situação, tome consciência do rancor tanto no nível do pensamento quanto no nível emocional, ou seja, conscientize-se dos pensamentos que mantêm a continuidade desse sentimento negativo e sinta a emoção, que é a reação do corpo a esses pensamentos. Não tente deixar o rancor de lado. Tentar perdoar não dá certo. O perdão acontece de modo natural quando entendemos que o rancor não tem outro propósito a não ser fortalecer uma falsa percepção do eu, ou seja, possibilitar a existência do ego. Compreender é libertar-se. O ensinamento de Jesus sobre "perdoar os inimigos" trata, em essência, de desfazer uma das principais estruturas egóicas da mente humana. 

O passado não tem força para nos impedir de viver no estado de presença agora. Apenas o rancor em relação ao passado pode fazer isso. E o que é o rancor? A bagagem de velhos pensamentos e antigas emoções. 

De "O Despertar de Uma Nova Consciência", Eckhart Tolle

Desafio

A mudança chama desafios - olhar para si e para as situações em volta e descobrir como equilibrar esses dois mundos distintos e interligados. 

De "Caminhos para uma consciência mais elevada", Ken O'Donnell

Controle da Fala



A fala é o armamento de todo ser humano. Os animais têm agilidade nos pés, agudez das garras, presas, chifres, dentes, bicos, unhas, etc. Mas os seres humanos são dotados com a fala como uma faculdade, como seu armamento.

A primeira lição no aprendizado fundamental para um aspirante espiritual é o "Controle da Fala". Através da doçura de sua voz, você pode desarmar toda a oposição e derrotar todos os projetos de ódio. Doçura o torna Pashupathi (Divino). Aspereza o torna pashu (Bestial). Mera polidez ou doçura externa é hipocrisia.

A fala sincera deve fluir da doçura real do coração, um coração cheio de amor. Remova todo mal do lago transparente de sua mente e torne-o uma morada adequada para o Divino.

Sathya Sai Baba

Temos de enfrentar-nos assim como somos


(...) O que nos cumpre fazer é, segundo me parece, tornar-nos cônscios das condições de nossa existência diária, de nossos infortúnios, nossas angústias, nossa confusão e conflito, e tratar de compreendê-los tão profundamente que possamos lançar uma base adequada, para começar. Não há outra solução. Temos de enfrentar-nos assim como somos e não como deveríamos ser segundo um certo padrão ou ideal. Temos que ver realmente o que somos e, daí, iniciar a transformação radical.

J. Krishnamurti
http://nossaluzinterior.blogspot.com.br/2012/04/temos-de-enfrentar-nos-assim-como-somos.html
Textos relacionados