Domínio da Mente



- Tetsuya.

O rapaz olhou espantado o estrangeiro.

- Ninguém nesta cidade viu Tetsuya segurando um arco – respondeu. – Todos sabemos que ele trabalha em carpintaria.

- Pode ser que tenha desistido, que tenha se acovardado, isso não me interessa – insistiu o estrangeiro. – Mas não pode ser considerado o melhor arqueiro do país, se já abandonou sua arte. E por isso viajei tantos dias: para desafia-lo e colocar um ponto final em uma fama que já não merece.

O rapaz viu que não adiantava ficar discutindo: era melhor leva- lo até o carpinteiro, para ver com seus próprios olhos que ele estava enganado.

Tetsuya estava trabalhando na oficina situada nos fundos de sua casa. Virouse para ver quem chegava, e seu sorriso foi interrompido no meio. Os olhos se fixaram na longa sacola que o estrangeiro carregava consigo.

- É exatamente o que você está pensando – disse o recém-chegado. – Não vim aqui para humilhar nem provocar o homem que virou uma lenda. Apenas gostaria de provar que, com todos os meus anos de prática, consegui chegar à perfeição.

Tetusya fez menção de retornar ao seu trabalho: estava terminando de colocar os pés de uma mesa.

- Um homem que serviu de exemplo para toda uma geração, não pode desaparecer como o senhor desapareceu – continuou o estrangeiro. – Segui seus ensinamentos, procurei respeitar o caminho do arco, e mereço que me veja atirar. Se fizer isso, irei embora e não direi a ninguém onde se encontra o maior de todos os mestres.

O estrangeiro tirou de sua bagagem um arco longo, feito de bambu envernizado, com o punho situado um pouco abaixo do centro. Fez uma reverencia para Tetsuya, caminhou até o jardim, e fez outra reverencia para um lugar determinado. Em seguida, tirou uma flecha ornada com plumas de águia, abriu as pernas de modo a ter uma base sólida para atirar, com uma das mãos trouxe o arco até diante de seu rosto, com a outra colocou a flecha.

O rapaz olhava com um mixto de alegria e espanto. E Tetsuya tinha interrompido seu trabalho, olhando o estrangeiro com curiosidade. O homem trouxe o arco – já com a flecha presa à corda – até o centro do seu peito. Levantou-o acima da cabeça, e a medida que abaixava as mãos, começou a abri- lo.

Quando chegou com a flecha a altura do seu rosto, o arco já estava completamente estendido. Por um momento que pareceu durar uma eternidade, arqueiro e arco permaneceram imóveis. O rapaz olhava para o local onde a flecha estava apontando, mas não via nada.

De repente, a mão da corda se abriu, o braço foi empurrado para trás, o arco descreveu um giro gracioso na outra mão, e a flecha desapareceu de vista, para tornar a aparecer ao longe.

- Vá pega-la – disse Tetsuya.

O rapaz voltou com a flecha: ela havia atravessado uma cereja que se encontrava no chão, a quarenta metros de distância.

Tetsuya fez uma reverência para o arqueiro, foi até um canto de sua carpintaria, e pegou uma espécie de madeira fina, com curvas delicadas, envolta em uma longa tira de couro. Desenrolou a tira sem a menor pressa, e apareceu um arco semelhante ao do estrangeiro – com a diferença que parecia ter sido bastante mais usado.

- Não tenho flechas, e precisarei de uma das suas. Farei o que me pede, mas terá que manter a promessa que fez: jamais irá revelar o nome da aldeia onde vivo. “Se alguém perguntar por mim, diga que foi até o final do mundo tentando encontrar- me, até descobrir que eu tinha sido picado por uma cobra, e morrido dois dias depois. “

O estrangeiro assentiu com a cabeça, e estendeu uma de suas flechas.

Apoiando uma das extremidades do longo arco de bambu na parede, e fazendo um considerável muito esforço, Tetsuya colocou a corda. Em seguida, sem dizer nada, saiu em direção as montanhas. O estrangeiro e o rapaz o acompanharam. Caminharam por uma hora, até chegar a uma fenda entre duas rochas, onde corria um rio caudaloso: o lugar só podia ser cruzado através de uma ponte de corda apodrecida, quase despencando.

Com toda calma, Tetsuya foi até o meio da ponte – que balançava perigosamente - fez uma reverência para algo do outro lado, armou o arco da mesma maneira que o estrangeiro havia feito, levantou-o, trouxe-o de volta ao peito, e disparou. O rapaz e o estrangeiro viram que um pêssego maduro, que se encontrava à vinte metros do local, havia sido transpassado pela flecha.

- Você atingiu uma cereja, eu atingi um pêssego – disse Tetsuya, voltando para a segurança da margem. - A cereja é menor. “Você atingiu seu alvo a quarenta metros, e o meu estava à metade desta distância. Portanto, você tem condições de repetir o que fiz. Venha até aqui o meio desta ponte, e faça a mesma coisa.”

Aterrorizado, o estrangeiro caminhou até o meio da ponte semi-apodrecida, mantendo os olhos fixos no despenhadeiro debaixo dos seus pés. Fez os mesmos gestos rituais, disparou em direção à arvore de pêssegos, mas a flecha passou muito longe. Ao voltar para a margem, seu rosto estava pálido.

- Você tem habilidade, tem dignidade, e tem postura – disse Tetsuya. – Conhece bem a técnica e domina o instrumento, mas não domina sua mente. Sabe atirar quando todas as circunstâncias são favoráveis, mas se estiver em um terreno perigoso, não consegue atingir o alvo. Entretanto, nem sempre o arqueiro pode escolher seu campo de batalha, de modo que recomece seu treinamento, e esteja preparado para situações desfavoráveis.

“Continue no caminho do arco, pois ele é o percurso de uma vida. Mas aprenda que um tiro correto e certeiro é muito diferente de um tiro com a paz na alma. “

O estrangeiro mais uma vez fez uma longa reverência, colocou seu arco e suas flechas na longa sacola que carregava ao ombro, e partiu. (...)


Paulo Coelho
O Caminho do Arco

Experiência Direta e as Religiões

Todo nosso conhecimento repousa sobre a experiência. O que chamamos conhecimento inferente, no qual se vai do particular para o geral ou vice-versa, tem a experiência por base.

A religião geralmente ensinada, fundamente-se na fé e na crença, e na maioria dos casos, consiste somente de diferentes esquemas de teorias; eis porque vemos religiões contra religiões. Essas teorias também repousam sobre crenças.

É por isso que a religião e a filosofia religiosa gozam, atualmente, de mau conceito. Parece que todo homem culto diz "Essas religiões são feixes de teorias sem qualquer ponto de apoio sólido, cada qual pregando as idéias que lhe convém".

Não obstante, existe na religião, uma base de crença universal, de que dependem todas as diferentes teorias e idéias das diferentes seitas, em diferentes países. Se buscarmos essa base, encontraremos que elas também são baseadas sobre experiências universais.

(...) Se formos à fonte do Cristianismo, veremos que está baseado na experiência. Da mesma maneira, no Budismo, trata-se da experiência do próprio Buddha, que experimentou certas verdades, viu-as, esteve em contato direto com elas e as pregou ao mundo.

(...) Todas as religiões do mundo form construídas sobre o universal e adamantino fundamento de todo nosso conhecimento: a experiência direta.

Se houve uma experiência nesse mundo, em qualquer ramo particular de conhecimento, certamente segue-se que essa experiência foi possível milhões de vezes antes e repetir-se-á eternamente. A uniformidade é a lei rigorosa da natureza: o que ocorreu uma vez poderá ocorrer sempre.

(...) Não só que a religião se baseia sobre a s experiências de outrora, mas também que nenhum homem pode ser verdadeiramente religioso enquanto não passar, ele próprio, pelas mesmas experiências.


Swami Vivekananda
Raja Yoga p. 7-8.

O aprendizado através do sofrimento e da dor


O sofrimento e a dor têm funções espirituais, morais e físicas para o homem terrestre. (...) No esquema planetário em que vivemos, eles são por enquanto importantes elementos para a evolução do homem (...)

O valor espiritual e evolutivo do sofrimento e da dor encontra-se no fato de o homem ser por eles levados a concentrar suas forças mentais em descobrir o motivo que o levou a tê-los, e ser com isso ajudado a desidentificar-se do seu próprio ego humano, núcleo que é, como se sabe, cheio de vícios e de hábitos passados. Destacar-se do ego, embora rápida e temporariamente, traz considerável benefício para o Espírito Cósmico que habita dentro do homem, que pode assim confirmar nele a verdadeira origem não-egóica e não-terrestre de sua natureza.

Através da concentração, ainda que momentânea, em um estado que não é do ego humano, a Fé pode descer da quarta dimensão para o eu consciente, e a ordem, a coragem e a calma, pode manifestar-se.

Em situações normais de felicidade, ou de aparente tranquilidade, essa energia, ainda parca para o homem comum, tem menos ocasião de chegar até a área em que ele é consciente; apenas uma necessidade em maior é capaz de atraí-la.


Trigueirinho
Caminhos para a Cura Interior. p78-79 Editora Pensamento

Exercício de Meditação (4): entregar-se ao processo sem expectativas

(...) e depois podem ocorrer outras coisas e não só essas da gente reencontrar algo que nós já tínhamos começado a trabalhar.

Vamos que a gente nunca tivesse trabalhado essas coisas, como há muitas pessoas que nunca trabalharam e decidem a trabalhar em uma determinada encarnação. Existem elementos cármicos positivos que nós podemos ter conosco guardados na nossa superconsciência ou subconsciência, elementos dos quais nós não temos a menor consciência. E se a nossa energia da fidelidade, da fé, do amor, da luz, todas essas qualidades que nós colocamos no processo de repente começam a vibrar, essas energias podem atrair nosso carma positivo, nosso carma de outros setores, não da meditação e não se sabe o que pode acontecer nessa química do nosso Eu Superior, nessa química da nossa Superconsciência, nunca se sabe.

Mesmo dizendo essas coisas cheia de esperanças não é bom que se crie expectativas baseadas nela. Essas coisas é somente para sabermos para nós ficarmos com uma visão do assunto. Eu não devo esperar que vou reencontrar meu ponto passado, não devo esperar que toda minha energia faça isso, eu não devo esperar coisa alguma. Eu devo fazer a coisa naquele momento porque a coisa deve ser feita, porque eu percebi que a coisa é pra ser feita e vou tirar de mim qualquer preocupação sobre assunto.

Enfim vou ficar concretamente entregue fiel ao processo. Este realmente é o caminho mais curto. Entregue, limpo, como se nada soubesse sobre esse assunto, tudo isso que vocês ouviram, vocês guardem no bolso, tirem tudo da mente, para que naqueles momentos em que a coisa balança, em que a personalidade fica desencorajada, tira do bolso e olha "Ah! Me lembrei agora" depois põem no bolso de novo porque tudo isso que eu estou falando atrapalha a meditação. Qualquer coisa que a gente coloque em mente é um obstáculo para a meditação. Então vocês põem isso no bolso para usar isso no momento que achar necessário e depois coloque no bolso de novo.

O Eu Consciente é para ficar completamente entregue, completamente sem expectativas e completamente apoiado numa coisa que não se vê, que não se sabe o que é, que não se sente, apoiado no nada. Ficar quieto no nada. E isso a gente vai fazendo gradativamente.

A Meditação - Parte 1
Palestra proferida em 01/01/1984
Trigueirinho
http://www.irdin.org.br/palestra/por/audicao.html?cod=3192

Desejo de Admiração



"O que fazemos só terá importância para o mundo apenas se ato representar a expressão de nosso próprio ser. Neste caso, não há necessidade de admiração por parte de ninguém"

 Marcos César
O Desejo de Admiração: Imaturidade para os Caminhos da Vida 
http://www.oagora.com/?p=2718&cpage=1#comment-2948

Medo


Nosso medo, a menos do medo de perigo de morte real, é centrado na idéia de solidão revestida de um desejo de alguma forma de aceitação por outrem, de tal maneira que este proporcione um espaço para realização de nossos desejos de vida.

Este medo gera nossa dependência emocional de aspectos externos a quem somos. Assim, se os acontecimentos ocorrem conforme nossas intenções e desejos, acreditamos que estaremos “emocionalmente bem”, caso contrário, estaremos “emocionalmente mal”.

O medo cria a ansiedade pela obtenção de uma segurança que nunca existirá e que nos condiciona a um modelo de vida que não leva em conta a felicidade no presente, adiada para um futuro promissor.

Viver condicionado por este medo é desacreditar em quem somos e em nosso verdadeiro potencial para viver e superar as adversidades através de nossas qualidades naturais e individuais das quais somos dotados. Ele põe abaixo nossa auto-confiança e auto-estima”



Marcos César
http://www.oagora.com/?p=2913

Ajudar Pessoas e a Vida: Como Fazê-lo de Forma Definitiva?



De que maneira podemos ajudar as pessoas ou a vida de uma maneira geral? 

Segundo consta, existem várias maneiras de fazer isto. Por exemplo, pode-se ajudar as pessoas a “serem felizes” como mostrado aqui, ou seja, “Seja feliz fazendo com que os outros sejam felizes”. Em geral, esta idéia é apresentada dizendo que nossos sonhos de felicidade se realizarão se ajudarmos os outros a realizarem os seus sonhos.

Mais claramente, nestas palavras esconde-se a preocupação e o medo da não realização dos sonhos, o que condiciona o ato da ajuda, na crença de que a obtenção do que se sonha realmente trará a felicidade. No entanto, isto não acontece, pois a felicidade individual não depende de nada que é externo. Ela, por si só, é o caminho e não o fim.

Outro exemplo é a da ajuda emotiva e comovente a catástrofes naturais e acontecimentos assemelhados. Neste caso a sensação de incômodo por trás destes, criam ajudas humanitárias que muitas vezes escondem sentimento de culpa, uma vez que a própria sociedade em seus princípios e valores dizimou e tem dizimado muito mais vidas que qualquer catástrofe natural.

Para isto, basta compreender o verdadeiro significado das guerras e da miséria, como também seus reais motivos. Em geral, a idéia por trás deste tipo de ajuda é a de “sinto-me feliz e bondoso por ter ajudado pessoas”. Estes sentimentos levam uma forma de alívio a um sentimento de incômodo interior pela percepção de uma situação desagradável que não se deseja a si ou a qualquer ente querido.

Então, mais uma vez, o sentimento de medo por trás deste incômodo gera o ato da ajuda, tornando-nos condicionados a ele. Este condicionamento nos aprisiona e nos torna facilmente manipuláveis. O medo, de certa forma, está presente nestes atos, o que precisa ser revisto com cuidado para que realmente se possa ajudar mais positivamente a vida de uma maneira geral, neste mundo.

Isto não quer dizer que não se deva ajudar pessoas ou vidas que venham a precisar, mas sim, dizer que qualquer que seja a ajuda realizada por condicionamento, ela não contribui para consciência de quem realmente se é, ou auto-conhecimento, para que se desencadeie a transformação para um mundo melhor.

Ao contrário, esta ajuda que trabalha num jogo de sentimentos que resulta de ação e reação não busca uma consciência, visão e uma verdadeira compreensão dos acontecimentos do mundo. Ela não traz a compreensão individual de quem se é, para, a partir daí, entender e compreender a natureza e toda a vida existente num sentido mais amplo.

É por isso que as guerras e a miséria acontecem, tirando a vida de milhares de seres, sendo que as pessoas preferem não pensar sobre estes acontecimentos.

É por isso que se acha uma atitude desumana os maus tratos a um animal de estimação, quando “admite-se como normal”, a morte, maus tratos, subjugação e toda a violência gerada a outros animais sencientes de vidas como as nossas, por interesses individuais do ser humano.

É neste aspecto que qualquer forma de ajuda condicionada pelo medo jamais trará consciência da verdadeira importância da vida no sentido geral, para que, assim, este ato tenha uma abrangência maior a todos os seres do mundo de maneira a dizimar toda e qualquer forma de violência que tanto sofrimento tem causado.

Baseado nisto sobre ajudar pense o seguinte:

Não se deixe levar por emoções e comoções generalizadas ou massificadas que sejam promovidas por meios de comunicação, ou instituições parecidas, que nitidamente tentam explorar a fraqueza presente em nossos medos para manipular e conseguir realizar seus próprios interesses. Perceba que não é a emoção que identifica a verdadeira necessidade da ajuda, mas sim, a compreensão e a consciência do valor da vida e da natureza em toda sua forma.

Deste jeito, a ajuda tem um sentido verdadeiro de amor que não faz perder a visão sobre os problemas e causas que ocorrem neste presente momento, no mundo.

Lembre-se que a melhor forma de ajuda que podemos dar às pessoas é aquela que pode levá-las a paz e a serenidade para uma melhor compreensão de si mesmas, e assim, promover suas próprias evoluções naturais como seres vivos.

A ajuda material tem sua importância e é algo pode de ser feito de maneira natural sem que se perca a compreensão e consciência de todas as realidades que provocam dor e sofrimento no mundo. Ou seja, a mudança para um mundo melhor não depende apenas da ajuda material que sempre tem um caráter provisório, mas, antes de mais nada, da visão aberta para o mundo presente com todos seus problemas, sabendo que a solução começa na mudança individual de cada um pelo reconhecimento de seu próprio ser. A consciência trazida pela manifestação natural de quem se é provoca mudanças individuais que levam em conta o verdadeiro valor da vida e da natureza, promovendo a paz e o amor entre todos os seres.

Enfim, não deixe o medo comandar a atitude da ajuda. Perceba a existência dele. Ao ser tomado pelas emoções trazidas por estes acontecimentos tristes, observe-se atentamente sem julgamento ou qualquer forma de pensamento. Apenas se observe e nada mais. Num dado momento ele vai cessar. Ao fazer isto, você está se conectando ao seu interior e a algo profundo em você. Longe do condicionamento da presença do medo, verifique se o que aconteceu podia ser evitado.

Se sim, pergunte-se quais as mudanças pode realizar em você mesmo para colaborar com o fim destes acontecimentos. Vá mais longe e questione-se sobre outras formas de acontecimentos deste tipo no presente momento que causam dores e sofrimentos às varias formas de vidas sencientes no mundo. E novamente verifique quais as mudanças que pode efetuar em você mesmo para colaborar com o fim destes acontecimentos.

Estas mudanças são o tesouro e verdadeira ajuda para um mundo melhor. Nelas há impregnado um princípio de consciência que não pode ser manipulado, pois ele é fruto da verdadeira liberdade de pensar que vem do interior. A ajuda que vem destas mudanças são verdadeiramente significativas e definitivas. Consciente de tudo isso, caso queira, verifique que tipo de ajuda material pode realizar nesta situação.

Neste momento esta ajuda não tem mais o caráter condicionado por sentimentos, mas sim, o de um ato que vem da consciência da necessidade, sofrimento ou dor do outro que no fundo significa parte da natureza e de nós mesmos. Esta mesma consciência estará presente em nossas vidas em todo momento para olharmos as coisas e buscarmos mudanças interior, que cada vez mais proporcione uma forma de ajuda definitiva para eliminar com toda forma de sofrimento e violência existente no mundo.

Excertos de "A Ciência Secreta"

Não procureis levantar o véu antes de terdes mudado os vossos desejos.

...

Que seria a Luz se tu a recebesses sem projetá-la sobre o mundo com tanto poder e doçura quanto ela te é dada?

…

A solidão que tens sofrido te conduz a refletir. A desilusão que talvez tenhas sofrido te conduz a encarar o mundo e a vida sob um aspecto mais exato.

…

O primeiro ponto a cumprir é conhecer-te. Não é sem causa que os antigos tinham feito deste conhecimento o primeiro estágio da sua iniciação. Sabes quais são as tuas qualidades e os teus defeitos. Deves desenvolver umas e eliminar outros.



Durville Henri 
A Ciência Secreta - Vol. I 

O observador é a coisa observada

Ao percebermos a verdade de que o observador é a coisa observada, não há então dualidade e, por conseguinte, não há conflito. Para que possa haver uma revolução total na mente, deve desaparecer totalmente o observador, porque o observador é a coisa observada. Só há transformação total quando o observador é a coisa observada, pois o observador nada pode fazer em relação àquilo que observa. 

Jiddu Krishnamurti

Carma e Darma - Causa e Propósito do Destino



[...] O carma é composto por muitas linhas divergentes e conflitantes decorrentes das diversas ações harmônicas e desarmônicas que cometemos no passado. A linha de tendência resultante de todas essas múltiplas ações apontam numa determinada direção e assume um determinado propósito alinhado com a ordem divina do universo e de nossa vida em particular. Essa direção é o Darma.

O darma é aquilo que os cristãos (particularmente os protestantes) costumam chamar de “O Plano de Deus para nossa vida”. Para atingirmos o nosso darma, temos de navegar nas “ondas” revoltas do carma, até que essas ondas estejam todas alinhadas e não exista mais diferença entre o carma e o darma. Quanto mais anulamos o nosso carma, mais tomamos consciência do nosso darma e mais alinhamos nossa vida com ele.

Todavia, mesmo a pessoa que está vivendo uma fase de turbulência existencial e intenso sofrimento, está trabalhando simultaneamente seu darma, com a diferença de que está navegando uma onda periférica e prioritária, ilusoriamente afastada do curso normal de sua existência, o que não é verdade se virmos o fato no plano espiritual. É como um motorista numa estrada que se afasta da via principal para trocar um pneu ou reabastecer o seu veículo. Logo que essa operação for concluída, ele retorna à via principal. Naquele momento específico de sua viagem, a operação de troca dos pneus ou de reabastecimento foi mais importante do que seguir o curso normal da viagem [...].


Relatos e Sínteses sobre Temas da Sabedoria Perene
http://www.sociedadeteosofica.org.br/bhagavad/site/livro/cap13.htm

A Experiência é a base do Conhecimento

Todo nosso conhecimento repousa sobre a experiência.
O que chamamos conhecimento inferente, no qual se vai do particular para o geral ou vice-versa, tem a experiência por base.

S.Vivekananda
Raja Yoga

Libertação do carma


(...) Você tem direito a bem poucas escolhas na arena da vida diária, mas você sempre poderá escolher como vai viver os incidentes da vida de momento em momento.

Todas as reações que se originam no passado são limitadas e dependentes, mas se você enfrenta todos os eventos com atenção plena e boa vontade, algo novo e criativo acontece e isto corrige todas as ações.

A libertação do Karma não ocorre pela substituição do mau pelo bom Karma, mas pela queima de todo Karma no fogo da compreensão e do amor. A isto podemos chamar harmonia interna.



Einar Adalsteinsson
Harmonia Interna: O Enfoque Psicológico
http://www.sociedadeteosofica.org.br/artigos.asp?item=159&idioma=

A arte de cumprir o dever a cada momento



Nunca há qualquer necessidade de se preocupar. A boa lei cuida de todas as coisas, e tudo o que todos temos de fazer é o nosso dever, como ele se apresenta, ao longo de cada um dos dias. Nada se ganha por se preocupar com assuntos e com a forma como as pessoas não respondem.

Em primeiro lugar, considere que você não altera as pessoas e, em segundo, por estar preocupado com coisas, você coloca um obstáculo oculto no caminho do que você deseja fazer. É melhor adquirir uma grande quantidade do que o mundo chama de desapego, mas que é, na realidade, uma calma confiança na lei, e a ação de cumprir com seus deveres, convencido de que os resultados devem ser os corretos, não importa quais eles possam ser.

O passado! O que é? Nada. Já se foi! O melhor é não lhe dar importância. Você é o passado de si mesmo. Por isso, ele não diz respeito a você como “passado” - diz respeito a você somente na medida e nas circunstâncias em que você existe e está agora mesmo.

Em você, na forma em que agora existe, permanece todo o passado. Então, siga a máxima hindu: “Não lamente nada, nunca se arrependa e retire todas as dúvidas, com a espada do conhecimento espiritual”. O lamento é produtivo apenas em relação a um erro ocorrido. Não importa o que eu fui, ou o que qualquer um foi.

Eu só olho o que sou a cada momento, porque cada momento é e, subitamente, não é mais -do que se conclui que se quisermos pensar no passado, estaremos esquecendo do presente, e enquanto esquecemos os momentos voam para longe de nós, aumentando ainda mais o que é passado. Então, não devemos lamentar nada, nem mesmo as maiores tolices da vida, pois elas já se foram, e você está a trabalhar no presente, que é simultaneamente passado e futuro, de uma só vez.

Naquele que sabe que todos os seres espirituais são iguais em qualidade ao Ser Supremo, que espaço pode haver para desilusão, e que espaço de tristeza poderá existir, diante da unidade do espírito?

Em todas estas experiências interiores existem marés, assim como no oceano. Subimos e descemos. Os deuses descem e, em seguida, voltam para o céu. Não pense em fazê-los descer, mas esforce-se para elevar a si mesmo pelo caminho ao qual eles periodicamente retornam e, assim, aproxime-se deles, de uma forma que possa, de fato, receber influências deles bem mais cedo do que em vezes anteriores.

Confie sempre − interiormente − em seu Eu Superior, que proporciona força. O caminho fica mais claro à medida que prosseguimos, mas como temos o esclarecimento, tornamo-nos menos ansiosos, com o novo trecho a seguir. Se as pessoas permitirem que cada um siga e tenha sua própria decisão, com tranquilidade, todos se sairão bem. É um dever de cada um não interferir no dever do outro e nisto é da maior importância que nossas mentes (assim como as nossas línguas) estejam separadas e respeitem os deveres e atos de outrem, sempre que estes se encontrarem fora dos nossos próprios deveres e atos.

O futuro, então, para cada um, será proveniente de seu momento presente específico. Conforme usamos o momento presente, movimentamos o futuro para cima ou para baixo, para o bem ou para o mal, considerando que o futuro é apenas uma palavra para o presente − que ainda não chegou − temos que ver e dar atenção ao presente, mais do que tudo. Se o presente for cheio de dúvidas ou vacilação, assim será o futuro; se cheio de confiança, serenidade, esperança, coragem e inteligência, assim também será o futuro.

O Eu Superior não é puro, brilhante, imaterial e livre? E você não é isso? Se você estiver de algum modo deprimido, ou se qualquer um de nós estiver, então, exatamente na mesma medida nossos pensamentos estarão com sua força diminuída. Então, peço-lhe para retirar de sua mente qualquer desgosto pelas atuais circunstâncias. Se você puder olhar tudo apenas da forma que de fato deseja, irá agir não apenas como um fortalecedor de seus bons pensamentos, mas irá agir refletidamente em seu corpo e torná-lo mais forte.

O grande esforço deve ser o de abrir o meu Eu exterior, para que o Eu Superior possa brilhar através dele, porque sei que, em meu coração, a Sabedoria e o Equilíbrio universal permanecem pacientes - e que seus raios puros estão apenas velados diante de mim, pelas muitas buscas e ilusões que tenho trazido comigo, exteriormente.




William Q. Judge
http://filosofiaesoterica.com/ler.php?id=685
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